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A sociedade tecnológica |
O prestígio das ciências positivas tem conduzido a que se desvalorize toda a forma de conhecimento que não tenha por método a experimentação e a matemática e se chegue mesmo a negar a algumas formas de conhecimento humano o carácter de ciência.
As técnicas, por seu lado, assumem tão grande importância na nossa vida que experimentamos a sensação de já não sabermos viver sem o recurso às máquinas, umas, que estão na origem do progresso acelerado do nosso tempo e outras que facilitam a nossa vida e sem as quais não seriam possíveis muitas das actividades a que nos dedicamos.
Na verdade, a vida, no nosso mundo chamado civilizado, tem hoje expressões novas e até mesmo insuspeitadas para o mais imaginativo sonhador de há alguns anos atrás, devido ao uso generalizado das mais diversas técnicas. Mas isso não nos deve fazer esquecer que o uso das técnicas é inato ao homem, como fruto do seu raciocínio. Para atingir os objectivos que se propunha, o homem, desde o início, construíu instrumentos, que lhe facilitavam os propósitos, ainda que esses instrumentos não fossem mais do que a pedra lascada ou a pedra polida.
O homem não responde aos estímulos exteriores por meio de um programa inscrito no seu ser, como faz o animal. Perante esses estímulos, ele tem a possibilidade de dar várias respostas, através das quais age sobre o meio que o rodeia; ao mesmo tempo, realiza-se a si mesmo como homem dotado de consciência e liberdade. É assim que, como homo faber, fabrica instrumentos que lhe facilitam o domínio sobre as coisas e o ajudam a atingir os objectivos que se propõe.
Dado que o homem não está, por natureza, adaptado ao meio em que vive, tem de utilizar a razão para o fazer, inventando os meios técnicos de que depende a própria sobrevivência.
Este processo não pára, porque o pensamento vai muito para além da acção. E assim ele não se limita apenas a transformar o mundo, mas interroga-se sobre o sentido. Daqui nasce a cultura, que é constituída não só pela ciência, mas também pela arte e pela religião.
Durante muitos séculos, as técnicas evoluiram muito lentamente, talvez mesmo com mais lentidão do que as ciências que são o seu suporte. Então o que é característico do nosso tempo é a aceleração com que se descobrem novos processos de pôr as técnicas ao serviço do homem, primeiro, para satisfazer as suas necessidades básicas, depois, satisfeitas estas, o processo não pára, para o que se criam então, artificialmente, novas necessidades.
A técnica invade tudo: o trabalho e o descanço, as actividades manuais e as actividades intelectuais e até espirituais, os meios e os instrumentos que utilizamos e os fins e objectivos que nos propomos e mesmo os conteúdos do conhecimento, o poder do homem, individual ou socialmente considerado, a forma de estar no mundo e até a de se situar perante o verdadeiro e o falso. É uma realidade o domínio da natureza pela técnica, ainda que, muitas vezes, o homem exagere na consciência que tem desse domínio.
O problema grave com que hoje nos confrontamos, neste domínio, é o da oposição entre espírito e técnica, com a sobrevalorização desta última. Daí que todos os problemas que se colocam hoje ao homem sejam considerados apenas como problemas técnicos, com as graves consequências de desumanização que todos conhecemos. Tenhamos em conta, por exemplo, a política, quando entregue apenas a tecnocratas. O homem é submetido às soluções técnicas, sem consideração pelos seus problemas de ordem espiritual, ou simplesmente de homem, único na sua individualidade e de pessoa com o seu próprio e legítimo projecto de vida.
Por outro lado, a técnica, que em si mesma é neutra, isto é nem boa nem má, pretende libertar-se de todo o juizo de valor que a controle. Ora, se é certo que a técnica, em si mesma, é neutra, a razão instrumental que a cria não é indiferente perante os fins da actividade técnica. Daí, a expressão ciência sem consciência, correcta apenas na medida em que a ciência se vai identificando cada vez mais com a técnica. Assim se se recusa a pergunta pelo sentido, como vai acontecendo no nosso tempo, então poderemos legitimamente temer pelo uso que se poderá fazer da técnica, por ventura em prejuizo do homem.
| Gonçalves Moreira |
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Após as férias, reiniciam as actividades pastorais. Para além da organização de planos, programas e calendário, os responsáveis das comunidades enfrentam uma dificuldade indisfarçável: pessoas generosas, capazes e preparadas para os executar. Sem elas, qualquer programação sai gorada ou é uma ilusão. Mas como encontrar essas pessoas? E, sobretudo, como formá-las?
