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Caminhar pode ter um sentido prático, utilitário (deslocar-se de um lado para o outro, movido por alguma necessidade) ou um sentido simbólico (exprimindo o desejo de mudança, de procura ou de passagem, com perspectivas ora utópicas ora transcendentes) ou, ainda, englobar os dois sentidos. A celebração que, por sua natureza não é utilitária, integra o movimento de forma a que o sentido simbólico absorva o sentido prático. Mas, na celebração litúrgica, é o homem peregrino (viator) que exprime a dimensão pascal (o trânsito ou a passagem), profundamente inscrita na história humana, pelo mistério pascal de Cristo.
A liturgia prevê vários movimentos, quer na Eucaristia, quer nos sacramentos e sacramentais, quer do decurso do ano litúrgico, quer, finalmente, na simples expressão religiosa cristã.
Na Missa, há quatro procissões que pontuam o ritmo da celebração: a entrada do Presidente com os ministros, antes do evangelho, precedendo a apresentação dos dons e para a comunhão. Quer incluam ou não todos os presentes, implicam-nos sempre. As orientações litúrgicas prevêem, entretanto, que alguns fiéis se possam incorporar nestas procissões. Por exemplo, na procissão de entrada: algumas crianças, nas missas com crianças (Cf. Directório, nº 34), os confirmandos, os que vão fazer a sua profissão religiosa, os ordinandos, os noivos; na procissão de evangelho: algumas crianças (Cf. Directório, nº 34); na procissão com os dons: alguns fiéis; e na comunhão.
No Baptismo, há três procissões (que o sentido prático de alguns celebrantes tende a abolir): da porta da igreja para o lugar da palavra, do lugar da palavra para o baptistério, do baptistério para altar. Nas ordenações e nas profissões religiosas, para além da entrada solene dos protagonistas, há o "passo" dos chamados que se aproximam do bispo ou do seu superior religioso. Nas exéquias, o cristão é levado de sua casa para a igreja e da igreja para o cemitério. Embora, o referido sentido prático tenda a abolir estas procissões, ao menos insista-se na procissão da igreja para o cemitério ou na passagem pela igreja, como forma expressiva de realizar a "última viagem".
Ao longo do ano litúrgico, a liturgia convida-nos a caminhar em procissão. No dia 2 de Fevereiro, na Apresentação do Senhor, indo ao encontro d'Aquele que é a luz das nações; na Sexta-feira santa, para adorar a Cruz; na Vigília pascal, seguindo o Círio pascal, símbolo de Cristo ressuscitado, vencedor das trevas; no Domingo de ramos, seguindo Cristo que inaugura a Sua Páscoa; no exercício da Via sacra, em comunhão com o Servo sofredor, Cristo, que nos convida a tomar a nossa cruz.
Fora da igreja, pelas ruas das aldeias, vilas e cidades: a procissão do Corpo de Deus, as procissões da semana santa, as procissões que acompanham as imagens da Virgem ou de algum santo, as rogações e, recentemente, a Igreja vem recomendando a recuperação das estações quaresmais.
A procissão é um riquíssimo
elemento de participação popular e educativo do
estilo peregrinante, radicalmente inserido na visão cristã
da vida e da Igreja. Por isso mesmo, porque
não valorizar a procissão (a começar pelas
da Eucaristia), nomeadamente como elemento pedagógico e
participativo, neste nosso tempo em que tanto se fala de evangelização
e de participação litúrgica? Como dizia Romano
Guardini, caminhar "pode converter-se em verdadeiro acto
de culto". Caminhar com serenidade, resolutamente, sem
arrastar-se, erguido, com equilíbrio estável: "quanta
nobreza encerra um bom caminhar!". O Directório
para as missas com crianças (e é nesta idade que
se faz, também, a verdadeira educação litúrgica)
diz que "entre as acções que se entendem
como gestos, merecem especial menção as procissõesError! Reference source not found."
(Cf. nº 34).
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