D. Júlio Rebimbas, arcebispo-bispo do Porto, presidiu na Sé, na manhã do dia 25 de Dezembro, à Missa estacional do Natal, solenizada pelo Coro da Sé Catedral do Porto, pelo Grande Órgão de Tubos e pela participação do Cabido da Sé portucalense.
Na homilia, D. Júlio lembrou João Baptista, testemunha do futuro que ele «vê» quando os outros ainda não «vêem», e sobretudo «uma jovem chamada Maria» que é Mãe de Deus, «por graça e docilidade, por dom e humildade, por mistério e promessa». Lembrou ainda as recusas, comodismos e indisponibillidades, que prosseguem pelos tempos além, que fizeram com que o nascimento de Jesus tenha sido no presépio ao lado de animais.
O Arcebispo-bispo do Porto sublinhou depois como Jesus é «o ponto culminante» da história humana e como n'Ele se realizam as aspirações de toda a humanidade e se cumprem as promessas de Deus. O Filho de Deus dá início a «um novo caminho» em que tudo aparece iluminado por uma nova luz e o Homem ganha uma nova vida: «Natal é Deus que vem ao encontro dos homens» e deve ser ocasião do homem procurar Deus.
O Bispo do Porto apontou depois alguns sinais de um mundo que faz de conta que Deus não existe, que até tentou «matar Deus», mas acrescentou que, às vezes onde menos se pensa, continua a haver gente que, «de mãos limpas e coração puro», procura Deus e guarda a Fé. Ao lado de consumismos, perversidades e frustrações «desponta uma nova inquietação religiosa» e aumentam as vocações de especial consagração, pois, criado por Deus, o coração do Homem sempre andará inquieto enquanto não repousar no Senhor Deus.
Explicou ainda D. Júlio como «encontrar Deus» e estabelecer com Ele uma relação pessoal faz nascer uma vida de fraternidade, solidariedade e compreensão, e da fragilidade faz brotar «a esperança viva». Como bem advertiu, o homem tem direito à Esperança, mesmo quando o panorama é de injustiças, carências e degradação, e quando continuam por resolver problemas de habitação, trabalho, moralidade pública, urbanização, transportes e obras públicas. E, por isso, a todos lembrou que, «o mistério e a história do nascimento de Deus num curral de animais, não nos pode deixar nos silêncios e equívocos que poderiam ser consentimento». E concluiu apontando gestos de ajuda a situações extremas e num apelo a que se percorra itinerários de singeleza, humildade e verdade, de ousando olhar carinhosamente os outros e viver a dignidade de filhos de Deus.
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