Eclesial:

ACTOS E ACTAS

Os filhos do acaso

A Vida está cheia, oh! não de lições de moral, acabem com isso! mas de significações, de apelos, de mensagens, carregadinha de questões e de sugestões, que pedem atenção: é a Sabedoria à procura de quem a procura, para grandes encontros e maravilhosas descobertas da Verdade que salta desde as chispas que saltam da pedra que bate na pedra e dos riscos de luz da chuva de estrelas, até aos gritos de alegria ou de dor que ressoam entre a multidão em festa ou a fugir da guerra.

O nosso Mestre assistiu a muitos casamentos, de que as Bodas de Canã são um exemplo. A paisagem era outra, outros os costumes, mas os casamentos são todos iguais com a multidão dos convidados e as moças casadoiras, vestidas a preceito, aguardando a noiva e o noivo. Na sua terra e no seu tempo, o encontro era de noite, e as luzes não se apagavam durante a longa espera. Daí a demora do Noivo, e a preocupação com um suplemento de azeite... É curioso que foi um sábio judeu, do nosso tempo (1941), Bergson, que falou do suplemento-de-Alma que tanta falta fazia a este Século.

Eu vi há muito tempo um filme que me impressionou, e como há muito não se vê entre a produção cinematográfica que, nos dias que correm, enche os ecrãos de insignificância e de lixo com técnicas de luxo. Chamava-se Nave-dos-Loucos. Pôs-me diante dos olhos, em carne viva, o espectáculo do Desespero, ou da Desesperança. Num barco sem rota e sem âncora! os passageiros matavam o tempo em discussões intermináveis. Significação dramática dos filhos do Acaso arrastando-se ao peso da Necessidade, sem saber de onde vêm nem para onde vão, vidas adiadas em interrogações sem resposta, mandando sondas a Marte a perguntar se a Vida morreu lá e veio para cá... querendo tudo saber sem de nada saber! Sabiam que as primeiras cruzes desenhadas pelos Cristãos tinham a forma de uma âncora? Sabiam que os Primeiros Cristãos simbolizavam a Igreja com um barco e no barco punham a Âncora? Sabiam que porto e porta são a mesma palavra, tal como portar, transportar e reportar? A Esperança que transportamos é esta Âncora que dentro de nós nos dá a certeza do Porto-Porta a que vamos aportar e onde vamos ancorar...

À noite sobretudo este sentimento de espera, quando nos mantemos acordados, é muito vivo em nós.

Nestes últimos domingos temos alimentado, sustentado, o pensamento de Algo que edificamos, da Obra, obra-do-Homem, glória de Deus, em que somos simultâneamnete pedras-vivas e obreiros. As parábolas e as significações multiplicam-se, todas tiradas da Vida e para alimentar a Vida. Agora percebemos que esse algo é Alguém a quem esperamos.

É preciso, é urgente e imperiosos, restituir ao Povo de Deus o suplemento-de-Alma, sem o qual toda a Fé que se possa ter não serve de nada, não serve para nada, a não ser para nos tornar enfezados, doentes-da-Fé. Ou Aquilo que acreditamos não é Aquilo que esperamos? Aquilo que acreditamos e esperamos não é Aquilo que amamos?

Restituam-nos a Esperança e deixem de fazer ficções teológicas e leituras bíblicas oblíquas em que não nos reconhecemos nem em relação Àquilo que recebemos nem em relação ao objecto da Esperança. Ficções bastam-nos as dos romancistas e dos cientistas, que nos dias que correm não passam de mitos e fábulas sobre esta Nave de Loucos, contos de velhas para adormecer. Ora, nós não queremos adormecer, queremos saber o Fim da História e a Esperança tem tudo a ver com o Fim e com o Coração... que é o único órgão que em nós não pode nem sabe dormir... ainda que nos adormeçam as pernas ou os braços, e os olhos se fechem por vezes... No dia em que o Coração nos adormecesse, e a Esperança morresse, então o Senhor quando chegasse, ao empurrar a Porta logo descobriria que nada havia, por mais velórios que a gente fizesse com velas compradas ao cangalheiro.
Leonel Oliveira
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NA COMUNHÃO DAS IGREJAS

AVEIRO

De acordo com as orientações do Sínodo Diocesano, D. António Marcelino acaba de instituir, por decreto, o serviço do catecumenado na Diocese.

