Sociedade:

SEMANA A SEMANA


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Religiosos na Comunicação

Um grupo de vinte religiosas e religiosos jornalistas, provenientes de quase toda a Europa, analisaram as dimensões e as características da nova cultura emergente das Comunicações Sociais, num Encontro Europeu, realizado de 3 a 8, em Lisboa. Instalados na Casa de Retiros da Cúria Geral das Irmãs Vitorianas, na Apelação, abriram-se às perspectivas da nova cultura e trocaram impressões em comum sobre as hipóteses de maior colaboração e entreajuda, dentro das atribuições que as Conferências de Religiosos dos seus países lhes conferem.

Organizadas pelas Direcções Nacionais da CNIR, FNIRF e FNIS, estas Jornadas, depois de uma partilha pormenorizada do que se faz em cada país, estudaram o fenómeno cultural proveniente da proliferação dos meios electrónicos e da revolução informática, propondo diversas linhas de orientação, para o seu trabalho, para as Direcções das suas Conferências Nacionais e para a União das Conferências Europeias de Superiores Maiores.

«A Comunicação já não é uma tarefa somente para especialistas, mas tornou-se uma acção responsável de todos: Hoje somos todos comunicadores» - foi salientado num apelo a que se cuide da formação dos religiosos jovens nesta nova cultura e de perspectivá-los para uma visão positiva dos meios modernos, apesar de todas as suas ambiguidades.
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PONTO DE VISTA

Cimeira da Fome

Terminou a Cimeira Mundial da Alimentação. Na cidade de Roma, onde ela se realizou, foi largamente debatido o problema da fome, que é o maior escândalo deste século porque está, sobretudo, nas mãos de alguns países, os mais industrializados e ricos do planeta, a eliminação de um flagelo que é uma lança espetada na consciência dos governos e também dos indivíduos. Isto é, na consciência de cada um de nós. «Tive fome e não me deste de comer, estava nu e não me vestiste» é a carta de julgamento diante da qual de nada valerão as elaboradas razões económicas e políticas nem os estreitos egoísmos que as circunstâncias aconselham para, individualmente, se ter imagem social. A história de uma tão grande calamidade como esta é contada quase só a partir de agora. Já foi coberta pela poeira do tempo o transporte para a Europa de grande parte da riqueza dos países africanos, sem que a estes se retribuísse com as capacidades de desenvolvimento cultural e material que, hoje, os perfilaria como parceiros dos países ocidentais, e não como mendigos. Por isso, a África, quase toda ela, está a começar. E já nem reparamos que é um continente em cujo interior as populações, ainda, um primitivismo de milénios. A marcha migratória da populações esfomeadas do Ruanda, um milhão de pessoas sem ter com que se alimentar, crianças pedindo biscoitos para enganar a fome é um cenário que perturba a consciência do Ocidente.

Entretanto, alguns discretos episódios se registam, também, no nosso meio. Como o de algumas famílias romenas que, segundo refere um jornal, «entravam nas lojas e furtavam vários artigos, sobretudo alimentos».
Pacheco de Andrade
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