A sessão mensal dos Casais de Santa Maria foi aberta, nesse dia, a outros casais e jovens, pois o tema era de interesse geral: «O problema da droga e formas de o encarar». E encheu-se o salão maior do Centro Paroquial para escutar depoimentos de um pai e uma mãe de drogados, bem como de três jovens drogados em fase de recuperação. De seguida, foram apresentadas três questões: "O tabu das famílias dos toxicodependentes em relação à sociedade", "A família e a toxicodependência" e as chamadas "Famílias Anónimas".
Como foi dito, parece razoável que cada família atingida em algum dos seus membros pelo flagelo da droga esconda esse facto perante a sociedade. Essa atitude, entretanto, além de inútil, porque a maior parte das vezes a família é a última a saber, será prejudicial porque nenhuma família poderá resolver o problema sozinha. Tal afirmação pôs em realce a importância da colaboração do meio social na resolução de tão grave problema.
Bem claro ficou, que a família do consumidor da droga é sempre a mais brutalmente atingida, sobretudo quando não pede ajuda e entra em atitude de desespero por se sentir incapaz de encontrar uma solução. E, a propósito, foi apresentada a instituição "Famílias Anónimas", uma espécie de associação particular, ou grupo de famílias e amigos de toxicodependentes que se reúnem todas as semanas para trocar impressões e experiências, e que tem ajudado muitas famílias a lidar com os toxicodependentes.
Os depoimentos de um pai e de uma mãe de drogados, em fase de recuperação, foram profundamente chocantes por revelarem verdadeiros dramas vividos em família, o que, num dos casos, quase levou ao divórcio, tal foi a desorientação vivida e os choques provocados.
Muito impressionantes foram também os testemunhos dos jovens que contaram a sua história nos caminhos da droga e como chegaram a perder totalmente o sentido dos valores humanos e espirituais. De Deus nem queriam ouvir falar porque se haviam revoltado contra Ele por não lhes tirar docemente a vida. Pais e a família também não tinham razão de ser, pois cada um se arvorava em «centro de tudo», resultando em revolta cada amanhecer por verificarem que surgia mais um dia e lhes faltava a coragem de se matarem, pois nada mais esperavam de uma vida que já não tinha qualquer sentido.
"Cheguei ao fundo do poço", confessou uma jovem, tendo acrescentado que, graças ao apoio de uma casa especializada, entrara no caminho da recuperação, ainda que sempre em constante vigilância através da participação nos grupos de "Narcóticos Anónimos". Como bem exprimiu um dos jovens, «cura para esta doença não há» porque continuam em perigo de recaída, ainda que vivam em abstinência total e permanente, mesmo de qualquer bebida alcoólica. Sendo assim, o mais importante será apostar na prevenção, um esforço que responsabiliza as famílias e toda a sociedade.
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