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| "Não falemos mais de acaso nem de sorte, ou falemos deles somente como de nomes com que encobrimos a nossa ignorância". |
| Bossuet |
Já em 1128 se comemorava o S. João em 24 de Junho.
Foi nesse dia que Afonso Henriques mais uns quantos barões
portucalenses venceram as tropas do conde Fernão Peres
de Trava, em S. Mamede, nas imediações de Guimarães.
Com avanços e recuos, a sorte das armas e a deliberação
da gente de Entre-Douro e Minho decidem o vencedor e criam uma
nação que - pequena e pobre - talvez por isso mesmo,
com o rodar dos séculos, veio a dar novos mundos ao mundo.
Pela tarde, a mocidade da época festejava com folguedos
sobre o próprio campo de batalha, o acontecimento jubiloso.
Historiadores da época registam a coincidência da
festa litúrgica de S. João Baptista com a data da
decisiva batalha. Pretendia-se com isso, assinalar que andou ali
a intervenção divina: tal como S. João anunciara
a vinda de Cristo, como que se anunciava agora no mesmo dia de
S. João também um novo reino, fadado para expandir
a mesma doutrina cristã ao longe e ao largo.
Ousada, talvez abusiva, esta história escrita pelos cónegos
regrantes de Sta. Cruz de Coimbra insiste em que, aos olhos de
Deus, o Poder não podia continuar nas mãos de D.
Teresa, a adúltera, vivendo em pecado.
Não admira nem escandaliza esta interpretação
providencialista da história. Até nos duelos se
entendia que o vencedor era ditado pelo juízo de Deus.
Uma forma, afinal, de eufemizar e desculpabilizar o barbarismo
dos costumes. O homem sempre se preocupou em arranjar justificações
para os seus actos falhados e a religião tem servido, para
isso, à maravilha.
Hoje, porém, esta seria uma interpretação
reducionista da intervenção de Deus na história
dos homens; uma interpretação ímpia. A primeira
tarde portuguesa não é expressão da vontade
de Deus. Portugal germinou, nasceu e cresceu pelo voluntarismo
de D. Afonso Henriques e pela vontade livre dos portugueses.
É outra a interpretação que se faz. O que há de notável na batalha do dia de S. João, é que ela traduz a coesão social dos ricos-homens de Entre-Douro-e-Minho, - a classe política da época - apostados em conjunto na rejeição da tutela da Galiza, de Castela ou de Lião; uma coesão que vinha demonstrar a inviabilidade dum reino que englobasse a Galiza e Portugal; um movimento duradouro, pois, que resiste por séculos a vicissitudes várias, germe duma consciência nacional que entretanto se desenvolve. E que pode igualmente extinguir-se. Não se fala já duma região europeia aglutinando Portugal e a Galiza?
Podem invocar-se como argumentos a continuidade geográfica,
a afinidade de costumes, a proximidade da língua, a convergência
de interesses. De outra banda, a tradição histórica
e a geografia que nos separam, também pelo Rio Minho -
que alguém chamou Contorno de Portugal, Rio Genesíaco,
Rio Galego... porque nasce na Galiza para nos empurrar para fora
dela. Mas ninguém invocará hoje argumentos providencialistas.
É que a Providência de Deus, de facto, rege a marcha
do Mundo - "Até os cabelos da vossa cabeça
estão contados" Mat. 10 - 31 - mas projectando
os seus fins na eternidade e em conformidade com a natureza do
mundo e do homem. E este, com a liberdade que Deus lhe deu, ora
invoca o S. João para justificar o portuguesismo, ora esquece
a religião e faz do S. João casamenteiro de velhas.
O drama da história, porque protagonizado por seres livres, inclui também o disparate.
| Ernesto Campos |
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Maturidade, sentido de responsabilidade, pontualidade, espírito de ordem e diligência, asseio e honestidade são qualidades que se exigem a quem deve receber, orientar e encaminhar pessoas e ordenar coisas: a eles, particularmente, que devem merecer a confiança dos outros e tratar com o sagrado.
Uma grande capacidade de relação humana - compreensão, serenidade, ponderação - e de trato, nomeadamente para o trabalho em equipa: o sacristão deve saber cooperar com todos, particularmente acólitos, leitores, cantores, sacerdotes, zeladoras, etc.
