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| Certos prazeres (...) só nos enchem completamente a alma quando chegam a tocar-nos na esfera central da vida, naquela região onde nos levamos mais a sério a nós mesmos. |
| Max Scheller |
Explicamos estas experiências como episódios soltos
da nossa história pessoal que, entretanto, se desenrola
em prosaica e trivial habitualidade. Procuramos mesmo, deliberada
e conscientemente, que a nossa habitualidade não seja perturbada
por reaacções emocionais; queremos a vida logicamente
racionalizada, metodicamente organizada, silogisticamente explicada.
E, todavia, no plano do viver espontâneo, não podemos amputar da vida a dimensão afectiva; não fugimos, pelo menos, a um primeiro registo da emotividade: a marca agradável ou desagradável que as nossas experiências sempre têm. Vibrar com a vitória do nosso clube no futebol; entusiasmar-se no trabalho com os projectos realizados; disputar com mais ou menos lealdade a promoção na carreira profissional; envolver-se num conflito, ainda que só verbal, por causa do trânsito ou com o vizinho barulhento; ganhar dinheiro ou mergulhar na leitura dum livro interessante; comprar roupa ou comer chocolates - são as formas múltiplas e mais elementares de captar o gosto que a vida tem.
Mas há outros registos, além do agradável
e desagradável. Coisas há, e pessoas e situações,
com que simpatizamos por serem nobres, isto é, por
se distinguirem das coisas vulgares. Deus, Pátria,
Família não são slogan de ideologia política,
são valores constituintes do limite que abrange e explica
a relação emotiva originária entre as pessoas.
O encontro de negócios para cuidar das vulgares necessidades
da vida não nos seduz; o encontro festivo de familiares
e amigos que comemoram vivências comuns ou se envolvem num
projecto conjunto ou simplesmente querem fruir a simpatia que
nutrem uns pelos outros, isso empolga-nos pelo que tem de gratuito
e nobre.
Num outro registo, falaríamos do sentir espiritual
, em que se situam os valores estéticos e do conhecimento
puro. A obra de arte que se contempla e nos comove, porventura
até às lágrimas; a verdade que se desvenda
- e se frui - mais na intuição do que no discurso.
O registo supremo desta emotividade in crescendo é o sentido do sagrado, o domínio dos valores religiosos. Sirva de exemplo a Procissão do Corpo de Deus que há dias se realizou no Porto. Que valor tem uma procissão? É manifestação genuína de fé ou tão-só expressão triunfalista, confundindo o cívico com o religioso, o profano com o sagrado, como a tradição histórica indicia?
A resposta talvez esteja na citação de Max Scheller
apresentada em epígrafe: toca-nos na esfera central
da vida, onde nos tomamos mais a sério... e nos comovemos.
Então vale.
A tradição do pensamento neo-escolástico
católico enjeita este emocionalismo e recusa reduzir
o conhecimento dos valores a um acto de puro sentimento. E a
história da mentalidade ocidental conduz-nos a menosprezar,
deliberada e conscientemente, o sentimentalismo.
Todavia, quer no viver espontâneo da habitualidade, quer
nos momentos singulares que pontuam a nossa história pessoal,
é a experiência afectivamente vivida do valor mais
ou menos elevado das coisas que dá sabor à vida.
Em muitas almas, a Procissão do Corpo de Deus terá
sido ocasião privilegiada de saborear a superior
emoção religiosa.
| Ernesto Campos |
| Início |
Quem hoje participa na Missa, após a, por vezes relativamente longa, liturgia da Palavra (sobretudo a homilia), nem chegará a aperceber-se que a Fracção do Pão (o gesto de Jesus: «partiu o pão» - anunciado, aliás em todas as missas) se realize. Isto acontece por diversos motivos:
antes de ser consagrado (isto é, antes de «pronunciar a acção de graças») já está partido, quando não acontece que a eucaristia distribuída é a da reserva (como se faz fora da missa);
enquanto a apresentação dos dons ou a preparação do altar ou a recolha das ofertas e a oração eucarística tomam o seu tempo, este rito passa despercebido entre outros, como mero rito preparatório, senão rubrica insignificante que se cumpre o mais subtilmente possível, para chegar à comunhão;
o próprio sacerdote que preside continua preso a uma rubrica anterior (que teima continuar por inércia imitativa) que ressalta mais a immixtio que a fracção, pois que partiu o pão, mas em vez de o distribuir, une-o novamente e comunga-o todo.
