Cultura:

«Uma Escola para o 3º milénio»

Conclusões de umas Jornadas Pedagógicas, com um prólogo e dois apêndices

1. Prólogo. Realizaram-se em Fátima, conforme a programação divulgada neste e em poucos outros órgãos de comunicação, as Jornadas Pedagógicas, promovidas pelo Movimento de Educadores Católicos, subordinadas ao tema: "Uma Escola para o terceiro milénio: problemas e perspectivas de acção e inovação".

A realização destas Jornadas Pedagógicas, na esteira de outras já anteriormente realizadas, teve por intenção corresponder a um dos objectivos do Movimento, a saber: estimular a inserção dos seus membros "nas organizações, estruturas e processos do universo escolar, discernindo os seus valores e limites". Todos concordam que importa analisar e aperfeiçoar o sistema da Educação em Portugal. Mais, porém, importa dinamizar e aperfeiçoar a acção educativa. Pouco importará o sistema sem a acção. O maior erro que vamos alegremenmte cometendo (o sujeito deste "vamos" somos os professores, são os responsáveis ministeriais, são as autarquias e as forças vivas, ou dormentes, ou distraídas, ou equivocadas, das cidades e das zonas rurais) seja o de supor que com algumas normas, oportunas ou importunas, e alguns decretos, sábios ou tidos por sábios, se resolvem os problemas da educação. Porém, os problemas da educação resolvem-se com as pessoas trabalhando quotidianamente no terreno, com os seus entusiasmos e o seu desânimo, com a sua dedicação e suas fruistrações, com o sentido profissional e o de missão que os anima. Em educação não há profissionais competentes que não possuam simultaneamente esse suplemento anímico que se pode chamar dedicação, entrega, ilusão, entusiasmo. Muito para além dos dogmas pedagógicos que enchem as mentes mas não enchem as almas.

A maior tarefa da escola, e a coroa de todas as outras, a sua pedra angular, a que fecha o arco formativo, é a construção da eprsonalidade dos jovens, bem como a educação para a vida em relação criativa e em entendimento interpessoal. Sendo esta a mais importante tarefa da escola, é talvez a que tem sido menos aprofundada e assumida nas teorias educativas. Parece que a sociedade e o poder têm hoje um recalcado receio da formação para os valores e da definição de uma educação para a convivência social, a cidadania e a dimensão ética dos comportamentos humanos.

Cumpre afirmar o elevado nível e a notável qualidade das comunicações apresentadas, bem como a participação dos cerca de 120 educadores e professores presentes.

2. Conclusões.

Os professores presentes nas Jornadas Pedagógicas promovidas pelo Movimento de Educadores Católicos, subordinadas ao tema "Uma Escola para o terceiro milénio: problemas e perspetivas de acção e inovação", realizadas no Centro Pastoral Paulo VI, em Fátima, nos dias 17 e 18 de Abril de 1997,

1. Reflectiram, com a ajuda de especialistas convidados, sobre os temas seguintes: a) "Repensar a escola básica: a educação básica e a aprendizagem ao longo da vida", por Joaquim Azevedo; b) "A função educativa da educação infantil e a sua articulação com o 1º ciclo do ensino básico", por Teresa Vasconcelos; c) "A articulação horizontal e vertical dos currículose programas nos ensinos básico e secundário", por Fernando Diogo; d) "Um perfil profissional do Professor", por Nicolau Raposo; e) "Uma ética para a acção educativa", por Ruben Cabral.

2. Escutaram as palavras de D. António Marcelino, Presidente da Comissão Episcopal do Apostolado dos Leigos, que situou esta reflexão na perspectiva da passagem ao terceiro milénio, com as inerentes transformações culturais, em que se afirmam as componentes pluralista, universalista, massificada, mediática e de império das tecnologias, para as quais o educador tem por missão encontrar respostas oportunas e dinamizadoras.

3. Entre as ideias-força mais salientes das reflexões e propostas apresentadas, cumpre salientar:

3.1. A passagem do referente essencial da educação da economia para a pessoa humana: a confluência de múltiplos dados históricos exige uma reformulação essencial das perpectivas educativas, já apresentada e proposta pelos organismos internacionais, no sentido da centralidade da pessoa;

3.2. A escola deve tornar-se no espaço de estruturação e hierarquização dos saberes, superando e ordenando o carácter imediato e acrítico do caudal informativo, conduzindo o jovem a reflectir, fundamentar, analisar, argumentar, adquirir sentido crítico.

