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A 17ª edição do FANTASPORTO-Festival Internacional de Cinema do Porto supõe uma continuidade com o estilo imposto nos últimos anos. O bom terror e a ficção científica continuam a ter lugar privilegiado neste certame, acotovelando-se sem fricções com filmes não fantásticos que aspiram a oferecer uma panorâmica sobre a produção independente americana e internacional. Entre 7 e 16 de Fevereiro, vamos poder ver qualquer coisa como 230 películas de todos os génerosm tamanhos e feitios. Este ano, o festival começa de véspera (quinta, 6) com uma abertura histórica, no Teatro Nacional de S. João, onde terá lugar, às 21,45 horas, a Gala de Abertura Oficial do FANTASPORTO 97, uma noite de cinema e música com a Orquestra Clássica do Porto a interpretar temas de famosas bandas sonoras, sob a direcção do Maestro Manuel Ivo Cruz.
Oficialmente, o XVII FANTASPORTO tem o seu início na noite do dia 7 (sexta-feira), no Auditório Nacional de Carlos Alberto (ANCA), com a Abertura Oficial marcada para as 21,15 horas e em que será exibido o filme «The Relic», de Peter Hyams (EUA, 1997), em anteestreia europeia (a estreia americana foi no dia 13 de Janeiro), produzido pela Polygram Filmed Entertainment, em associação com a Toho-Towa (Japão), Tele München (Alemanha), BBC (Reino Unido) e Paramount Pictures (EUA), com a bela Penelope Ann Miller a roubar a cena à Tenente Ripley, e ainda com Tom Sizemore, Linda Hunt e James Whitmore. Trata-se de um filme misto de terror e acção policial, com lugares comuns próprios dos filmes do tipo «Aliens» e «Die Hard», ambientado nos sombrios corredores de um museu onde decorre uma exposição com o sugestivo título de "Superstições". A Ecofilmes, de S. João da Madeira, já reservou para si os direitos deste filme, para cinema e para vídeo, pelo que brevemente estará no circuito comercial.
Para o programa deste ano, a equipa promotora do certame, liderada pela tripla de sucesso Mário Dorminsky, Beatriz Pacheco Pereira e António Reis, seus fundadores, esmerou-se para nos proporcionar o melhor programa, que poderemos acompanhar em oito salas diferentes: além do ANCA, a programação reparte-se pelos ecrãs do Cinema do Terço, do Instituto Francês e de cinco dos modernos AMC Arrábida 20, do Arrábida Shopping, de Vila Nova de Gaia.
Na Secção Oficial Cinema Fantástico, filmes de diversas proveniências lutarão por um lugar ao sol no rol de prémios deste festival. Os principais destaques, entre cerca de 200 películas, vão para os filmes «Bound», um thriller dos irmãos Larry & Andy Waschowski (EUA), uma tórrida história de amor entre duas mulheres, carregada de humor negro, com a Mafia como pano de fundo; «The Dentist», de Brian Yuzna (EUA), um exemplar de puro "gore" (terror sanguinolento), mas também cheio de humor, especialmente dedicado aos que têm medo de ir ao dentista, já que este não foge à regra: é sádico e vingativo; «Hellraiser IV: Bloodline», de Alan Smithee (EUA), na linha dos anteriores, esta quarta versão volta a abordar as atrocidades dos cenobitas, cada vez mais fortes; «Little Witches», de Peter Weiss (Canadá), também em ante-estreia europeia, uma espécie de continuação de «O Feitiço/The Craft», já estreado entre nós, e conta-nos como seis jovens estudantes de um colégio decidem criar um clube demoníco. Este ano haverá uma acentuada presença dos autores da vizinha Espanha, representada por «Fotos», de Elio Quiroga, uma mistura de melodrama, com comédia sentimental e drama psicológico, sobre marginalidades e paixões violentas; «The Killer Tongue», de Alberto Sciamma, uma alucinante viagem por universos de ficção científica; «Solo Se Muere Dos Veces», de Esteban Ibarretxe, filme de qualidade de teor fantástico, vencedor do Prémio "Méliès d'Argent" no Festival de Sitges do ano passado, uma viagem satírica e hilariante aos nossos medos e desejos; «Los Corsários del Chip», de Rafael Alcazar, um conto policial sobre os famosos piratas informáticos, os "hackers", muito parecido com o filme «Quiz Show»; e, «The Day of the Beast», de Alex de la Iglesia, já um sucesso garantido, pois conquistou o Prémio "Méliès d'Argent" no último Festival de Cinema Fantástico de Bruxelas, e em Dezembro passado o Prémio "Méliès d'Or": o filme apresenta-nos uma versão mais terrífica do "Apocalipse segundo. S. João".
