Promovida pelo Cabido portucalense integram-se na procissão os Párocos, Reitores e Capelães da Cidade, bem como os Superiores dos Institutos Religiosos e demais Sacerdotes, bem como os Seminários e representantes de Movimentos e associações, irmandades e ordens terceiras. Os promotores estão a fazer esforço para que se torne cada vez mais uma pública manifestação de Fé da Igreja que está na cidade do Porto, envolvendo as paróquias e seus organismos de apostolado. Foi pedido, por isso, que cada paróquia se faça acompanhar da Cruz paroquial e pelo menos com os membros da Confraria do SS.mo Sacramento, com a respectiva opa e as associações e confrarias com os respectivos estandartes e insígnias. Para além disso, foi dada uma particular atenção à participação dos jovens envergando camisolas com o tema deste ano de preparação para o novo milénio. Também as crianças terão o seu lugar, devendo ser acompanhadas pelos seus catequistas.
João Paulo II, nas orientações que deu para a preparação do novo milénio, disse que este ano de 1997 seria dedicado à reflexão sobre Cristo, Verbo do Pai, feito homem por obra do Espírito Santo, para destacar o carácter vincadamente cristológico do Jubileu: Jesus Cristo, único Salvador do mundo, ontem, hoje e sempre. Essa vertente estará assinalada em quadros bíblicos que os grupos de jovens de algumas das paróquias do Porto vão encenar, num esforço de tornar a mensagem mais acessível a todos, permitindo uma melhor vivência do Mistério de Cristo. O próprio percurso da Procissão, que é pequeno, tem o valor simbólico de caminhada do Povo de Deus, desde os Paços do Concelho, sede da Autarquia, até à Sé,a Igreja-mãe onde se encontra a cátedra do Pastor.
A solenidade do Corpo e Sangue de Cristo transformou-se, na boca do povo, em festa do Corpo de Deus que permite ao povo celebrar de forma jubilosa a Presença Real, amorosa e operante de Cristo no meio dos homens de todos os tempos, de todas as raças e de todos os quadrantes. Por isso a Igreja leva em procissão o «Divino Sacramento», pelos caminhos do mundo, onde se joga o destino dos homens. Com hinos, flores e incenso, lembra-se que à morte foi aberto o caminho da Vida e proclama-se a vitória do Ressuscitado e a fé na vida eterna.
Sem triunfalismos mas na legitimidade de expressão pública
que os tempos de democacia e de liberdade permitem, os cristãos
proclamam que Jesus Cristo é o seu único Salvador
e que a Eucaristia será a única força capaz
de transformar a humanidade em família de filhos de Deus
em comunhão com Deus e com os homens.
História
A solenidade do Corpo e Sangue de Cristo é produto da devoção eucarística medieval do norte europeu. Instituída na diocese de Liège, Bélgica, em 1246, esta festa estendeu-se a toda a Igreja em 1264 e, no segundo decénio do séc. XIV, começou-se a fazer também a procissão que depressa chegou também a Portugal, havendo notícias da procissão já no tempo de D. João I.
No Porto, há memória da celebração do Corpo de Deus com procissão, desde 1417. E o Livro das Vereações explicava quem estava obrigado a ir na procissão, sobre a ordem das corporações que a integravam e o número de pessoas previstas, bem como das figuras dos santos, bandeiras, vestes, danças e jogos que deveriam executar.
Da maior pompa e aparato, esta Procissão era dispendiosa para a Cidade. O Pálio que abrigava o Sacramento era o da Câmara e não o do Bispo, e era também a Câmara quem nomeava os cidadãos para ir às varas do pálio ou transportar os tocheiros. Quem recusasse o encargo sem justificação era riscado do livro de cidadãos...
No séc. XVIII começaram a reduzir-se as invenções e danças habituais. As irmandades e confrarias das paróquias da cidade começam a integrar a procissão em vez das corporações profissionais que se encarregavam da ornamentação das ruas que lhes eram atribuídas por decreto. Na procissão tomavam parte os meninos vestidos de anjos, os quadros alegóricos bíblicos, as pessoas vestidas de profetas e santos, as danças diante da Eucaristia e as representações exprimindo alegria pela presença de Jesus Cristo no sacramento da Eucaristia.
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