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De 7 a 13 de Fevereiro
TELEVISÃO - «A Palavra/Ordet», drama clássico a preto-e-branco, de Carl Theodore Dreyer (Dinamarca, 1954), com Henrik Malberg e Emil-Hass Christensen, é o grande destaque da semana em «O Filme da Minha Vida» (RTP 2, sábado, dia 8). Baseado na peça teatral de Kaj Munk, escrita em 1932, trata-se de uma parábola mística sobre a morte e a ressurreição. Uma obra de mestre a não perder!
Quando faleceu, em 20 de Março de 1968, disse-se que com ele morria o cinema. A frase, irreal, metafórica, contém uma verdade. Algo do cinema morre com alguns homens, e um deles foi este protagonista dinamarquês da história da cinematografia europeia. Mas, morto o autor, a sua obra renova-se. Reconhecido como o maior cineasta da Dinamarca e criador de inúmeras obras-primas, a carreira do realizador e escritor Carl Theodore Dreyer, nascido em Copenhaga em 3 de Fevereiro de 1889, foi sempre uma luta marcada por longos períodos de inactividade quando não conseguia financiamento para os seus projectos. Os seus filmes, mesmo o aclamado «A Paixão de Joana d'Arc» (1928), e a história sobre a caça às bruxas de «Dia de Cólera» (1943), filmados durante a ocupação nazi, foram fracassos financeiros. Isso, combinado com a sua obsessiva atenção aos detalhes, afugentava os produtores. Muitos dos seus trabalhos exploravam áreas sombrias e dolorosas da alma humana, embora ele também fosse capaz de lidar com o humor. como em «The Parson's Widow» (1920). O governo dinamarquês reconheceu o seu talento em 1952, ao dar-lhe a administração do melhor cinema de Copenhaga, o que lhe garantiu segurança financeira. Ainda antes de morrer deixou-nos duas obras-primas: «A Palavra» (1954) e «Gertrud» (1964).
Outros filmes esta semana: «O
Senhor das Moscas», drama, de Harry Hook (1990), com
Balthasar Getty e Chris Furrh: baseado na obra homónimo
de William Golding, fala de poder e segregação na
óptica da juventude (TVI, dia 7); «Cantinflas,
o Evadido», comédia, de Miguel M. Delgado (1946),
com Mario Moreno Reyes protagonizando o popular Cantinflas
(TVI, 8); e, «A Vizinha do Lado», comédia
de costumes, de António Lopes Ribeiro (1945), com António
Silva e António Vilar (RTP 2, domingo, 9).
Polémica biografia do independentista irlandês, «Michael Collins» tem tudo para agradar. O realizador Neil Jordan regressou à sua Irlanda natal para rodar o seu projecto mais querido: a história do revolucionário que assinou o Tratado que deu a independência à Irlanda, fim e princípio do conflito armado que ainda hoje acontece naquela ilha. Liam Neeson (de «A Lista de Schindler»), Aidan Quinn, Stephen Rea e Julia Roberts encabeçam o elenco deste filme que ganhou o Leão de Ouro no passado Festival de Veneza. Já há doze anos que o realizador programava passar para o cinema a história do seu compatriota, segundo argumento escrito por ele próprio, mas os seus filmes anteriores não tinham ainda obtido o sucesso desejado. Só depois do êxito de «Entrevista com o Vampiro», é que este projecto se tornou realidade. E preferiu fazê-lo nos locais históricos do que nos Estados Unidos, por uma questão de orçamento: ficou cerca de 70 milhões de dólares mais barato. Embora o argumento aponte o dedo aos ingleses, o teor do filme não agride muito, sendo aceite sem grandes reservas; ainda assim beneficiou bastante das tensões políticas na sua estreia. «Michael Collins» é o «Braveheart» deste ano, numa versão de calças. As excelentes críticas que tem recebido convertem-no num claro favorito para os Oscars.
Mas quem foi esse Michael Collins?
Quando o mataram era muito novo, só tinha 31 anos e fora muito maltratado no seu tempo. A 50 anos da sua morte, tudo poderia ter sido diferente. Não haveria conflitos entre as duas Irlandas e as bombas não teriam explodido em Londres. Está claro que para o realizador ele foi uma figura-chave no seu país: um libertador com rasgos heróicos, mas, sem dúvida nem todos falam bem dele e acusam-no de terrorista. Nascido em 1890, até aos 26 anos foi um homem normal, tendo-se instruído e trabalhado em Londres, mas a partir de 1916 decidiu passar à acção, agindo no movimento independentista irlandês, tendo criado a Irmandade Republicana Irlandesa, que mais tarde derivou para o IRA-Exército Republicano de Libertação. Foi o pior pesadelo do Império Britânico, desenvolvendo técnicas de guerrilha mais tarde copiadas por movimentos de independência em todo o mundo, de Mao-Tse-Tung na China a Ytzak Shamir em Israel... O IRA dos nossos dias é uma organização completamente diferente. Collins nunca defenderia o terrorismo como é praticado presentemente. Ele era um soldado e um estadista e, mais tarde, um homem de paz. Foi morto em Agosto de 1922, três meses antes do seu casamento, durante uma emboscada que lhe estenderam alguns, até então, aliados políticos, entre os quais o seu mentor, Eamon de Valera, que foi o Presidente da República Irlandesa entre 1959 e 1973. O próprio Valera declarou: "(...) a história recordará a grandeza de Michael Collins e será recordada à minha custa".
Um filme a não perder, uma daquelas obras de grande intensidade dramática que não pode ser ignorada. Distribuido por Columbia-Tristar-Warner Filmes de Portugal.
| Vasco Martins |
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