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Estatística moral

"A taxa de criminalidade registada é o resultado aleatório de uma causa constante: a inclinação para o crime"
Quételet

Para medir o nível de vida, a ciência económica utiliza vários indicadores: produto interno bruto, rendimento per capita, volume de investimentos, nível de salários, horas de trabalho, esperança de vida, taxa de mortalidade... Este conjunto é uma faceta do que somos como comunidade.

Outra faceta é a qualidade de vida, que será preocupação sobretudo de sociólogos: conservação da natureza, valorização do ambiente, ordenamento do território, defesa da paisagem, ocupação de tempos livres, escolarização, estatuto do consumidor... Traduz-se na qualidade de vida o modo como o PIB é aplicado.

A onda de crimes que nos meses recentes se abateu sobre esta nação de brandos costumes faz-nos reflectir sobre tudo isto: sobre a segurança que se invocava para convencer o turista e o investidor, sobre os mesmos brandos costumes, sobre a natureza e o significado desta violência que já não se fica pelo esticão de um motoqueiro qualquer.

A primeira verificação é que já não se pode dizer como dizia no ano passado o Ministro de então: "Trata-se de crimes contra a propriedade e não contra as pessoas". Havia já aqui um certo sofisma. O ordenamento jurídico distingue com efeito uns crimes dos outros, dando-se, às vezes, mais importância aos bens do que às pessoas. E o Ministro pretenderia, ao contrário, inverter esta hierarquização. Em concreto, porém, o atentado à propriedade, (salvo situações-limite e se não virmos as coisas na óptica do socialismo radical - "toda a propriedade é crime") fere também a pessoa. O Mundo é um mundo de bens, "um mundo afeiçoado por e para a minha acção" (Heidegger). As pessoas projectam-se e prolongam-se nas coisas, nos bens, assimilando o mundo à sua medida. A viúva a quem roubam a carteira com a fotografia dos netos e a joia que lhe recorda o marido é ferida na alma.

Mas já não é desse "pequeno" crime que se trata. São crimes de sangue. Episódicos? Exprimem uma tendência? É crime organizado? Trata-se de profissionais? De indivíduos dementados? Tais questões não são ociosas e as respostas que se encontrarem vão validar o critério da qualidade de vida; que tem também esta dimensão moral como indicador; e esta é, afinal, a verdadeira faceta do que somos.

Dizermo-nos um povo de brandos costumes não é mero verbalismo. Se consagrámos a sentença popular como traço da nossa consciência colectiva, isso significa ao menos uma referência caracterizadora, um desiderato ideal. Nesta expressão brandos costumes vai-se mais longe do que a lei penal - que, sem dúvida, deve ser dissuasora; intui-se que a lei humana não pode punir todas as acções moralmente más (S. Tomás).

Dir-se-ia, segundo a metáfora do Prof. Cabral Moncada, que a Moral é a matriz e o Direito o embrião que nela enraiza. Os brandos costumes relevam sobretudo da matriz moral, da consciência inibitória enquadrada pelos autênticos valores que se bebem com o leite, que a família forma e a escola estimula - ou não?

Porque é que as pessoas cometem crimes? O crime resulta das características diferentes do deliquente? (Lombroso) ou "A sociedade contém em si o germe de todos os crimes"? (Quételet). As teorias mais modernas põem a questão noutros termos: é por existirem normas que há o desvio à norma.

Os brandos costumes não são normas. São um quadro mental e uma referência atávica que a estatística de um verão excepcional não chega para destruir. Mas se deixarem (ou se deixaram já) de ser a habitualidade da nossa vida colectiva, então é mesmo a identidade nacional que se está a perder. Por mais promissores que sejam os indicadores quantitativos do progresso económico.
Ernesto Campos
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Jornadas diocesanas para leigos, religiosas e padres

O Jubileu do Ano 2000

«Neste momento em que convido os fiéis a elevarem ao Senhor instantes preces para obter as luzes e auxílios necessáriospara a preparação e celebração do Jubileu, já próximo, exorto os Venerados Irmãos no episcopado e as comunidades eclesiais a eles confiadas a abrirem o coração às sugestões do Espírito. Ele não deixará de mover os ânimos para se disporem a celebrar com renovada fé e generosa participação o grande evento jubilar».

A este chamamento do Papa para prepararo terceiro milénio da era cristã e para celebrar o grande Jubileu da Encarnação do Filho de Deus, a Igreja põe-se em movimento, de acordo com um programa estabelecido pelo próprio Papa (cf. Tertio millennio adveniente, carta dirigida aos bispos, padres, diáconos, religiosos, religiosas e a todos os fiéis leigos). A preparação do Jubileu é feita num triénio e é um convite a todos os cristãos a lançarem-se numa verdadeira e maravilhosa aventura espiritual, aprofundando as raízes da sua fé, celebrando-a e vivendo-a pelo testemunho, contagiando e arrastando consigo todos os homens de boa vontade. Ninguém pode ficar indiferente ao que se passa na Igreja e no mundo e de que estes marcos históricos são sinais. Nesta passagem do milénio, os cristãos não poderão deixar de celebrar, com júbilo e brilho, o grande acontecimento que dá sentido novo à História: a Encarnação. Para tal, é necessário tempo de preparação interior e exterior, para acolher a graça e difundi-la.

Como vai a nossa Igreja diocesana preparar e viver o Grande Jubileu do ano dois mil?

