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De 27 de Setembro a 3 de Outubro
TELEVISÃO - Findo o verão, chega o inverno, frio e chuvoso (espera-se não tão violento como o último), tempo que convida a ficar mais em casa, especialmente à noite. Ler bons livros ou ver bons filmes são oportunidades únicas para qualquer dia nesta época.
O principal destaque desta semana incide sobre um dos últimos trabalhos de Clint Eastwood como actor e como realizador. Refiro-me a um western de 1992, vencedor de três dos mais importantes Oscars desse ano. A 65ª Edição dos Oscars da Academia de Hollywood consagrou «Unforgiven» (título original), como o Melhor Filme do ano. Nomeado para nove estatuetas, arrecadou apenas quatro: quando Joel Cox, autor da montagem, e o veterano Gene Hackman, actor secundário, receberam os respectivos Oscars, tudo pareceu ficar mais claro quanto ao vencedor dessa noite. E aconteceu o que se aguardava com grande expectativa: Clint Eastwood subiu ao palco do Dorothy Chandler Pavillion, por duas vezes consecutivas, primeiro para receber o galardão de Melhor Realizador (prémio que lhe foi entregue por uma mulher-realizadora, a cantora-actriz Barbra Streisand), depois, para receber o prémio de Melhor Filme, entregue pelo actor Jack Nicholson. Eastwood, também produtor do filme, nunca tinha sido nomeado, ainda que, e por isso é curioso, esteja na indústria cinematográfica há mais de 40 anos. Foi a consagração de uma extensa e movimentada carreira. Clint Eastwood conquistou o maior dos galardões a que pode aspirar qualquer profissional do Sétima Arte. Ele começou a sua carreira, não de uma forma irregular, como dizem alguns, mas foi calcorreando todos os degraus da indústria. Começou por pequenos papéis em filmes relativamente anónimos, como a série «Rawhide». Desloca-se para Itália, onde se torna o símbolo do "western-spaghetti", sobretudo em filmes do realizador Sergio Leone, que ele pretende homenagear em «Imperdoável». De regresso aos EUA, trabalha com Donald Siegel na série «Dirty Harry». Foi este director que o formou e ajudou a converter-se em realizador. Estreou-se em 1971, com «Play Misty for Me», sobre um famoso "disc-jockey" que é perseguido por uma ouvinte obsessiva, que lhe arrasa a vida amorosa e tenta matá-lo por não poder tê-lo só para si. A partir daí, Clint desenvolve uma carreira sempre ascensional, e que culmina na noite de glória para «Imperdoável». Os seus sucessos anteriores foram «Firefox» e «Honkytonk Man» (ambos de 1982), «Sudden Impact» (1983), «O Justiceiro Solitário» (1985) e «Bird» (1988). Com «Imperdoável», Clint Eastwood regressa ao velho Oeste, é um regresso aos temas dos grandes espaços, dos homens sós, e, mesmo assim, dos homens que mantêm uma certa solidariedade, que mantêm um código de honra. Este sombrio e duro western, mostra-nos o percurso de William Munny, um assassino reformado que, por força das circustâncias, é obrigado a voltar à sua antiga profissão. É um filme descarnado, mas é um marco de regresso à grande força clássica do cinema americano. Daí ter merecido aqueles prémios, ainda que a Academia não costume acarinhar obras deste tipo, aliás, não gosta de proclamar westerns como poduto típico da sua indústria. Estamos perante uma obra desigual, um western duro e brutal, mas, apesar disso, o tom clássico da sua história convenceu, de facto, a Academia. Foi a reabilitação do western, um género que se encontrava em declínio nos últimos anos. Para ver na RTP 1, segunda-feira, dia 30.
Mas ainda podemos ver: «O Mistério
de um Rapto», policial, de Bryan Forbes (1985), com Roger
Moore e Rod Steiger: baseado num best-seller de Sidney
Sheldon, o argumento gira em torno de um psiquiatra que a polícia
suspeita ter assassinado um dos seus pacientes (SIC, 28);
«Sozinho em Casa II: Perdido em Nova Iorque»,
comédia, de John Hughes (1992), com Macaulay Culkin, Joe
Pesci e Daniel Stern: este ano, a família McCallister decidiu
passar o Natal na cidade de Miami, na Florida. Mas volta a acontecer
que o pequeno Kevin se tresmalha da família, viajando para
Nova Iorque, para onde se dirigem os mesmos ladrões molhados
(TVI, 29); «Azul», drama, de Krzysztof
Kieslowski (1993), com Juliette Binoche: o primeiro de três
filmes da célebre trilogia baseada na máxima "liberdade-igualdade-fraternidade",
na revolução e nas três cores da bandeira
francesa, a que se seguirão «Branco» e
«Vermelho», em destaque na rubrica dominical
de Lauro António (TVI, 29).
«Missão Impossível»,
a famosa série televisiva dos anos 60 e 70, marcou um mito
e permaneceu na memória de todos para além do seu
primeiro episódio. Contava no seu elenco com o agora mais
reconhecido Martin Landau (Oscar por «Ed Wood»).
E como não poderia deixar de ser, eis que a série
é transposta para o grande ecrã, convertida numa
luxuosa longa-metragem de efeitos digitais e especiais, por iniciativa,
e para maior glória do actor principal, de Tom Cruise (pela
primeira vez como seu próprio produtor). Para a direcção
foi escolhido o brilhantes Brian De Palma (que há alguns
anos também converteu num filme de sucesso cinematográfico
uma também famosa série de TV, «Os Intocáveis»)
e não se pouparam meios para conseguir um espectáculo
que salta à vista (filmagens em Praga e Londres, fotografadas
com lúgubre beleza por Stephen H. Burum). Nada se perde
neste macro-espectáculo cujo argumento bebeu de muitas
fontes, além do seu antecessor televisivo: o obrigatório
Hitchcock e o seu «Intriga Internacional» assim
como a saga de James Bond. Nada como o eclético
Brian De Palma para amalgamar tudo isso num discurso trepidante.
A história é o menos (difícil de seguir,
mas que parece não importar) e o que realmente conta são
a meia dúzia de cenas de suspense que foram planificadas
e montadas na melhor tradição da fábrica
de sonhos de Hollywood. Destaque, ainda, para a banda sonora assinada
pela dupla Larry Mullen & Adam Clayton (dos U2), que
homenageiam a inesquecível composição de
Lalo Schifrim, música que para sempre perdurará
na nossa memória. Além de Tom Cruise, figuram ainda
no elenco nomes como Jon Voight, Emmanuelle Béart, Jean
Reno e Vanessa Redgrave (que arrecada honras absolutas numa deliciosa
personificação de vilã). Uma produção
da Paramount Pictures, distribuída por Lusomundo
Audiovisuais.
| Vasco Martins |
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No que respeita a críticas, a A.P.E.T. condenou a RTP pela forma como promoveu, nos intervalos do Telejornal, em pleno horário de confraternização familiar, um ciclo dedicado à transmissão de filmes eróticos e de alguns realizadores estrangeiros, violando descaradamente a Lei da Televisão e as Directivas Comunitários referentes à defesa da infância em relação à TV.
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