| Cultura: |
A particularidade destas reuniões científicas provém
da diversidade de pontos de vista expostos pelos participantes,
uma vez que pertencem a culturas, religiões, especialidades
completamente diferentes. De facto, juntam-se à mesma mesa
católicos, ortodoxos, muçulmanos, ateus, de áreas
científicas tão diversas como a medicina, a sociologia,
o direito, a filosofia e a teologia. Ora um debate, em boa harmonia,
sobre os temas como a vida, a morte, o futuro do mundo integrado
por uma tal riqueza e variedade de pontos de vista não
pode deixar de ser muito interessante. Num contexto qual é
o nosso em que vida do planeta se encontra sob ameaça ecológica,
em que o avanço da técnica manipuladora da vida
causa apreensões, em que a paz é posta em causa
pelo terrorismo e nacionalismo, este encontro de povos e religiões
não pode deixar de ser saudado como semente de futuro.
Anfitrião destes encontros mediterrânicos é
o Instituto Siciliano de Bioética e o seu dinâmico
fundador e presidente, o Prof. Salvatore Privitera. De há
uns anos a esta parte, ali se incrementa uma reflexão bioética
que tenha em conta a rica tradição cultural mediterrânica,
em ordem a que esta ganhe um lugar de justa visibilidade, num
palco em que a cultura centro europeia bem como anglo-americana
têm um lugar de ribalta. Recuperar a tradição
aristotélico-tomista, com os elementos do Islão
e os outros como a cultura hebraica, é um programa que
só pode enriquecer a reflexão da bioética
actual. Aspectos como a filosofia e teologia da virtude, como
uma cultura da confiança e da proximidade humana, a ligação
entre filosofia e teologia, em muito podem acrescer uma bioética
do rígido dever e do princípio moral, da autonomia
que são próprios da tradição anglossaxónico.
O nosso país tem-se feito representar por um professor da Faculdade de Teologia do Porto. Mesmo não sendo nós um país estrictamente mediterrânico, temos uma grande afinidade com esse espaço cultural, tanto pelo passado em que fomos visitados por fenícios, gregos e romanos como no presente, pela ligação que temos aos povos do sul da Europa. Acrescente-se que a Faculdade de Teologia criou recentemente no Núcleo do Porto da UCP um instituto de estudos de bioética, o GIB, que pretende desenvolver uma ligação com instituições afins, a exemplo do que já acontece precisamente com o Instituto Siciliano de Bioética.
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