A perda de expressividade do rito da Fracção, que já deu nome à própria Eucaristia e que a reforma litúrgica do Concílio tanto se esforça por recuperar, justifica que por vezes se introduzam, neste espaço, outros gestos e outros cantos, sem sentido teológico-litúrgico e sem fundamento historico-litúrgico e contra a vontade da Igreja, fiel intérprete e depositária do mandato do Senhor: «fazei isto». Referimo-nos, particularmente, àqueles cânticos que emolduram ou substituem o Pai nosso ou ampliam o gesto da paz. De facto, quando perguntamos a simples fiéis quais são os principais elementos da liturgia eucarística, dificilmente mencionam a Fracção do Pão, com o Ofertório, a Consagração e a Comunhão. Por este motivo, temos todos a obrigação de reflectir serenamente sobre o assunto, ler ou reler o que a Igreja nos diz na Instrução Geral do Missal Romano e ter a coragem de mudar a nossa mentalidade quanto à forma de celebrar a Eucaristia e aplicar coerente e pedagogicamente as ilações tiradas.
A Fracção do Pão é um rito importante que não deve passar despercebido na celebração da liturgia eucarística. É um dos quatro elementos fundamentais da liturgia eucarística, a saber: Preparação das oferendas (vulgo, Ofertório - expressão menos exacta que o actual Missal evita); Oração Eucarística (oração de acção de graças e consagração); Fracção do Pão; Comunhão. Com estes elementos, a Igreja realiza o essencial do mandato de Jesus (IGMR 48). Este rito encontra-se em todas as liturgias cristãs, situado precisamente no coração da Missa, entre a oração eucarística e a comunhão (dão mostras de falta de senso e de saber litúrgico aqueles que, por mera iniciativa pessoal, partem o pão à consagração). Trata-se de um gesto realizado sempre por aquele que preside à celebração, como figura do próprio Senhor, porventura secundado por outros presbíteros. Este gesto teve, com certeza, uma finalidade utilitária (partir um só pão ou alguns pães para repartir por muitos), mas foi sempre o seu simbolismo que prevaleceu. A importância do rito vem-lhe das suas origem e significação. Este gesto evoca as refeições do Senhor, especialmente a última Ceia e dá rosto à nova comunidade, fundada na Sua ressurreição, pelo qual reconhece a presença do Senhor e se reconhece a si mesma (Cf. Lc. 24, 35; Ac. 2, 42). No conjunto da celebração, constitui um rito que pertence ao núcleo sacramental da Eucaristia e não um elemento meramente festivo ou utilitário.
| S. D. L. |
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D. Manuel Martins, bispo de Setúbal e Presidente da Comissão das Migrações, escreveu uma mensagem aos jovens portugueses emigrados em França, a propósito da Jornada Mundial da Juventude que, em 1977, se realizará em Paris.
«Vós bem sabeis que tendes o mundo na mão. Para o melhor e para o pior. Quereis, queremos todos, que seja para melhor. E bem preciso é, tendo em vista a teoria do 'vale tudo', que se instalou a todo o lado a nível dos comportamentos», diz D. Manuel Martins nesta mensagem.
Pedida pelo padre Abílio Cardoso, Reitor do Santuário de Nossa Senhora de Fátima, em Paris, a D. Manuel Martins, esta carta tem como objectivo os jovens portugueses ou de ascendência lusa a integrarem-se na grande festa da juventude que contará com a visita de João Paulo II. Neste contexto, o Presidente da Comissão Episcopal das Missões apelou aos jovens para aproveitarem a presença de João Paulo II e receberem com alegria jovens provenientes de todo o mundo e também de Portugal. E concluiu: «Sei como são os jovens e, nomeadamente, os jovens portugueses: atentos, felizes, generosos e hospitaleiros, irão fazer dessa jornada um acontecimento que nunca mais esquecerão».
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