Cultura:

Bioética Mediterrânica

Para que a vida tenha futuro

Qual o contributo das culturas mediterrânicas para que a vida tenha futuro sobre a terra? Foi esta interrogação que reuniu gente de várias especialidades académicas no Quinto Meeting Mediterrâneo de Bioética, que teve lugar de 19 a 23 de Setembro pp. em Acireale (Itália). Os participantes provinham da Turquia, Egipto, Malta, Israel, Portugal, França, Espanha e Itália. Nas sessões dos anos anteriores, o encontro versou já temas como a qualidade da vida, a santidade da vida, o significado da morte, as raizes mediterrânicas da bioética.

A particularidade destas reuniões científicas provém da diversidade de pontos de vista expostos pelos participantes, uma vez que pertencem a culturas, religiões, especialidades completamente diferentes. De facto, juntam-se à mesma mesa católicos, ortodoxos, muçulmanos, ateus, de áreas científicas tão diversas como a medicina, a sociologia, o direito, a filosofia e a teologia. Ora um debate, em boa harmonia, sobre os temas como a vida, a morte, o futuro do mundo integrado por uma tal riqueza e variedade de pontos de vista não pode deixar de ser muito interessante. Num contexto qual é o nosso em que vida do planeta se encontra sob ameaça ecológica, em que o avanço da técnica manipuladora da vida causa apreensões, em que a paz é posta em causa pelo terrorismo e nacionalismo, este encontro de povos e religiões não pode deixar de ser saudado como semente de futuro.

Anfitrião destes encontros mediterrânicos é o Instituto Siciliano de Bioética e o seu dinâmico fundador e presidente, o Prof. Salvatore Privitera. De há uns anos a esta parte, ali se incrementa uma reflexão bioética que tenha em conta a rica tradição cultural mediterrânica, em ordem a que esta ganhe um lugar de justa visibilidade, num palco em que a cultura centro europeia bem como anglo-americana têm um lugar de ribalta. Recuperar a tradição aristotélico-tomista, com os elementos do Islão e os outros como a cultura hebraica, é um programa que só pode enriquecer a reflexão da bioética actual. Aspectos como a filosofia e teologia da virtude, como uma cultura da confiança e da proximidade humana, a ligação entre filosofia e teologia, em muito podem acrescer uma bioética do rígido dever e do princípio moral, da autonomia que são próprios da tradição anglossaxónico.

O nosso país tem-se feito representar por um professor da Faculdade de Teologia do Porto. Mesmo não sendo nós um país estrictamente mediterrânico, temos uma grande afinidade com esse espaço cultural, tanto pelo passado em que fomos visitados por fenícios, gregos e romanos como no presente, pela ligação que temos aos povos do sul da Europa. Acrescente-se que a Faculdade de Teologia criou recentemente no Núcleo do Porto da UCP um instituto de estudos de bioética, o GIB, que pretende desenvolver uma ligação com instituições afins, a exemplo do que já acontece precisamente com o Instituto Siciliano de Bioética.
Início


Primeira Página Página Seguinte