Cultura:


Professores em Elvas

Em Elvas decorreu em finais de Julho o XXXV Encontro Nacional do Movimento Missionário de Professores sob o tema «Escola, espaço de liberdade e compromisso missionário».

As diversas personalidades que intervieram no encontro sublinharam a importância da relação pedagógica na educação, pois é dessa forma que o educador transmite valores e os educandos, num ambiente de amizade, se abrem ao acolhimento de valores humanos e evangélicos. Salientaram também que os professores, na sua missão de educar, não podem esquecer o papel da Família e que, numa sociedade em mudança como a nossa, em que muitos valores são postos em causa, a Família ganha ainda mais importância como ambiente onde os valores são adquiridos na simplicidade da vida de cada dia.

Foi recordado que os Direitos Humanos devem ser «a plataforma comum na educação» e que os educadores, de acordo com as suas motivações, «devem orientar os educandos para as razões profundas dos Direitos Humanos» e, no mundo de hoje, particularmente para os valores da solidariedade, justiça e paz.

Os professores cristãos, por sua vez, na sua missão de educar, devem começar pelos valores subjacentes aos Direitos Humanos, e «encaminhar depois as crianças e jovens para o sentido de Deus e para a dignidade do Homem como filho de Deus». Como foi sublinhado, «Cristo, na Sua relação com o Pai, é por excelência o Homem livre que dá a Sua vida para possibilitar aos homens a sua plena dignificação» ou seja, a possibilidade de «viver em comunhão com o Pai e com os irmãos». Os professores lembraram ainda que, dentro da dimensão missionária da Igreja e do seu compromisso como baptizados, os leigos devem reflectir sobre a maneira de viverem a sua missão na escola, como educadores cristãos.

Além destes três dias de estudo, o grupo fez ainda contactos culturais nas cidades próximas (Évora, Estremoz e Vila ,Viçosa) e na vizinha Espanha visitando Cáceres e Mérida. Objectivo não completamente atingido foi o contacto com as populações e na Igreja local. Mas o contacto é bom acolhimento do Arcebispo de Évora, D. Maurílio Gouveia, de um dos párocos da cidade, o Padre Bento, e de tantas irmãs e leigos que a todos acolheram na Quinta de S. João, fez com que o balanço tenha sido bem positivo.
D.S.
Início


O CINEMA EM CASA

De 5 a 12 de Setembro

TELEVISÃO - Novamente em contacto semanal, findas as férias - que espero tenham sido tão reconfortantes quanto as minhas, ainda que tenha passado mais horas que as habituais frente ao pequeno ecrã, apenas para actualizar o trabalho anual e preparar a nova etapa que iniciamos hoje - eis as sugestões para esta segunda semana de Setembro. As que vos sugeri para todo o mês de Agosto, salvo raras excepções, chegaram a ser exibidas e penso que vos tenham agradado. Espero continuar a conduzir esta coluna com o mesmo empenhamento a que me propuz desde o seu início, o de informar (e formar) e seleccionar o melhor cinema para ver em casa (... e fora de casa). O único, e cada vez melhor, canal para se poder ver cinema (e não só!), continua a ser a RTP 2, que cumpre bem a sua missão de televisão pública, oferecendo cada semana um leque de obras de indubitável qualidade, dirigidas a todos os públicos e satisfazendo todos os gostos. Posto isto, o universo da comunicação social vai ser destaque na segunda semana deste mês, com a exibição de cinco grandes clássicos assinados por outros tantos importantes realizadores. Assim, na rubrica "Cinco Noites, Cinco Filmes" serão exibidos «O Grande Escândalo», comédia, de Howard Hawks (1940), com Cary Grant e Rosalind Russell. Uma nova versão, mais bonita e engraçada, de «The Front Page», de Lewis Milestone (1931), baseado no mesmo argumento de Ben Hecht e Charles Lederer: uma repórter pretende casar e desistir da profissão, mas o seu chefe tenta tudo para impedir isso (dia 9); «A Verdade Vence Sempre», drama, de Henry Hathaway (1948), com James Stewart e Richard Conte: apaixonante filme, tratado como se fosse um documentário, com Stewart no papel de um jornalista que está convencido de que um indivíduo acusado de assassínio é inocente, o que ele tenta provar (dia 10); «A Última Ameaça», drama, de Richard Brooks (1952), com Humphrey Bogart e Ethel Barrymore: muito actual com os dias de hoje, neste filme Bogart é editor-chefe de um jornal, que vai defender os postos de trabalho dos seus 1.500 empregados, quando o dono anuncia a sua intenção de suspender a publicação (dia 11); «A Mulher Que Sabe Tudo», comédia, de Walter Lang (1957), com Spencer Tracy e Katharine Hepburn: oportunidade para assistir a mais um dos fabulosos duelos entre estes dois monstros sagrados, em que ele faz um especialista de informática que vai reorganizar o departamento de documentação que ela dirige numa companhia de televisão. Eles discutem, argumentam e apaixonam-se (dia 12); «A Luta dos Ardinas», musical, de Kenny Ortega (1992), com Christian Bale, Bill Pullman e Robert Duvall: baseado na greve dos ardinas de Nova Iorque em 1899 (dia 13).