As virtudes da paciência - como todos os que têm como
ofício o atendimento público (com os fiéis
que estão sempre a perguntar os horários ou os sacerdotes
que deixam as coisas fora do lugar) - e do bom humor.
Importa também possuir alguma preparação técnica:
- saber usar os instrumentos electrónicos para a iluminação e megafonia, etc..
- adquirir sensibilidade e bom gosto para a disposição do espaço litúrgico, arranjo floral, ornamentação, etc..
- se também for o caso, obter os conhecimentos necessários de serviço de cartório.
Deve possuir suficientes conhecimentos litúrgicos e
actualizá-los:
- Conhecer o que é a celebração litúrgica, os seus momentos culminantes, a sua dinâmica, as características dos diversos tempos litúrgicos e festas.
- Conhecer os diversos textos do Missal e as diversas possibilidades rituais.
- Ter conhecimento, a tempo e em pormenor, do tipo e do desenrolar concreto da celebração, a fim de prever e preparar tudo, de modo a que nada seja deixado ao improviso ou à sua intervenção de última hora, dentro da própria celebração, de forma sempre inesperada e desajeitada.
Para completar o retrato importaria sublinhar a qualidade da
sua fé:
Terá de precaver-se, constantemente, contra o perigo inegável de uma excessiva familiarização com o sagrado e da rotina lhe trazer perda da sensibilidade. Deve ser sempre a fé a estimulá-lo e a animá-lo a realizar o seu serviço e a ajudar a comunidade cristã no momento privilegiado da sua existência que é a celebração litúrgica.
- A forma como se movimenta, no presbitério ou no espaço da igreja, antes, durante ou após a celebração, deve manifestar a verdade da sua fé.
- O modo como manipula os objectos (vasos, livros, etc.), o cuidado com que trata das coisas sagradas (a lâmpada do santíssimo, o acender das velas), mesmo as mais simples, denotam o respeito (que é uma expressão da sua fé) que lhe merecem.
- O zelo pela limpeza e pela ordem, pelo silêncio e recolhimento são o testemunho de quem crê e adora.
- Mesmo os serviços mais simples (pôr flores, acender luzes, manter o altar limpo, dar informações, etc.), o sacristão pode convertê-los em verdadeiros actos de culto a Deus e em magníficos testemunhos de fé para os irmãos.
Um bom sacristão desempenhará sempre as suas tarefas
com amor e também humor. Não pode ser um funcionário,
mas um verdadeiro amador, que ama a sua igreja e a sua comunidade,
que atende pacientemente, compreende e desculpa magnanimamente,
que transmite uma natural tranquilidade e alegria, uma fé
viva e incarnada.
| S. D. L. |
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Referindo-se à guarda, estudo e conservação das catacumbas, João Paulo II recordou que, desde os alvores do cristianismo, os sucessores de Pedro se preocuparam com estes lugares que, sobretudo na Idade Média, se tornaram grandes lugares de peregrinação e de devoção. Nos finais do século XVI, com o apoio da «grande personalidade de São Filipe de Néri» foram feitos estudos sistemáticos que muito ajudaram a conhecer a Fé dos cristãos primitivos..
João Paulo II, referindo-se à obra do seu predecessor Pio IX que criara uma Comissão para a criação da arqueologia sacra como uma «nova disciplina histórica e científica», acrescentou que é necessário que os grandes conjuntos sepulcrais dos primeiros cristãos se tornem, juntamente com as basílicas patriarcais romanas, «uma meta irrenunciável para os peregrinos do Ano Santo».
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A principal finalidade dos trabalhos, a que presidiu o Cardeal Roger Etchegaray, foi sugerir algumas linhas de reflexão e de acção a nível mundial, com vista à celebração em 1997, primeiro ano do triénio de preparação para esse grande acontecimento. Como observou João Paulo II, será «uma ocasião preciosa para evidenciar e relançar os objectivos prioritários do Ano Santo» que são os de «fortalecimento da fé e do testemunho dos cristãos». E tanto mais quanto certos problemas de organização, tratados na fase ante-preparatória, levaram os meios de comunicação social a sublinhar, de modo relevante, os aspectos meramente exteriores do Jubileu, ligados ao acolhimento dos peregrinos e à realização das necessárias infra-estruturass logísticas.
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