Eclesial:

Uma equipa de três sacerdotes da diocese Leiria-Fátima está a percorrer todas as paróquias da diocese a fim de fazer a inventariação das peças de arte sacra. Depois de concluído este trabalho, os cristãos da diocese poderão saber mais e melhor sobre o património das igrejas e capelas.

"Fortalecer a esperança cristã nas comunidades e formar agentes para a missão" são as metas do programa de acção pastoral para 1996-97. Os objectivos que se pretendem alcançar são o desenvolvimento do sentido missionário na Igreja Diocesana e nas comunidades locais, a formação sistemática dos agentes e a criação ou desenvolvimento de experiências de solidariedade cristã como "sinal do advento do Salvador no tempo actual e para as pessoas do Baixo Alentejo".

O plano pastoral para este ano, pretende, segundo D. António Marcelino, bispo desta diocese, congregar a atenção e o esforço de todos os agentes responsáveis, no sentido de que a diversidade de dons e carismas de cada um seja reconhecida como uma graça necessária para a vivência da unidade e para o exercício diário da caridade, que através da acção pastoral e apostólica, bem como do testemunho pessoal, expressa e faz crescer a comunhão eclesial.

Várias pessoas, na sua maioria bascas, entraram, no dia 6, na igreja dos Anjos, em, Lisboa, com o fim de chamarem a atenção da opinião pública para as condições de tratamento prisional a que, segundo dizem, os seus familiares estão a ser sujeitos em Espanha.

Cerca de dois mil idosos do distrito de Castelo Branco, juntaram-se, há pouco, no Santuário de Nossa Senhora do Almurtão, em Idanha-a-Nova, para conviverem uns com os outros. O Serviço Sub-Regional de Castelo Branco foi o promotor desta iniciativa que contou com a presença de diversas individualidades, nomeadamente o secretário de Estado da Inserção Social, Rui Cunha, e o Bispo da Diocese, D. Augusto Cesár.
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ACTOS E ACTAS

Não é tarde

Os últimos chegaram pela 11.ª Hora, já o Sol declinava, e as primeiras luzes se acendiam nas casas. Cinco horas da tarde? Não, não é tarde. E mais vale tarde do que nunca, sobretudo para quem se encostou por não saber que fazer à Vida, à procura de um lugar na obra do Universo, gente sempre à espera de Alguém. À espera de Godot? Que fazer enquanto Ele não chega? Mas não é tarde. À falta da Esperança, que espera e sabe quem espera, há mais ou menos no coração de toda a gente um pensamento subjacente de que algo está para acontecer e alguém está para chegar.

25.ª Hora. É tarde? Sim, o Relógio na pintura dos surrealistas já rebentou, e cairam-lhe os ponteiros... Mas o senhor da Vinha, que nos chamou para a festa da Vida, tem outras horas, liturgia das Horas! Mistério dos Dias! Chronos, o tempo que bate nas horas, esgotou-se, com grande aflição dos traficantes do Tempo, que sofrem todos de Stress... Mas Kairos tem ainda tempo para oferecer a quem não desesperou, a quem não enlouqueceu sob a pressão do Chapéu Pensante. Kairos é um outro tempo, que não se compra, que não se vende. Mas é já praticamente no Fim?! Sim. Os Primeiros que cedo vieram para a Vinha, e que se fartaram de laborar, deviam ter mais calma, pois tinham obrigação de saber que o senhor desta Vinha é muito diferente dos outros senhores. Tem pensamentos e tem caminhos que não são os pensamentos e os caminhos dos donos das Vinhas-da-Ira onde abundam as uvas azedas e o vinho velho que estraga o gosto e impede as pessoas de saborear o Vinho Novo!... Não tiveram calma quando viram os Últimos a receber em primeiro lugar o mesmo salário, eles que se fartaram de trabalhar e de suar sob o Sol. E julgaram, julgaram mal, que receberiam mais, ou a Lei não é justa? Não perceberam, como os heróicos defensores dos Direitos do Homem também não percebem,que há direitos que os Direitos do Homem não conhecem e que a Lei, lei da Natureza ou natureza da Lei, não abrange: a Lei não chega aos calcanhares da Graça que nos fez passar do regime da Letra ao regime do Amor-que-encarece e que dá muito valor às pequenas coisas que se enchem de Graça, e que até põe Graça onde não havia Graça mas fome e sede dela.