O Secretariado Diocesano de Liturgia, dando colaboração à Comissão diocesana, dispôs-se organizar umas Jornadas de estudo e reflexão, a fim de programar a nível diocesano e ajudar as paróquias e as comunidades a organizar, de modo coerente e convergente, a preparação de todos, indivíduos e grupos, pessoas e instituições, para a celebração do Jubileu. As jornadas terão lugar no Seminário de Vilar - Casa Diocesana, nos dias 26, 27 e 28 de Outubro próximo e destinam-se a leigos (dia 26), religiosas (tarde do dia 27) e padres (dia 28). Será conferencista D. Julián López Martin, bispo de Ciudad Rodrigo e mestreeminente em liturgia.

O que é um Jubileu?Qual o sentido, a oportunidade e actualidade deste Jubileu? Como viver este Jubileu, aos mais diversos níveis (universal, diocesano, vicarial, paroquial, comunitária e grupal, familiar e pessoal...)? Como viver o Jubileu, ao ritmo do ano litúrgico, valorizando os sacramentos, a piedade popular, a presença da Igreja no mundo (o testemunho evangélico, o apostolado, o diálogo com a cultura e com a arte, os meios de comunicação social...)? Qual o programa deste Jubileu e suas dimensões teológicas («ano» de Cristo, do Espírito Santo, do Pai, da SS. Trindade), antropológica (as virtudes teologais: Fé, Esperança e Caridade) e sacramental (Baptismo, Confirmação, Penitência, Eucaristia...)? Como aplicar e viver este programa aos diversos níveis e nos diversos sectores da pastoral? Tema global do Jubileu: a iniciação cristã e a renovação da Igreja. Como aplicar a proposta do Papa de aprofundamento doutrinal e de renovação da prática sacramental do Baptismo, da Confirmação, [da Penitência] e da Eucaristia? Como fazer passar a graça sacramental à vivência pessoal dos cristãos, à renovação das comunidades e da Igreja e à transfiguração do mundo?

São estas e outras questões similares que D. Julián López irá abordar, a fim de nos ajudar a todos a pôr em movimento um programa de preparação do Grande Jubileu e de renovação da nossa Igreja diocesana.

O facto de se exprimir em castelhano não será obstáculo para a compreensão do que, muito e sabiamente, tem para nos dizer. Apesar disso, o Secretariado Diocesano de Liturgia encontrará os meios para ajudar os que tenham mais dificuldades em seguir o castelhano, pondo à disposição de todos uma versão em português.

Brevemente, anunciar-se-ão as inscrições.
S.D.L.
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Madre Teresa

Madre Teresa de Calcutá irá ser agraciada com o título de «cidadã honorária» de Washington, capital dos Estados Unidos da América. Até hoje apenas três pessoas tiveram a honra de receber este título: o estadista inglês Winston Churchill, Raul Walemberg, diplomata sueco e Willinam Penn, fundador da Pensilvânia.

De acordo com Michael Callegan, que apresentou a proposta votada no dia 11, o título não confere à fundadora das Missionárias da caridade o direito ao voto ou outros privilégios, mas é uma forma de reconhecer o valor do seu trabalho humanitário.

Fim do aborto?

A Igreja Católica australiana pediu ao Supremo Tribunal de Justiça do país, para que as práticas abortivas sejam consideradas ilegais. A Conferência Episcopal australiana e a Associação Católica para a Saúde Pública pediram aa anulação das decisões dos tribunais inferiores que consideraram como legal o aborto em determinadas circunstâncias.

Sucessor de Tutu

Winston Dunghane é o novo arcebispo anglicano da Cidade do Cabo, substituindo Desmond Tutu. A tomada de posse do novo chefe da Igreja Anglicana teve lugar há pouco, na Cidade do Cabo. Como arcebispo anglicano, Dunghane tem a difícil tarefa de continuar o trabalho do seu antecessor, nomeadamente na defesa do respeito pelos direitos humanos no país.

Livreiros católicos

Mais de 100 participantes, estiveram reunidos no primeiro congresso de Editores e Livreiros Católicos da Europa, que decorreu de 5 a 8, em Praga. Representantes de 17 países, entre os quais Portugal (com a Multinova) tentaram encontrar novas formas de exercerem a sua actividade, tendo sido apontado como exemplo o francês. Os editores e livreiros católicos de França, e todos os outros não católicos mas que editam temas religiosos, publicam uma revista quadrimestral designada «Écritures Actualité de l'Edition religieuse», que tem uma tiragem de 400 mil exemplares. Vários foram os testemunhos apresentados pelos editores europeus, desde o desemprego que aflige a ex-RDA, até às campanhas orquestradas contra a Igreja Católica, um pouco por toda a Europa, e contra algumas das suas figuras, como o caso da Áustria, contra o cardeal de Viena. A actividade dos editores católicos representa hoje quase 5% de toda a actividade editorial na Europa, com maior importância na Itália e no Leste.

Congresso sobre estudantes estrangeiros

Decorreu de 17 a 19 em Roma, o 1.º Congresso sobre a Pastoral dos Estudantes Estrangeiros, promovido pelo Conselho Pontifício para a Pastoral dos Migrantes e Itinerantes, com o tema «o papel da Igreja no mundo dos estudantes estrangeiros». O congresso procurou definir e coordenar melhor a actividade da Igreja no acolhimento e assistência pastoral aos estudantes, durante a sua estadia em países estrangeiros. O número de estudantes fora do seu país é de mais de um milhão, distribuídos pelos cinco continentes. Os Estados Unidos, com quase meio milhão, é o país que acolhe mais estudantes, sendo seguidos pela França, Alemanha, Japão e Austrália.
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