Retiro de ex-padres
D. Serafim Silva, bispo de Leiria/Fátima,
orientou em Agosto um retiro para ex-padres e suas esposas. Participaram
25 ex-padres com suas esposas, oriundos das dioceses de Évora,
Algarve, Setúbal, Leiria, Braga, Viana do castelo, Bragança,
Vila Real e ainda dos Jesuítas, Redentoristas, Vicentinos,
capuchinhos e da Consolata. A avaliação final foi
muito positiva, «uma bênção de Cristo
sacerdote por Maria», como afirmou um participante, acrescentando
que «a graça de Deus sarou muitas feridas abertas
e fundas», tendo cabido a iniciativa à associação
dos Missionários de Cristo Sacerdote.
De 31 de Outubro a 3 de Novembro haverá
nova oportunidade de retiro, desta vez orientado por D. Jorge
Ortiga, bispo auxiliar de Braga, havendo nesses mesmos dias e
no Centro Paulo VI um encontro destinado aos filhos desses casais.
Informações e inscrições para: P.
Filipe, Igreja de S. Brás, Apartado 54, 7000 Évora
(tel e fax o66/28362.
ACTOS E ACTAS
O erro de Clóvis
Uns e os outros. Depois dos Judeus foram os Gregos.
Depois dos Gregos, os Romanos. Depois os Francos. Não só
estes. Como estes muitos outros. Sírios, Arménios,
Coptas, os Egípcios, os Gauleses, os Britânicos.
Mas o baptismo de Clóvis ilustra o que foram uns e outros,
desde a evangelização dos Suevos entre nós
por S. Martinho de Dume (Braga!) até à evangelização
dos Germânicos pelo bispo Vufila que, por engano (!), introduziu
os povos germânicos na Igreja-de-Ario. E até à
evangelização dos Eslavos por S. Cirilo. Mas a entrada
em massa de povos e nações não foi a repetição
do erro de Israel. Não foi uma entrada em massa. Depois
tornou-se uma entrada em massa, mas a princípio, por princípio,
não foi em massa.
Mais tarde ou mais cedo, a questão política
era inevitável, e a confusão. Quando o Apóstolo
escreve aos Filipenses, não quer dizer que toda a cidade
de Filipos (na Grécia) se tenha convertido, tenha acreditado
no Evangelho (na Boa-Nova!) e tenha entrado para a Igreja (a Vinha!).
Quer unicamente dizer que o Fogo pegou entre os Filipenses. O
erro de Clóvis, e mais tarde o erro de Carlos Magno, repetido
em cadeia pelo Papa-Rei, por Portugueses e Espanhóis, e
que mais tarde comprometeu a evangelização do Japão
e da China (por quanto tempo?), foi a identificação
e a confusão dos frutos da Vinha de Iavé com as
conquistas políticas de reinos e nações,
o mesmo erro que os Judeus cometeram. Oh! não são
os Laicos a irritar-se com estas confusões. Os Laicos (vimo-lo
nestes dias a chatear-se com João Paulo II na visita a
França nas comemorações centenárias
do baptismo de Clóvis) não têm verdadeiras
razões para se irritar. Quem é tão sensível
à sua identidade nacional e às suas raízes
culturais, só por sectarismo é
que recusa a sua herança católica... Quem tem todas
as razões para se incomodar com a confusão dos interesses
franceses e os interesses do Reino dos Céus, é a
Igreja. Quando os missionários franceses no século
passado entraram na Indochina, o Papa escreveu-lhes a exigir que
deixassem a França em casa...
Erros meus, má fortuna... O erro do Papa
(nisto não foi infalível) assim como o erro de
Clóvis, foi pensar, tentar, tornar-se senhor da Vinha.
De porteiro (na sucessão de Pedro) chegar a dono da Casa.
O erro de Constantino, erro de Clóvis e de Carlos Magno:
de simples membros da Igreja (se é que foram!) quiseram
passar a donos da Igreja. Durante muito tempo vindimaram à
vontadinha. Desenganem-se. Quem sofreu (e perdeu) com a união
do Estado e da Igreja, foi a Vinha de Iavé. O Estado não
perdeu, só ganhou. E, quando os Laicos deram um pontapé
na Igreja, foi porque já não podiam ganhar: «Estão
verdes, não prestam!», diz a raposa. «Ide
dizer a essa raposa, mandou Jesus dizer a Herodes, que ele tem
o tempo dele e eu tenho o meu...» Sim, os reis deste
Mundo tiveram o seu tempo. Acabou. Os estranhos caminhos que o
Fogo segue na sua caminhada!...
Então agora vamos seguir caminhos diferentes?
Ora bem. Não há muitos caminhos. Na verdade só
há dois caminhos (Salmo 1): o caminho que leva à
Vida e o caminho que leva à Morte. Há o «véu
de dor que cobre o Universo»... Quando o Senhor
tirar este véu, então chegou a hora da Festa, e
a Vinha encontrará a sua plena justificação,
a vinha do Meu-Amigo! Mas o caminho da Igreja até lá
será sempre complexo... tal e qual uma vinha... sobretudo
uma vinha como esta cujas raízes chegaram a todaa parte,
e cujos ramos cobrem agora o Mundo inteiro. Continuamos sujeitos
a toda a intempérie. Ninguém pense que agora, daqui
em diante, está tudo facilitado. Novos problemas se juntarão
aos antigos.
Cultivar os valores da Esperança, será
sempre um trabalho árduo. Mas, por favor, não voltem
a alienar o vosso lugar nos trabalhos do Reino dos Céus...
Os Padres não aceitam mais profissionalizar-se por amor
dos Leigos, Amor-de-Perdição!...Nem pensem agora,
os Leigos não pensem nisso!, praticar amadorismos. Quem
trabalha na vinha e no vinho, sabe bem o trabalho que dá
e a competência que exige... Nem profissionalismo (o pecado
dos Padres!), nem amadorismo (o pecado dos Leigos!)... Profissão...
de Fé. E o amor da Vinha, o amor da Vida pela Graça
que a salva, a santifica, e a realiza: os resultados da Vinha
de Iavé, os resultados finais da Vida.
Família Carmelita e a Bíblia
«Uma Leitura Orante da Biblía»
foi o tema do encontro da Família Carmelita realizado no
Centro de Estudos da Ordem do Carmo,
em Lisboa, em fins de Agosto. Para apresentar o tema, esteve presente frei Carlos Mesters,
conhecido biblista brasileiro que apresentou a
leitura orante em quatro pontos: Jesus
lê a Biblía; o Povo de Deus lê a Biblía;
o Carmelo lê a
Biblía e, finalmente, a Missão
que nasce da leitura da Palavra de Deus. Patente ficou a
dificuldade de ler a Bíblia na
ausência de uma comunidade concreta. Carlos Mesters
salientou ainda a importância
dos mais desfavorecidos na leitura das escrituras: eles "levam
para dentro da Bíblia os problemas
da vida, lendo-a em função da sua luta e realidade".