3.3. A importância de investir tanto na formação científica como na ética e moral, por forma a conduzir a uma educação para os valores;

3.4. A necessidadede uma reflexão participada, da criação de teias de integração, em que participem as comunidades educativas, as famílias, os professores, e os organismos do Estado, na procura de uma nova dinâmica da qualidade e de resposta aos problemas

reais;

3.5. A necessidade de definir saberes fundamentais, estrturadores de currículos adequadamente articulados horizontal e verticalmente, por forma a libertar tempo aos jovens para reflexão e trabalho pessoal.

3.6. A necessidade de encontrar grandes consensos nacionais sobre os valores essenciais a inserir na educação e na escola.

4. Um perfil profissional do professor para o ano 2000 deverá ter em conta os seguintes elementos:

- competência científica nas matérias gerais da educação e específica nas ciências que ensina e na sua pedagogia;

- competência de manipulação das tecnologias, como instrumentos de trabalho;

- abertura à alteridade, à compreensão e ao diálogo;

- respeito pelo educando, despertando nele valores, dinamizando qualidades, provocando o sentido da afectividade, da solidariedade e da intercomunicação;

- não sendo a remuneração o essencial, deve promover-se a valorizaçãoo social da profissão docente, para que esta se possa tornar valiosa e valorizadora, como instrumento insubstituível de transformação social.

5. O professor-educador, sensível às realidades sociais e culturais, tem de ser, em equipa com outros com idêntico ideal, um criativo e um inovador de projectos novos, para construir uma escola capacitada para formar pessoas livres, inconformadas, desejosas de actualização permanente, reflexivas e críticas, solidárias e ecuménicas, dialogantes e capazes de participação e protagonismo num mundo sujeito e contínuas mudanças culturais.

6. A educação deve tornar-se uma busca de liberdade, não só a de cada indivíduo, mas a de todos em relação: uma educação transformadora, que assuma os valores essenciais, e não apenas os operacioanis. Não há educação neutra: toda a dinâmica da acção educativa deve consistir em dar resposta à pessoas humana, aos valores da relação fraterna, aos anseios bíblicos e evangélicos da liberadde, da justiça e da paz.
Fátima. 18.4.97.
3. Dois apêndices. a) Tida conta da importância para valorização pessoal e profissional dos docentes, faz-se um apelo ao Ministério da Educação, e particularmente à Secretaria de Estado da Educação e Inovação, no sentido de que este tipo de acções formativas, de denso e forte conteúdo pedagógico e formativo, possam e devam ser contabilizadas, por métodos adequados de comprovação oportuna, como crédito para os esquemas da formação contínua.

b) Apela-se à comunicação social para que adquira maior sensibilidade à divulgação, acompanhamento e valorização pública deste tipo de iniciativas, de indiscutível relevância social.
(Resumo: C. F.)
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A relevância dos direitos humanos

Com a Presença do Presidente da República, e com a organização e dinamização das Associações April, Civitas, Forum Justiça e Liberdade e Amnistia Internacional, realizou-se no passado sábado, na Fundação Engº António de Almeida, uma Mesa Redonda sobre Os Direitos Humanos em Portugal.

Da importância da defesa e afirmação dos direitos humanos nas sociedades modernas ninguém hoje duvida. Mas há muitos aspectos em que os direitos das pessoas ainda não são suficientemente garantidos. Foi salientada a pluralidade desses direitos: não apenas os cívicos e políticos, mas também os económicos, os culturais, os da informação , e os direitos sociais, em que se inscrevem inquietações tais como o ambiente, o equilíbrio da natureza, a habitação, a saúde, a exclusão social. Aos direitos há que contrapor, em plano paralelo, os deveres: não há direitos sem deveres. Importa que a sociedade, e sobretudo os cidadãos mais conscientes, defendam uns e promovam outros. Este encontro constituiu assim uma oportunidade para uma reflexão sobre estas múltiplas confluências. Salientou-se a nacessidade de a escola sensibilizar desde cedo crianças e jovens para os direitos humanos, para se evitar as novas sujeições do homem moderno: ao lucro, ao império da riqueza, às ambições do poder, às opressões da publicidade, à tecnocracia irracional, à tirania das televisões e da propaganda, e por aí adiante. Assim transparecem os campos cada vez mais vastos e complexos em que devem afirmar-se e aprofundar-se os direitos humanos.