Mas também pode ver outros filmes nos outros canais, como «A Vida Deste Rapaz», drama, de Michael Caton Jones (1993), com Robert De Niro, Ellen Barkin e Leonardo Di Caprio (RTP 1, sábado, dia 7); «Como Água Para Chocolate», drama, de Alfonso Arau (1992), com Lumi Cavazos e Marco Leonardi (RTP 2, sexta-feira, 6); «Gado Bravo», comédia portuguesam, de António Lopes Ribeiro (1934), com Nita Brandão, Raul de Carvalho e Arthur Duarte (SIC, domingo, 8).


... E FORA DE CASA

Em «O Melga», o actualmente mais bem pago actor de Hollywood, Jim Carrey, pretendeu meter-se em terrenos talvez mais dramáticos que aqueles que costuma pisar, desenvolvendo um humor muito mais ácido que o conseguido nos seus trabalhos anteriores («Máscara» e «Doidos à Solta»), com o qual, principalmente, conseguiu o apoio do público infanto-juvenil. Neste filme, Carrey protagoniza um solitário instalador de televisão por cabo marcado por uma infância dolorosa, em que o seu único consolo era o ecrã do televisor. Misturando o drama com a comédia, e o humor negro com a comédia soft, o realizador Ben Stiller (que ficamos a conhecer com «Reality Bites») pretendeu sobretudo explorar os recursos mais obscuros de Jim Carrey (com especial incidência no seu contorcionismo facial), o qual anunciou a sua pretensão em enveredar numa carreira artística mais dramática. O filme, grande trunfo deste verão e que ainda pode ser visto, é distribuído pela Columbia-Tristar-Warner Filmes de Portugal.

Mas o melhor presente de férias foi, sem dúvida, um filme que acontecia num ambiente de vício, precisamente o «Fumo» (Smoke no original), de Wayne Wang. No filme, Harvey Keitel é Auggie Wren, proprietário de uma loja de tbaco em Brooklyn, onde costumam entrar uma série de pessoas que compartilham a sua paixão por falar e fumar. Nos últimos 14 anos, Auggie gastou as suas horas livres fotografando quem passava na frente da sua montra, sempre o mesmo lugar. Paul Benjamin, um escritor cuja mulher foi assassinada na sequência de um assalto a um banco, não consegue compreender que significado têm aquelas fotos. Auggie pede-lhe que as observe com muita atenção e calma, até que finalmente possa apreciar os pequenos detalhes diferentes de uma para outra e que escapam numa primeira vista. Assim é «Smoke», uma baforada de fumo que se desvanece muito lentamente.

