Bragança inaugura catedral


Muito solene foi a inauguração da Catedral de Bragança, na 4ª-feira, dia 22, no 450º aniversário da criação da Diocese em Miranda do Douro e no 225º da transferência da sede para Bragança. Presidiu o Bispo D. António Rafael, tendo concelebrado o cardeal D. António Ribeiro, D. João, presidente da Conferência Episcopal, 15 outros arcebispos e bispos, o D. Abade de Singeverga, representantes dos cabidos do Porto, Braga e Lamego, 150 padres provenientes de Bragança e ainda de Vila Real, Lamego, Braga e Porto, e representações das 316 paróquias da Diocese.

O cortejo que saíu da igreja de S. João Baptista da Sé em direcção ao novo templo foi uma clara afirmação pública de que a Catedral iniciada em Novembro de 1981, depois de várias tentativas infrutíferas, entrou definitivamente no caminho de concretização, devendo ser solenemente dedicada no ano 2000 a Nossa Senhora Rainha. A presença do presidente da Comissão de Coordenação da Região Norte, Governo Civil, presidentes das Câmaras da região e outros representantes de autarquias e associações assinalou que esta construção ultrapassa o mero âmbito eclesial para ser verdadeiramente, como disse D. António, «uma obra da sociedade civil».

Já desde 1961 que se fazem colectas para a construção da Catedral, mas só há 15 anos o percurso, bem difícil e olhado com suspeita, tem sido ascensional, o que fez com que os mais descrentes concluíssem que agora será para valer. Já foram investidos 430 mil contos na primeira fase e 200 mil na segunda, prevendo-se que o custo total ascenda a um milhão de contos. O Estado subsidia a obra em 60 por cento, como costuma acontecer em obras destas.

As primeiras estimativas de custo eram cem vezes menos, mas as sempre crescentes dificuldades não meteram medo a quem, como o Bispo de Bragança, acreditou firmemente na generosidade do povo e na capacidade de ultrapassar os obstáculos que sempre se põem a obras destas. A Catedral é já um facto e, por isso, este acto inaugural ganhou grande significado. A grande tarefa agora será «dar a conhecer ao povo a Catedral, como símbolo da unidade diocesana».

O templo tem capacidade para quatro mil pessoas, mil das quais sentadas.Ocupa uma área de 14 mil metros quadrados e tem a altura de 25 metros. Numa pequena elevação ao lado da catedral será colocado um cruzeiro de 12 metros e, na área envolvente, serão plantadas 50 mil árvores. Significa uma das mais relevantes intervenções arquitectónicas do Nordeste nos últimos tempos.

De ora em diante será ali que terão lugar as celebrações mais representativas da Diocese, desde as Ordenações, Crisma, Páscoa, Natal e outras como a Bênção dos finalistas universitários e Dia da Juventude.

Ano jubilar

A inauguração foi sendo preparada com conferências, exposições e visitas do Bispo a todas as comunidades, no decorrer deste ano jubilar. No dia 19, domingo, iniciou-se a Semana Jubilar com encontro da Juventude sob o lema «Eu aposto na Vida». Na manhã do dia 22, 450ºaniversário da Diocese, houve assembleias com os padres e diáconos, orientada por D. Albino Cleto, bispo auxiliar de Lisboa, uma outra com religiosos e religiosas, e outra ainda com cooperadores paroquiais.

De tarde, foi o grande desfile desde a Sé velha e passando pelos diversos locais para onde estivera planeada tal construção, até se chegar ao novo templo. Toda a diocese ali acorreu, numa extraordinária demonstração de unidade. Seguiu-se a Eucaristia de inauguração. À noite, houve uma conferência pelo Prof. Veríssimo Serrão que falou sobre o contexto histórico do tempo da criação da Diocese.

Na homilia da inauguração, D. António lembrou que «quem não faz memória, não prepara o futuro... e não faz história», exolicando que o contacto que tivera com as mais de 600 aldeias da diocese servira exactamente para avivar essa memória de povo de Deus «actuante em todo o Nordeste» e que agora tem na Catedral o sinal da misericórdia de Deus. E acentuou que é bem expressivo aquele movimento ascensional que do chão nordestino, «desde as profundezas da cripta», agora se levanta «até aos esplendores da cruz glorificada».

Para trás ficcaram tentativas de construção em 1770, 1800. 1977 e 1965, mas que deram alento para, em 1981, há 15 anos se iniciar a obra de um povo de 150 mil pessoas, disseminadas por mais de 600 povoações com o seu lugar de culto. E, ao mesmo tempo, foram construídas nove igrejas e mais de 60 centros sociais e paroquiais, o que é bem revelador da capacidade empreendedora do povo nordestino.

Concluiu D. António que, depois de duzentos anos à espera, esta Diocese se vê, pela primeira vez, «a descobrir a Catedral como Casa-Mãe da Igreja particular, referencial constante para uma nova imagem da Diocese, pela promoção eclesial dos leigos e pela reestruturação paroquial». E, de olhos postos em cada uma das representações que ali acorreram como verdadeiros «amigos da Catedral», proclamou: «Magnificat, Igreja Nordestina! Glorifica o teu Senhor pelas maravilhas que operou em ti, ditosa Bragança-Miranda!».


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