Os ultra-modernos AMC Arrábida 20 recebem, este ano, uma programação inédita. Além da Semana dos Novos Realizadores, da Animação Japonesa (Manga/Fantásia) e do Cinema Fantástico, os populares e irreverentes comediantes britânicos, "Monty Python", celebrizados na televisão portuguesa como "os malucos do circo", serão alvo duma significativa homenagem, com uma alargada retrospectiva da sua obra. Quem nunca viu a piada satírica e demolidora (muito british) do grupo composto por John Cleese, Eric Idle, Michael Palin, Terry Jones, Terry Gilliam e Graham Chapman, faz favor de ver! Quem já viu, reveja «O Sentido da Vida», «A Vida de Brian», «Erik, O Viking», ambos de Terry Jones, «Em Busca do Santo Graal», de Terry Hughes, «Um Peixe Chamado Wanda», de Charles Crichton, «Time Bandits», de Terry Gilliam, entre muitos outros.
Os Jovens Realizadores também têm o seu espaço reservado e um Júri especial que vai nomear o melhor. Uma das apostas mais promissoras é o português «O Homem do Combóio», realizado por Ricardo Rezende e Elsa Bruxelas, com argumento desta última construido em estilo hitchcockiano. Cerca de catorze curtas-metragens disputarão um prémio específico. Este ano apenas serão visíveis no ANCA, já que no Instituto Francês serão apresentados monumentos da história do cinema alemão, filmes mudos (como «O Golem», de Paul Weneger), do período "expressionista" (de Murnau, Lang, etc.), até ao "novo cinema" (Fassbinder, Wenders,Schlondorff, etc.), e até mesmo do período nazista (com obras de Leni Riefenstahl, realizadora favorita de Hitler). "A Festa do Cinema", com o terror urbano, cibernético, o thriller, a mafia, as artes-marciais, os videojogos e outros temas, passará no Cinema do Terço, que agora dispõe de renovada cabine de projecção, com máquinas mais modernas e som Dolby Digital Stereo. Aí serão mostrados os sucessos cinematográficos que fizeram carreira nos nossos cinema durante o ano passado, tal como «Crash», de David Cronenberg, um dos seus mais polémicos trabalhos. Como sempre, o evento tem o Alto Patrocínio institucional do Ministério da Cultura/IPACA e do seu principal sponser (já há 9 anos), a UNICER/Super Bock. Ainda tem o apoio da Câmara Municipal do Porto, cada vez mais reduzido, do ICEP, do Cartão Jovem e do Governo Civil do Porto,
Por isso, vá ao FANTASPORTO, onde poderá assistir a muitos trabalhos inéditos e em anteestreia, embora a maior parte deles nunca chegue ao circuito comercial português, nem sequer ao vídeo. Mário Dorminsky, Beatriz Pacheco Pereira, António Reis e toda a equipa da «Cinema Novo» trabalham um ano inteiro e mais algum tempo para garantirem cada ano um festival à altura das exigências sequiosas do público, sempre a querer mais e melhor.
| Vasco Martins |
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