O escritor Paul Auster compõe um puzzle humano a partir de um facto real (o assalto a um banco na 7ª Avenida de Nova Iorque) e um conto de Natal que esceveu para o "New York Times" em 1990, e que lhe serve para ilustrar o soberbo monólogo final de Keitel. William Hurt, no papel de Paul Benjamin (alter ego de Auster, que usa aquele pseudónimo para assinar as suas novelas policiais) e Harvey Keitel, como o sábio Auggie, estão como sempre, antológicos. Mas se há algo tão quente e vivo são as interpretações de Stockard Chaning, Forest Whitaker e o jovem Harold Perrineau.

«Fumo», que recebeu o Urso de Ouro na edição de 1995 do Festival de Berlim, é algo mais que um minucioso exercício de estilo: é algo repleto de magia. Agradecemos à Filmes Castello Lopes ter-nos possíbilitado este maravilhoso presente.
Vasco Martins
Início


TRIBUNA DO LEITOR

Oportuno aplauso

Quase no final deste mês «natural» de férias, consigo vencer a preguiça para cumprir uma obrigação que a mim próprio me impus logo que ali, no n.º de 30 de Julho de «VP», o artigo «Olhares do fim da jornada»: ter uma palavra de agradecimento para com C.F. . De certeza amigos e conhecidos muitas vezes terão elogiado a sua veia jornalística, mas tem outro sabor se o encómio vem de um leitor anónimo e longínquo.

«VP» tem conseguido ao longo das vicissitudes da sua existência manter o espírito de abertura, inovação, tolerância e pluralismo, que, por ocasião do seu aparecimento, constituiu autêntica pedrada no charco no ambiente político e eclesial do nosso país; tem mesmo resistido a apelos imobilistas que um ou outro leitor por vezes lhe dirigem, graças aos seus responsáveis e colaboradores, de grande engenho, múltiplas artes, sem fanatismos ou monolitismo ideológico.

Com Correia Fernandes, que agora interrompe a sua colaboração no Jornal, a minha empatia era enorme e quase total a concordância com os seus escritos. Vai ser difícil encontrar substituto. A crónica não é um género fácil, exige graça na expressão e capacidade para revelar aspectos novos e nada óbvios que se escondem nos acontecimentos do dia a dia, Correia Fernandes era notável. Tem todo o direito de estar cansado e talvez desiludido, pois, com as suas crónicas, as Escolas não conseguiram maior autonomia (é tarefa difícil!) nem melhorou o caos da sinalização das vias, sejam elas nacionais ou camarárias (e parece simples!). Mas há outros critérios, heterodoxos, sem dúvida, segundo a cultura económica dominante, para avaliar a eficácia dos seus escritos. Não tenho qualquer dúvida de que pôs muita gente a pensar. Era esse o seu objectivo, como é igualmente uma das principais funções de um semanário da Igreja.

Como leitor, resta-me aguardar, para prazer e proveito próprio, que «a pausa valorizadora da música» não seja excessiva e brevemente ele regresse. Esse momento será também, estou certo, ocasião de alegria e prazer para o jornalismo, amador na remuneração e idealismo de servir, mas profissional na qualidade do produto realizado.

Permita-me que termine esta missiva com um abraço fraterno.
Fernando Lemos, Mafra

N. R..: «Oportuno aplauso» e nobre atitude a carta deste leitor atento que hoje se publica como expressão visível de muitos outros comnetários chegados à Redacção por telefone e outros meios. Um sinal de que, a «voz» que, semana a semana, se levanta nas páginas da «VP» ecoa por esse país além e, certamente, que se multiplica na coerência das atitudes de cada dia. Desta forma, muitos vão dando as mãos na construção de um mundo melhor na linha do Evangelho.

Podemos garantir que, também pela firmeza das suas convicções, C. F. não vai desistir. Uma provável irregularidade da sua colaboração deve-se apenas a novos trabalhos que tem de cumprir ao longo do próximo ano. E, assim, em nome dos leitores da «VP» também dizemos: Que «a pausa» seja breve!
Início


Primeira Página Página Seguinte