Antes da celebração realizou-se uma majestosa procissão a que presidiu D. Maurílio, bispo de Évora. Em vibrante saudação lembrou o Papa e a mensagem que enviara, e também D. António Ribeiro que está a celebrar 25 anos de acção pastoral em Lisboa.
Seguiu-se a solene Concelebração, ao ar livre, no centro de Vila Viçosa, tendo o cardeal D. António sublinhado na homilia como é necessário «respeitar e promover a dignidade sagrada do trabalhador do campo, garantir-lhe emprego estável e condições humanas de trabalho, além de assegurar-lhe um salário mínimo justo». E, seguindo a palavra do Papa, salientou que «o mundo de hoje tem uma carência desesperada de Deus», cabendo à Igreja «promover verdadeiros centros de oração, autênticos oásis de Deus» em tempos de graves problemas como os de «uma cultura de cariz materialista e secularista» e de laicização da vida, bem como do aparecimento de seitas e de fenómenos pseudo-religiosos. E acrescentou que esta situação redunda «num vazio existencial, na perda do sentido da vida e na falta de esperança», o que só se resolve com uma séria vivência cristã, pessoal e comunitária.
O Papa João Paulo II enviou ao arcebispo de Évora uma mensagem saudando o povo português e recordando a visita que fizera àquele santuário em 14 de Maio de 1982. E faz referência às ligações históricas do nosso país a Nossa Senhora, desde o voto feito por D. Afonso Henriques e a renovação desse voto feita por D. João IV, tomando como padroeira «a Santíssima Virgem Nossa Senhora da Conceição», o que foi confirmado por Clemente X em 8 de Maio de 1671.
A partir daí a imagem da Senhora da Conceição foi colocada nos paços e nos tribunais mas também nas casas de muitas famílias e em muitos santuários como o Mosteiro da Batalha e dos Jerónimos. E o Papa recorda também a aparição da Virgem na Cova da Iria em Outubro de 1917, pedindo que deixem de ofender a Deus. E também a renovação da consagração feita à Virgem em 13 de Maio de 1931, «num acto de filial vassalagem de fé, amor e confiança».
Por isso, o Papa exorta todos os cristãos «a entregarem-se à Virgem Mãe, pensando que o próprio Deus fez o mesmo quando veio ao encontro dos homens». Se assim for, a pessoa será «um oásis de Deus, uma ponte entre a terra e o céu, um coração humilde» que reza confiante. Salienta ainda que a comunidade primitiva teve a presença da Mãe de Jesus e que para isso acontecer hoje também cada cristão deve fazer diariamente a sua consagração à Virgem Maria, rezar o Terço em família, cumprir o preceito dominical, escutar o magistério da Igreja. Conclui a mensagem do Papa que todos os que se prezam do nome de cristãos devem colocar Deus em primeiro lugar na vida pessoal, familiar e social. E concedeu à Igreja e a todos os peregrinos daquele dia uma particular Bênção Apostólica.
A proclamação da Padroeira de Portugal foi feita nas Cortes de 25 de Março de 1646 em acção de graças pela libertação de 60 anos de domínio de Castela.
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