A institucionalização deste serviço tem em conta as decisões sinodais e procura ser uma resposta ao "crescente número de candidatos de todas as idades à preparação para o baptismo e à recepção dos sacramentos de iniciação".

Em termos de funcionamento, o Serviço, agora criado, vai elaborar, em colaboração com o Secretariado da Catequese, "o plano de formação específica das crianças e adolescentes que frequentam a catequese sistemática paroquial" e proceder à inscrição de todos os catecúmenos, com mais de 17 anos, garantindo-lhes uma "formação adequada à sua idade e condição, nomeadamente, preparando animadores paroquiais, fornecendo subsídios catequéticos e provocando, ciclicamente, encontro com todos", lê-se no decreto episcopal.

Ainda de acordo com o decreto, o Serviço Diocesano do Catecumenado é um sector autónomo da Vigararia Episcopal para a Educação Cristã com sede no Centro Universitário Fé e Cultura.


SANTARÉM

A iniciação bíblica do Povo de Deus é a linha orientadora do Programa Pastoral para este ano. Esta opção é o resultado do conjunto de sugestões proveniente de toda a diocese, insere-se no ideal de Comunidades evangelizadas e evangelizadoras e, ainda segundo D. António Francisco Marques, está "em sintonia com a proposta do Santo Padre para a preparação do Grande Jubileu do ano 2000".

O conhecimento da verdadeira identidade de Jesus Cristo passa pelo estudo da Bíblia como lembra João Paulo II. Por isso, a aposta diocesana de privilegiar o estudo das Escrituras deve envolver todas as comunidades paroquiais. "Pretendemos um Programa dinâmico, mesmo adaptável à capacidade de cada paróquia ou grupo, que conduza à partilha de bens espirituais e materiais com preferência pelos mais pobres, de modo a consolidar, através de indispensáveis orgãos de corresponsabilidade, verdadeiras comunidaes de fé esclarecida, celebrada, vivida e, assim corajosa, humilde, alegremente testemunhada", escreve D. António Francisco Marques. Depois de traçar estas metas, surge o apelo à vivência do Domingo - tema do ano passado - e à presença em cada lar de uma Bíblia, "fonte de oração, unidade e alegria familiar, de dinamismo apostólico de disponibilidade ao projecto de Deus a respeito de cada um dos seus membros".


LISBOA

A linearidade deu lugar à pluralidade e, por isso mesmo, algumas dificuldades de compreensão do mundo actual advêm do pluralismo que caracteriza o nosso tempo, onde as incertezas e as indeterminações assumem novos contornos, afirmou o professor Ruben Cabral no encontro para professores de Educação Moral e Religiosa Católica (EMRC), que teve lugar na Universidade Católica, no passado mês de Outubro. Para este docente universitário o mundo de amanhã poderá ser melhor face à predominância de algumas tendências pluralistas: globalização, nacionalismo e regionalismo, aculturação e assimilação, movimento livre de pessoas, integração, educação bilingue e bicultural, tolerância e interdependência. "Cada desafio é sempre uma oportunidade. E toda a oportunidade é como o écran em branco à espera da palavra acção. Como um écran em branco é também qualquer novo olhar sobre o mundo. O olhar só ganha sentido quando visão e estar requer coragem, convicção e sobretudo vontade".

