Sociedade:

SEMANA A SEMANA


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...INTERNACIONAL


JUGOSLÁVIA - O Conselho de Segurança da ONU levantou as sanções contra a Jugoslávia, em vigor desde 1992, na convicção de que as eleições realizadas na Bósnia foram "livres e justas". As sanções haviam sido impostas pela ONU na convicção de que Jugoslávia apoiava os sérvios bósnios na sua luta contra o governo muçulmano. A actual Jugoslávia é formada pelas Repúblicas da Sérvia e do Montenegro. Entretanto, a cerimónia de abertura do Parlamento bósnio, recentemente eleito, realizada no dia 5 de Outubro, foi boicotada pelos sérvios que não compareceram.


PALESTINA - As negociações entre o primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu e o líder palestiniano Yasser Arafat, realizadas no dia 2, em Washington, não permitiram às duas partes sair do impasse causado pela decisão israelita de manter aberto o túnel arqueológico sob o Monte do Templo, onde se situam duas importantes mesquitas veneradas em todo o mundo islâmico. Apesar da mediação de Bill Clinton, os dois políticos do Médio Oriente adiaram para o passado domingo a possibilidade de chegarem a um qualquer entendimento. O encontro realizou-se em Erez, na fronteira entre Israel e a Faixa de Gaza, embora sem a presença de Netanyahu e Arafat, devendo as negociações incidir, segundo o ponto de vista dos palestinianos, sobre a aplicação do acordo de paz e não sobre uma modificação desse acordo, segundo parece ser vontade do governo israelita.


AFEGANISTÃO - Os países da Ásia Central que são membros da CEI - Comunidade de Estados Independentes - e a Rússia anunciaram a realização de uma cimeira sobre a situação no Afeganistão. A tomada do poder pelos fundmentalistas islâmicos, a si mesmos denominados <<taliban>> - estudantes de teologia - e a imposição da lei islâmica no país, fez sentir à CEI a necessidade de afirmar "uma posição única e tomar medidas adequadas para reforçar as suas fronteiras" ao avanço do fundamentalismo islâmico. As Repúblicas do Tadjiquistão, Uzbequistão e Turquemenistão têm fronteiras com o Afeganistão e temem que a revolução islâmica possa irromper nos seus territórios. O próprio general Lebed, secretário do Conselho de Segurança russo, advertiu os <<taliban>> para não ameaçarem as fronteiras da antiga União Soviética, sendo que na memória colectiva do povo russo estão ainda bem presentes as feridas causadas pela intervenção militar "soviética" no Afeganistão.


KWAIT - Cerca de 107 mil eleitores, todos e apenas só homens, o que representa um quarto da população kwaitiana, foram chamados a eleger, em sufrágio directo, o Parlamento local onde a oposição também tem assento e pode criticar abertamente o governo. Se este facto é sinal de alguma democracia numa região onde tal regime não existe, o facto de as mulheres (que são cerca de 50 por cento da população), os soldados, os polícias, os naturalizadas há menos de 20 anos e os menores de 21 anos estarem impedidos de votar revela a singularidade desta "democracia" da Península arábica. Os lugares disponíveis no Parlamento são apenas 50 e a eles concorreram 240 candidatos.


FRANÇA - Um atentado com explosivos ocorrido no passado sábado, causou graves danos na Câmara Municipal de Bordéus, cujo presidente é o actual primeiro-ministro de França, Alain Juppé. Este atentado faz recear que se estenda ao território continental de França a onda de violência que se tem feito sentir na Córsega, a ilha mediterrânica onde nasceu Napoleão Bonaparte. O atentado não foi reivindicado mas as autoridades excluem a possibilidade de ter sido executado por independentistas bascos que também actuam naquela região francesa.


EUA - A cerca de um mês das eleições presidenciais norte-americanas o actual presidente, Bill Clinton, mantém-se nas sondagens cerca de 15 pontos à frente do candidato republicano, Bob Dole. Esta vantagem deve ter sido ampliada depois do primeiro debate televisivo entre os dois candidatos, ocorrido no dia 6 e transmitido para todo o mundo pela televisão. Segundo as primeiras sondagens, o debate foi vencido por Clinton, embora sem grande vantagem sobre Dole.
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PONTO DE VISTA

Pena de morte

Há mais de cem anos que foi abolida, em Portugal, a pena de morte. É uma supressão que nos honra e que durante muito tempo nos colocou, em termos de riqueza humana, à frente de países tecnicamente mais avançados que o nosso. Em 1975, quando um sopro de loucura arrastou alguns a procurarem o restabelecimento da pena última, o país tremeu de medo e de indignação. A sensatez e o realismo prevaleceram, e continuámos a ser uma nação cujos tribunais não sentenciam que se elimine a vida de quem quer que seja.

Decorridos vinte anos, parece que muitos portugueses pensam, hoje, o contrário, e querem o regresso da pena capital.

Estamos diante de um sintoma grave, que resulta do actual clima de insegurança em que se movimenta o cidadão comum. Neste momento, já não são apenas as ruas das nossas cidades que se tornam infrequentáveis a determinadas horas. Por sua vez, este Verão foi palco de uma cadeia de crimes a que não estávamos acostumados. A somar a isto, há a quase inocuidade de algumas sentenças judiciais que deixam estupefactas as pessoas, e que fazem supor, num ou noutro juiz, que o medo influencie as suas decisões. Como remate de tudo isto, as amnistias que fragilizam a penalização de crimes graves cujos autores a lei escandalosamente bonifica. E, ainda, penetrando as nossas fronteiras, as monstruosidades da pedofilia em alguns países da União Europeia.

Perante este estendal de crimes, há quem deseje o regresso da pena de morte. Diga-se que o degrau anterior foram as brigadas populares. Tudo isto está errado. Do outro lado, porém, algo está a falhar. E, quando a justiça perde força porque a lei é frágil, não falta quem a queira substituir. E isso é perigoso.
Pacheco de Andrade
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