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Dialogar com a morte

O problema da morte, num mundo que aprecia sobremaneira - e com razão - a vida, é cada vez menos um tabu. Sabendo todos que, para utilizar uma expressão cansada de tanto uso, "a morte é certa", podemos perguntar com François Mitterrand "como morrer?"

O mais fácil, numa primeira e fútil tentativa de evitar a resposta, é ignorar a realidade e virar-lhe as costas. Mas pressentimos que, à semelhança de algumas civilizações passadas, talvez a melhor solução seja encarar a morte de frente.

Nesta perspectiva, como nas páginas da "Voz Portucalense" escreveu Gonçalves Moreira, têm sido publicados alguns trabalhos nos quais psicólogos e médicos falam da sua experiência junto de doentes terminais e de pessoas que viveram longos períodos de "morte aparente".

Rfeerimo-nos, hoje, ao livro de Marie de Hennezel, Diálogo com a Morte, em que a autora, psicóloga de profissão, defende que "a sociedade ocidental precisa de rever as suas atitudes perante a morte, abandonando o medo e aceitando-a como uma fase do processo da vida".

A partir de experiências que viveu à cabeceira de doentes terminais, Marie de Hennezel dá-nos "uma lição de vida", um livro de que "emana uma luz" que é "mais intensa que muitos tratados de sabedoria", ainda nas palavras de F. Mitterrand.

Afinal, de acordo com o antigo Presidente da República francesa, uma pessoa que viveu longos meses de "diálogo com a morte", o "mais belo ensinamento deste livro" é este: "a morte pode fazer que uma pessoa se torne naquilo para que foi chamada a ser; ela é, talvez, no pleno sentido da palavra, uma realização".

(Marie de Hennezel, Diálogo com a morte. Trad. José Carlos Gonzalez. Editorial Notícias, Lisboa, 1997. À venda na Livraria Telos Editora, R. Stª Catarina, 521, Porto)


Dizer Deus com modéstia

Qualquer livro com a assinatura de González-Carvajal é credor de uma demorada atenção e de cuidada leitura. Pena que nem sempre as suas obras nos sejam oferecidas em português, embora se admita que o castelhano não é entrave a uma leitura que se faz com verdadeiro prazer espiritual.

Desta vez, este sacerdote madrileno conduz-nos a uma tema de flagrante interesse - quando dizemos "Deus", o que dizemos de facto? Longe do mandamento que orienta cada crente na santificação do nome de Deus, esta palavra tem sido mutilada e utilizada nos mais diversíssimos sentidos por homens que por ela mataram e se deixaram matar...

Importa, diz González-Carvajal, limpar a palavra Deus, devolver-lhe a sua integridade original. Será possível? O que podemos fazer, defende o Autor, é, sabendo-a uma palavra "profanada e mutilada", levantá-la do pó, retirar-lhe um pouco do lixo que os séculos sobre ela depositaram.

Para isso, os crentes devem adoptar uma nova práxis, fazendo associar a palavra Deus a experiências positivas e libertadoras.

O padre Carvajal é, como se sabe, talvez o mais lido autor de temas religiosos de língua castelhana. Isto porque consegue, como refere ser seu propósito, "explicar a teologia da forma mais simples possível, sem perder por isso profundidade, àqueles que com ela não estão familiarizados". Um propósito totalmente conseguido, neste caso, falando, "com modéstia", de Deus que "também é mãe." (Luis Gonzalez-Carvajal Santabárbara, Noticias de Dios! Ed. Sal Terrae, Santander, 1997. À venda na Livraria Telos Editora, R. Stª Catarina, 521, Porto)


O Ano Santo

«O Ano Santo na História da Igreja» é uma breve publicação do P. José da Costa Saraiva, com prefácio de D. Eurico Nogueira em que lembra um trabalho realizado em Coimbra em 1949 quando no CADC se preparava o Ano Santo da Redenção proclamado por Pio XII.

Nessa ocasião, ao P. Saraiva coube fazer uma conferência sobre «O Ano Santo na História da Igreja», o texto que em 2ª edição, revista e actualizada, agora aparece. Tem de tem 32 páginas e pode ajudar a conhecer melhor a história dos anos santos.
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