Este encontro de docentes de EMRC foi também uma oportunidade para o Secretariado Diocesano do Ensino Religioso (SDER) apresentar o Programa de Acção para 1996/97 subordinado ao lema "O Valor da Diferença". De acordo com o programa apresentado haverá uma Acção de Formação Contínua sobre "Identidade e Diálogo: Da minha Cultura às nossas Culturas" (4 a 7 de Março de 1997, na Universidade Católica); Projecto diversificado de acções sobre "Um novo olhar sobre o Mundo" que culminará com o Encontro Interescolas (15 de abril, em Fátima), seguindo-se, em Maio, uma exposição de trabalhos relacionados com esta temática no Centro Comercial Fonte Nova, em Lisboa.

Este encontro marcou o arranque do novo ano escolar e contou com a participação de 250 docentes.


BEJA

O bairro de Nossa Senhora da Conceição, construído, em tempos, pelo bispo D. José do Patrocínio Dias, vai continuar a crescer, depois do acordo firmado entre a Câmara e a Diocese. Foi no passado dia 25 que as duas entidades rubricaram um Protocolo destinado a regular um conjunto de permutas de terreno e obras de urbanização tendo em vista a construção de habitações para famílias mais necessitadas no Bairro de Nossa Senhora da Conceição. O acordo efectuado não teve em vista qualquer tipo de lucro, apenas e só o serviço da comunidade, como foi salientado, na altura, pelo Presidente da Câmara e pelo Bispo da Diocese. Segundo D. Manuel Falcão, os lucros apurados com a venda quase simbólica das casas do bairro e dos dinheiros provenientes do protocolo irão reverter para a criação de uma Fundação destinada a apoiar, através de instituições sócio-caritativas, melhoramentos e apetrechamentos de casas de pessoas ou famílias carenciadas. O acordo assinado compromete a Câmara a proceder às infraestruturas da expansão do bairro. Por sua vez, a Diocese cede, para esse efeito, 34 lotes para moradias unifamiliares e dois lotes para habitação plurifamiliar, com o mesmo valor. Um outro lote destina-se à construção, pela Diocese, de equipamento social, ficando os restantes lotes para venda que reverterão a favor da Fundação.
Pereira Pinto
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Doze mil Vicentinos

"Não é possível dormir com a consciência tranquila, se sabemos que alguém não tem o mínimo indispensável para viver uma vida com dignidade" - afirma a mensagem da Sociedade de S. Vicente de Paulo, a propósito do deu 137.º aniversário, comemorado no dia 27 de Outubro.

Na Igreja de S. Luís, em Lisboa, criou-se a primeira Conferência Vicentina e, logo de seguida, no Funchal e em Braga, para depois se espalhar pelo resto do país a mensagem de Frederico Ozanam, fundador dos Vicentinos.

Actualmente, são cerca de 12 mil, que durante todo o ano, se deslocam com preocupação de levar "com amor o que falta em tantos lares, em tantos hospitais, em tantas prisões". "

Temos de ser os bons samaritanos dos nossos dias" - dizem os vicentinos, que celebraram o seu aniversário na diocese de Portalegre - Castelo Branco.


ARIC reuniu as rádios

"Uma sinergia de esforços para benefícios de Povos e Comunidades Lusófonas em todo o mundo" foi o intuito inicial do VII Encontro Nacional de Rádios, que se realizou em Fátima, nos dias 25 e 26 de Outubro. Foi uma iniciativa da ARIC (Associação de Rádios de Inspiração Cristã), que, durante o fim de semana transacto, organizou mais dois eventos em Fátima: curso de formação, orientado por Artur Merayo, e a Assembleia geral da ARIC.

Em relação ao encontro de rádios, o tema central foi apresentado pela Dr.ª Maria Barroso sobre a "Lusofonia como meio e encontro de culturas", e qualificado pelos participantes como uma "oração sobre a língua e a cultura portuguesa no contacto com os outros povos e culturas"-

Durante este encontro, foi criada também a Associação de Rádios de Inspiração Cristã e Expressão Portuguesa, a VOX, com o intuito de "unir culturas e povos lusófonos em todo o mundo".
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