O mais importante acontecimento da Igreja, e, por isso, de cada comunidade, é a Missa do domingo. Os fiéis, felizmente, vão exigindo cada vez mais um nível progressivamente mais qualitativo das nossas celebrações dominicais. À medida que vão descobrindo que a Eucaristia é o forte e suculento alimento semanal de uma indispensável vida espiritual e não apenas um preceito a cumprir ou a descarregar, requerem não apenas boa música litúrgica, mas bons leitores e acólitos, um presidente que prepare bem a homilia e toda a celebração, que promova uma participação dos fiéis não apenas quantitativa, mas, sobretudo, qualitativa.
Não se tenha dúvida de que uma das razões que pode afastar alguns fiéis, sobretudo jovens, da missa dominical, é a falta de empenho dos responsáveis nela e, consequentemente, a falta de qualidade. Não aprovamos, com certeza, um procedimento (pseudo)celebrativo (que alguns julgarão eficaz) que fosse engodo de multidões a qualquer preço, do tipo das seitas brasileiras que por aí andam no mercado religioso, feito de sentimentalismo barato. Tal procedimento é falso e perverso. A celebração litúrgica não chama a atenção para si, não se fecha em si, mas está ao serviço do Mistério, revelado, celebrado e participado que se torna presente e eficaz, palpável, sensível, visível, audível, de modo sacramental, na liturgia. Para tão excelente acção, importa ter os ministérios necessários e devidamente preparados, de modo que a celebração possa ter aquela linguagem adequada ao Mistério que celebra e ao homem contemporâneo.
Que resposta pode haver às perguntas enunciadas?
1. Relativamente à primeira - como encontrar pessoas, generosas, disponíveis, capazes? -, cabe aos presidentes das comunidades essa tarefa, delicada, difícil, é certo, mas não intransponível. Não se trata de fazer um aviso nas missas e, muito menos, pregar um edital à porta da igreja. A experiência ensina que essas formas obtêm pessoas generosas que, normalmente - salvo qualquer honrosa excepção -, se oferecem para tudo, mas são incapazes. Pelas assembleias dominicais passam fiéis, homens e senhoras, jovens e adultos, com formação e qualidades humanas, a pedirem maior atenção por parte dos párocos e reitores. Por vezes, não se oferecem ou porque já não há lugar para eles ou porque, por timidez ou sensatez, se julgam muito aquém do que é pedido. Ora aí está um campo de acção da máxima importância para os pastores de almas: reconhecer e promover sabiamente os carismas dos leigos. Sem isto, nenhuma acção pastoral tem, humanamente, futuro.
2. Quanto à segunda - como formar essas pessoas? - com certeza que há muitos métodos e muitas formas. Em todo o caso, convém, à partida dizer que qualquer formação sólida requer tempo e disciplina. Muitos confundirão, talvez, formação com sensibilização (aliás, necessária, precedente, concomitante e consequente). As paróquias, as vigararias ou as regiões poderão criar escolas, o que é louvável. Mas a escassez de meios formativos e de pessoas, reconheçamo-lo, é tão grande que nos parece inexequível. Sem abandonar outras importantes acções de sensibilização, a nível regional, o Secretariado Diocesano de Liturgia aposta, com todos os meios disponíveis, na Escola Diocesana de Ministérios Litúrgicos. Aí, durante três anos, com aulas semanais, ao sábado, no Seminário Maior (Sé), e estudo diário dos alunos, prepara os acólitos, os leitores, os salmistas, organistas e directores de coro e assembleia que a celebração litúrgica precisa.
As inscrições estão abertas, no Secretariado Diocesano de Liturgia (Seminário de Vilar - Casa Diocesana, R. Arcediago Van-Zeller, 50 - 4050 Porto | Tel. 600 08 24), até ao dia 13 de Setembro, das 9 às 12. 30 horas e das 14 às 17. 30 horas, de segunda a sexta-feira.
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