25.ª Hora. A hora-de-todas-as-Crises. O Desemprego aí está, e veio para ficar. a leitura dos sinais-dos-Tempos exige-nos nesta hora uma capacidade de novidade, mais do que até aqui, o que põe à prova os Velhos Cristãos tal como pôs à prova os Judeus, o povo da Lei, gente do Contrato. A abundância e a frescura das Fontes, agora plenamente desbloqueadas domingo a domingo, dia a dia, aí está. Aquela mulher, a prostituta famosa, soube que Jesus estava reclinado com outros convidados (alguns deviam conhecê-la bem de mais!) à mesa do fariseu Simão. A mulher já havia caído em si. Não foi difícil para ela cair aos pés do nosso Mestre, e banhar-lhe (baptismo das lágrimas) os pés com a fonte que lhe brotava dos olhos. Não falo do choque do Fariseu, muito semelhante ao choque dos Contratados. Falo, porque é nela que penso, desta Geração, a nossa, da 25.ª Hora, a hora-de-todas-as-Crises.

Esta geração não é hipócrita. A geração dos nossos pais e avós era um bocado hipócrita. Fazia o que não dizia, e dizia o que não fazia, fingindo o que não era. Mas esta geração não é hipócrita. É desgraçada, mas não é hipócrita. Não distingue a mão direita da mão esquerda, é arrogante e vaidosa, teimosa. Anda perdida, sente-se perdida, mas não se dá por achada. Faz o que diz, diz o que faz, e não finge o que não é. Exactamente como uma prostituta, que levanta a saia, bebe um copo, abana a cabeça, e diz: «Que fiz de mal?» No fundo já caiu em si, esta Geração. Só falta cair aos pés do Mestre. E vai cair. Está prestes a cair, pois sente-se mal, muito mal. Só precisa de saber que Ele está na Cidade.

E o sarilho agora é connosco. Ele está na Cidade. Na casa de quem? Do Fariseu? Está na Igreja! É claro que Ela entrará de qualquer maneira, pois é a Ele que Ela quer. Mas, e depois? «A quem pouco se perdoa pouco ama...» Vamos fazer a figura do Fariseu? Oh! não. Então? Estamos preparados para a avalancha que já está a acontecer, que vai acontecer? Vamos entrar em choque com o senhor da Vinha? Ou vamos dizer uns aos outros: o Vinho Velho é que é bom? Ou será que vamos rebentar por não passar de odres velhos?!...
Leonel Oliveira
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Cristãos como «obreiros de justiça»

«Protecção Social - Papel do Voluntariado» foi o tema da XIV Semana Social de Pastoral Social, realizada em Fátima, de 9 a 12. Este tema deveu-se ao reconhecimento do alto valor civilizacional e cristão da protecção social; e às alterações profundas de condições sociais, como a diminuição drástica da natalidade e o aumento significativo da longevidade.

Os cerca de 500 participantes deram a conhecer as seguintes conclusões:

«1. Rever permanentemente os critérios de actuação das comunidades cristãs e das respectivas instituições de acção social. Três domínios de actividade mereceram especial atenção durante a Semana.

a) - o primeiro respeita ao fomento da partilha geral de bens, incluindo a evangelização do direito de propriedade privada: este, com efeito, não é apanágio de algumas pessoas ou classes sociais, mas destina-se a toda a gente com base no destino universal dos bens;

b) - um outro domínio de actividade justificativo de revisão de critérios, entre os cristãos, centra-se na partilha e cooperação entre as comunidades cristãs e suas instituições;

c) - o terceiro domínio de actividade a ter em conta respeita ao voluntariado social. Importa que a reflexão iniciada na Semana venha a ter sequência futura, particularmente em quatro direcções: a própria concepção, filosofia e espiritualidade do voluntariado; o seu fomento e procura de adesões entre cristãos e não cristãos animados da vontade de servir; a organização do voluntariado; a formação permanente; e a articulação com o trabalho remunerado.

2. Empenhamento dos cristãos, como obreiros de justiça na sociedade, para que situações injustas que brotaram do egoísmo de classes sociais sejam minoradas.

3. Conhecer a profunda mutação em curso na economia e na sociedade, actuar conscientemente nela e contribuir para que a solidariedade não seja afectada pela competitividade.

4. Velar para que as pessoas e famílias em situação de grande carência possam ter acesso ao Rendimento Mínimo Garantido.

5. Promover a educação e formação de crianças e jovens, provenientes de famílias altamente carenciadas, como forma de cortar o círculo vicioso, na transmissão da pobreza e incultura, de pais para filhos.

6. Acentuar que, na base da acção social da Igreja, se deverá encontrar a existência de serviços de animação sócio-pastoral nos planos nacional, diocesano e paroquial. Não se trata de serviços directamente operacionais, embora nele se devam estar representadas as diferentes instituições, obras ou grupos. Os serviços de animação sócio-pastoral deverão dispor de disponibilidade, capacidade e condições para: o conhecimento dos problemas sociais; o conhecimento das respostas existentes e previsíveis; a animação da acção social da Igreja, seu desenvolvimento e coordenação.»
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