Pio XI, em 20 de Abril de 1922, respondeu afirmativamente ao pedido feito em 1917 pelo Arcebispo de Braga D. Manuel Matos e, de 257 paróquias desmembradas das dioceses de Braga, Lamego e Bragança, fez uma nova diocese que coincide com o distrito de Vila Real e tem agora mais sete paróquias. Era uma área de poucos recursos, mas com gente capaz de assumir a sua identidade. De então para cá, teve como administrador apostólico o próprio D. Manuel Matos, que era natural de Poiares da Régua, e como bispos (nas fotos) D. João Vidal, D. António Fonseca, D. António Cunha e agora D. Joaquim Gonçalves.
Desde 1968 que esta diocese tem uma
ligação muito grande com a do Porto, pois os alunos
de Teologia, actualmente são 22, bem como os de Bragança,
estão no Seminário Maior do Porto e frequentam a
Universidade Católica no Porto. O clero destas dioceses
forma-se, assim, «na mesma casa» onde tem estado sempre
um padre de Vila Real, como aconteceu com D. Gilberto Canavarro,
agora bispo auxiliar no Porto, Mons. Amândio Tomás
e com o Doutor António Marto.
Diocese, um povo
Desde 1953 que teve um papel de primeira grandeza eclesial e social, em Vila Real, o Seminário. Por ali passaram já três mil alunos, 250 dos quais foram presbíteros. A diocese tem agora 144 padres, sendo 93 párocos. A maioria tem mais de 65 anos, numa diocese que, nos últimos seis anos, ordenou nove padres.
Ao longo destes anos fizeram profissão religosa 397 senhoras, algumas das quais na vida contemplativa, havendo agora 148 religiosas dispersas por todo o país. O ramo masculino contou com 179 consagrados, sendo hoje 82. E desta «porção do Povo de Deus» sairam três bispos: um espiritano, um beneditino e um secular, D. Gilberto. A diocese tem actualmente 38 missionários/as e, na sua área, trabalham 142 religiosas, agrupadas em 42 pequenas comunidades de dez congregações.
Muitas foram as mudanças operadas nesta região, ao longo deste tempo. E foi numa vontade de proporcionar a esta gente um melhor cuidado pastoral que se criou a diocese, ou seja, uma «comunidade de pessoas e carismas» em que se encontra «todo o mistério da Igreja», dando a um povo com valores e tradições semelhantes um Bispo para a congregue e assim acolha os dons do Espírito de Deus. E uma tal necessidade tornou-se agora mais evidente pela criação da Universidade, de escolas superiores, hospitais e sobretudo pelo grande fluxo de pessoas trazido pelo IP4. A Sé ficou na igreja conventual de S. Domingos, sede da paróquia da freguesia de S. Dinis.
As celebrações dos 75 anos, que contaram com a ordenação do P. João Curralejo, serviu para que toda a comunidade diocesana tomasse mais consciência do que representa ser comunidade, entre outras comunidades, e na unidade de que o Papa é sinal visível. As pequenas representações vindas dos 14 concelhos da Diocese levaram a festa a Vila Real. E as sessões culturais a realizar por toda a diocese darão a conhecer a brilhante, ainda que breve como diocese, história deste povo de Trás-os-Montes e Alto Douro. Em Vila Pouca de Aguiar terá morrido em 1108 S. Geraldo, que fora Bispo de Braga.
Entre as obras materiais merece realce o Seminário, em terreno comprado e que se tornou escola de formação, paço episcopal, cúria diocesana e sede do semanário «A Voz de Trás-os-Montes». Depois da recente construção da nova Casa episcopal, aparece como primeira necessidade a construção de um centro pastoral que, além do Centro Católico de Cultura, sirva para a realização de encontros, retiros e outras actividades. É que, de espaço rural, esta diocese está a tomar rapidamente as características deste tempo, pelo desenvolvimento da indústria e do comércio, e pela própria emigração. E os modernos meios de comunicação colocaram esta gente «no coração do mundo», o que exige mais apoios à formação das pessoas, para que não sejam vencidas pelo secularismo, subjectivismo e individualismo.
O que é uma Diocese?
Num tempo em que as pessoas vivem centradas nas actividades do mundo, parecendo ter esquecido o Céu, importa formar gente que cumpra os seus deveres terrenos mas esteja aberta «à outra dimensão», como lembra D. Joaquim na sua Carta Pastoral. Assim eles saberão defender os direitos dos mais pobres, o que faz parte da mensagem cristã.
Acrescenta D. Joaquim que é necessário ainda explicar às pessoas o que é uma diocese, pois até ao Concílio era entendida sobretudo como «administração eclesiástrica» e o Bispo como «representante do Papa». Hoje, «numa eclesiologia de comunhão», será preciso saber integrar os carismas, ministérios e outras formas de participação. E se as pessoas vêem sobretudo a parte administrativa, será preciso ajudá-las a perceber que a diocese é muito mais, ou seja, uma concretização do mistério de Deus, «que procura o homem» e vai ao encontro dele. O dinamismo desse povo «é obra do Espírito Santo».
A diocese não é «uma secção» da Igreja Universal, mas esta «toma corpo e vida» em cada diocese que, confiada a um bispo e com o apoio dos presbíteros, leva o Evangelho e a Eucaristia ao povo de Deus. O Bispo não é «representante do Papa», nem as dioceses de um país dependem de qualquer «chefe» nacional. Assim, as dioceses são de igual dignidade e a incarnação da Igreja num local, não havendo bispos nacionais, nem igrejas nacionais.
Cada diocese deve, assim, ter a tonalidade própria da sua gente, o que exige que a marca dos leigos e das famílias se faça sentir.
Compreende-se, assim, o grande empenho de D. Joaquim na renovação diocesana, promovendo «a co-responsabilidade dos fiéis dentro da Diocese» e a missão evangelizadora desta no mundo. Nesse sentido foram apontadas algumas acções que levem a diocese a tornar-se cada vez mais uma «comunidade orante» que escuta a Palavra de Deus - foram programados cursos de iniciação à Bíblia, para um melhor conhecimento de Jesus Cristo, e grupos bíblicos - e uma comunidade estruturada com conselhos económicos e pastorais. D. Joaquim apelou ainda à organização de grupos de leigos que façam «a osmose entre o Evangelho e a Cultura», pelo intercâmbio entre a Fé e as realidades locais, o que é bem mais do que dar apenas atenção aos actos de culto. E apontou para já com a realização de sessões culturais, exposições de arte sacra sobre Jesus Cristo e restauração dos velhos cruzeiros.
Lembrando que «sem memória não há vida adulta», D. Joaquim apelou a uma digna celebração das bodas de diamante da diocese e ainda para que casais e consagrados assinalem também os seus 25 e 50 anos de consagração, na linha das advertências do Papa João Paulo II para preparar bem o novo milénio. Vila Real quis assinalar o seu aniversário procurando conhecer melhor «Jesus Cristo, único salvador ontem, hoje e sempre».
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