Eclesial:

ACTOS E ACTAS

Os novos Bárbaros

Neste país à beira-mar plantado... nascido ao colo da Igreja por mais que se danem os nossos voltairianos, que não conseguem deitar fora a água do banho e ao mesmo tempo segurar o Menino! Neste interessante país, que é a nossa pátria, a conexão dos talentos da Natureza e dos talentos da Graça não digo que seja perfeita, mas é completa. Os sucessivos julgamentos da História se têm encarregado de identificar e caracterizar a identidade de Portugal e da Igreja-que-está-em-Portugal. Os católicos portugueses, sem deixar permanentemente de se ocupar aqui e agora do Reino dos Céus e da sua Justiça, não deveriam preocupar-se excessivamente com o futuro da Igreja neste país à beira-mar plantado. A gente nunca sabe dos resultados pastorais, e as estatísticas são muito enganadoras assim como os retratos que nos fazem os nossos admiradores e/ou detractores. Nisto, com em tudo o mais, é preciso esperar pelo Fim. A procissão ainda vai no adro, a Missa ainda vai a meio, e tanto os nossos admiradores como os nossos detractores não sabem meia-missa!... Há em todos nós ainda poder suficiente para fazer a Portugal muito mal e muito bem, assim como este país tem ainda muito poder de fazer à Igreja muito bem e muito mal. Bem e mal de Portugal, bem e mal da Igreja...

Mas, voltando aos Talentos, os rendimentos de quanto a Natureza e a Graça investiram aqui, apesar de ser preciso esperar pelos resultados finais, são já apreciáveis. Seria um erro enterrá-los, sob o pretexto de guardá-los, com medo de perdê-los. Este erro já foi cometido, e as consequências foram muito más. Corremos o risco de perder até o que tínhamos, aquilo com que ficámos, depois das sucessivas últimas liquidações... Não se deve esquecer que Dom Sebastião I em Alcácer-Quibir não enterrou somente o país. De alguma maneira também a Igreja ali se enterrou, pois apostou na teoria dos Impérios e dos Padroados que confundem os interesses dos reinos do Mundo. Nem com a ajuda do Padre António Vieira se deve voltar a cometer o mesmo erro. Que os nossos adversários não se cansem de nos bater, se continuarmos a laborar no mesmo erro. A Igreja tem uma vocação para a eternidade, Portugal não tem, nem a França, nem ninguém! Se os bárbaros voltarem, é preciso que encontrem a Igreja aqui para os receber, para os acolher, nunca para os combater como aconteceu com os Mouros e os Judeus. Há bárbaros e bárbaros, os de casa e os que entram pela casa dentro. São talentos da Natureza que nos chegam, pelas muitas linhas tortas com que Deus escreve direito, para serem trabalhados pela Graça. Os novos Bárbaros aí estão à porta, e não adianta nada pôrmo-nos a chorar com saudades de Sião... Se formos fiéis no pouco, que não é tão pouco como isso (um só talento valia 35 quilos de ouro! que quem quisesse guardar, e não pôr a render, teria que enterrar, como fez aquele miserável da parábola)... Se formos fiéis no pouco, que não é tão pouco como isso, o Senhor nos confiará muito mais: "Porque foste fiel em coisas pequenas, confiar-te-ei as grandes!"

É preciso prepararmo-nos para o Futuro. A Vocação e a Missão chama-nos para o Futuro, não para o Passado. E o Futuro guarda-nos agora, não como o miserável da Parábola, que enterrou o Futuro, mas trabalhando dia e noite os talentos da Natureza, que se apresenta aqui e agora, com a mais valia da Graça. Riscos ? Na economia-da-Graça há perdas que são ganhos, há despojamentos que são libertações.

É preciso, urgente, e imperioso, voltar ao pensamento da Casa em que somos simultaneamente obreiros e pedras-vivas, Casa que está sempre a receber materiais novos, das mais diversas e desconcertantes proveniências. E de tal maneira o pensamento da Casa nos ocupa e nos absorve inteiramente, que nela já vivemos, apesar de ser incómodo habitar numa casa ainda não acabada... Os que gostam de coisas acabadas, que não têm que fazer na Igreja... E, atentando bem, quem tem no Mundo a ideia de ter do Mundo o que o Mundo não tem para lhe dar, passará a lamentar as casas e as camas que se fazem para se desfazer...
Leonel Oliveira
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Institutos Seculares preparam Milénio

Mais de uma centena de leigos consagrados, dos 16 Institutos Seculares existentes em Portugal, reuniram-se no dia 9, em Coimbra, para preparar o Grande Jubileu do Ano 2000. «A formação moral da consciência cristã à luz da vocação baptismal», foi o tema orientado pelo Dr. Virgílio Neves.

Entre as conclusões, foi realçada a necessidade da «formação moral da consciência, à luz da vocação cristã, na sociedade actual, tantas vezes sem valores, sem a marca da experiência de Jesus Cristo, embuida de ateísmo prático, e por isso tantas vezes sem felicidade e sem esperança».

Esperam os Institutos Seculares que daí resulte uma mais adequada formação dos seus membros, e que estes possam assumir progressivamente a sua auto formação e contribuir para a formação dos homens e mulheres dos seus ambientes sociais e eclesiais. De facto, numa sociedade pluralista, cheia de confusões e tantas vezes baseada numa consciência deformada, «só seremos fermento cristão, na medida em que nos formamos para um discernimento constante à luz do Espírito Santo. Só assim seremos capazes de caminhar com os nossos irmãos e de, perante as suas e as nossas situações, encontrarmos respostas válidas e tomarmos atitudes determinadas e proféticas, à luz do mesmo Espírito».

Na manhã doo dia 10, domingo, reuniu a Assembleia Geral da Federação Nacional dos Institutos Seculares (FNIS). Foram pontos da agenda a apresentação do Relatório da Vida e Actividades da FNIS no ano 1995/1996; a análise do Projecto de Vida e Acção para o triénio 1996/1999, que foi aprovado por toda a Assembleia e a preparação do Cinquentenário da Constituição Apostólica provida Mater Ecclesiae a celebrar nos dias 1 e 2 de Março em Fátima, com o Grande Encontro dos Institutos Seculares.

Em sinal de comunhão com todos os Institutos de Vida Consagrada, esteve presente uma representação da Federação Nacional dos Institutos Religiosos Femininos (FNIR), a Ir. Alda Gil, o que acontece pela primeira vez.
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