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Na morte do Padre Manuel Romero

Morreu o Padre Manuel Romero Vila, companheiro de trabalho nesta igreja da Trindade, Porto, desde há já quinze anos. A sua morte, para além da perda de um amigo e de um colaborador inestimável, despertou em mim algumas reflexões. A morte dos outros, especialmente daqueles que nos são mais próximos, é sempre um motivo de interpelação para nós. É certamente por isso que neste nosso tempo se procura ocultar a morte, porque o homem de hoje não quer pensar, quer apenas viver.

Nunca tive oportunidade de falar com o Padre Romero sobre a morte. Por isso, não sei o que ele pensaria sobre o tema. Só sei que, há algum tempo a esta parte (depois da morte de seu irmão ? sacerdote como ele), o Padre Romero como que deixou de viver. Deslocava-se aqui e ali, não estava encamado, mas não é certo que tivesse consciência de ainda pertencer a este mundo. E a morte surgiu serenamente, como o apagar de uma lâmpada, como algo que ele já esperasse, como o fim natural de um processo evolutivo de degradação do corpo. O espírito, esse pairava já no limiar de outras regiões.

A Escritura diz que a morte entrou no mundo pelo pecado. É legítimo então pensar que, não fora o pecado, o homem evoluiria talvez desta forma: a degradação do seu organismo biológico teria de dar-se, já que é comum e por isso natural a todos os seres biológicos que conhecemos, mas seria acompanhada da libertação do espírito de todas as limitações impostas pelo corpo material em que está inserido, para assumir uma outra forma de corpo ("espiritual"? como diz S. Paulo), semelhante ao corpo ressuscitado de Jesus Cristo. Isto não passa de uma fantasia, como é evidente.

O que já não é fantasia, porque é objecto da nossa fé, baseada na palavra e na experiência de Jesus Cristo é que todos estamos destinados a uma espécie de ressurreição semelhante à dele, que não é a ressuscitação do nosso corpo material. "Teu irmão ressuscitará", diz Jesus a Marta. E acrescenta: "eu sou a ressurreição e a vida". Como Filho de Deus, ele não tinha a vida por participação na criação contingente, mas por natureza própria. E esta vida não pode ser destruída pela morte. No entanto, ao assumir a natureza humana, assumiu também a vida contingente própria do homem e, por isso, pôde morrer, ainda que essa morte não pudesse ter o carácter de algo de definitivo, em virtude da união da humanidade com a divindade. Por outro lado, se lhe "emprestamos" a nossa condição de homens mortais, ele comunicou à nossa natureza humana, que assumiu, a sua condição divina de ser "ressurreição e vida". Nestas condições, acreditamos e esperamos que, morrendo embora como ele morreu, ressuscitaremos também como ele ressuscitou para uma vida mais perfeita, vivida agora fora do tempo e do espaço, sem as limitações e as imperfeições da condição actual da nossa existência, porque será participação da própria vida de Deus. Se é certo, assim, que o homem nasce para morrer, como tantas vezes se diz, também podemos dizer que, em Jesus Cristo e por Jesus Cristo, o homem morre para viver.

A degradação do nosso ser biológico é sempre dolorosa, mas nós esperamos que ela não seja a degradação definitiva de todo o nosso ser. E se é certo que este anseio brota do mais profundo de nós próprios, de tal forma que nos recusamos a aceitar a ideia do desaparecimento definitivo da nossa personalidade, a fé na ressurreição não é um produto desse anseio, uma utopia nascida de uma imaginação fértil, mas algo que já começou para a humanidade, pelo menos na pessoa de Jesus Cristo.

Esta fé e esta esperança não retiram à morte o seu carácter doloroso. O próprio Jesus Cristo chorou diante do túmulo do seu amigo Lázaro. Esta é a nossa experiência, a experiência de quem ainda não passou pela morte. O que se passa com os que morrem, no momento mesmo da morte, escapa-nos totalmente, porque os mortos não falam. Mas hoje fala-se frequentemente em luz, como antes se falava nas "melhoras da morte". É claro que devemos distinguir o processo de morrer, que pode ser mais ou menos doloroso e a ideia mesma de morte, que nos angustia pela incerteza desse processo que nos conduzirá à morte ou pelo que representa de ameaça de destruição de tudo o que foi a nossa vida, desde as relações com os nossos familiares e amigos até tudo aquilo que fomos construindo ao longo da vida, devemos distinguir, repito, o processo de morrer da morte em si própria, que desta não sabemos absolutamente nada.
Gonçalves Moreira
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Escola Diocesana de Ministérios Litúrgicos

Inscrições, ainda, até ao próximo dia 12, 6ª-feira, no S. D. L. - Seminário de Vilar, Porto

Estão abertas as inscrições para Escola Diocesana de Ministérios Laicais para a Liturgia, relativas ao ano lectivo de 1997/98, até ao dia 12 de Setembro. Fundada pelo Secretariado Diocesano de Liturgia e por ele orientada, ministra os Cursos de Acólitos, Leitores e de Música Litúrgica. A Escola Diocesana tem a sua sede no Seminário Maior do Porto e os Cursos, de duração trienal, são leccionados, preferentemente, aos sábados de manhã e de tarde, de Outubro a Junho. Estes cursos destinam-se a religiosos e leigos que já são ou queiram vir a ser animadores das celebrações litúrgicas.


Curso de Acólitos

Destina-se a dar formação para o serviço litúrgico do altar e da presidência na celebração da Eucaristia e dos outros Sacramentos e sacramentais. Disciplinas: Introdução à História da Salvação, Liturgia, Introdução à Simbólica Litúrgica, Arte e Liturgia, Arte de Movimento e expressão corporal, Cerimonial e Actividade de Conjunto. Requisitos: 11º ano ou cultura equivalente e apresentação dos párocos ou responsáveis da Comunidade.


Curso de Leitores

Destina-se a dar formação para o serviço litúrgico da Palavra (leitores, comentadores, etc.). Disciplinas: Introdução à História da Salvação, Liturgia, Introdução à Sagrada Escritura, Leccionário, Arte de Dizer, Proclamação Litúrgica, Leitura em Coro e Actividade de Conjunto. Requisitos: 11º ano ou cultura equivalente e apresentação dos párocos ou responsáveis da Comunidade.


Curso de Música Litúrgica

Destina-se a dar formação para o serviço litúrgico do Canto e da Música (organistas, directores de coro e de assembleia, salmistas, cantores, etc.).

- Curso Preparatório - Destina-se a preparar os candidatos ao Curso de Música Litúrgica. Disciplinas: Educação musical, Piano, Coro e Actividade de Conjunto. Requisitos: 9º ano ou cultura equivalente, aprovação em teste de aptidões musicais (voz e ouvido), idade inferior a 26 anos e apresentação dos párocos ou responsáveis da Comunidade.

- Curso Geral - Disciplinas: Introdução à História da Salvação, Liturgia, História da Música Sacra, Órgão, Harmonia, Direcção, Coro e Actividade de Conjunto. Requisitos: 11º ano ou cultura equivalente, aprovação em teste de aptidões musicais (voz e ouvido), educação musical e piano, de acordo com o programa estabelecido pela Escola diocesana, e idade inferior a 30 anos e apresentação dos párocos ou responsáveis da Comunidade.

- Curso de Salmistas - Disciplinas: Introdução à História da Salvação, Liturgia, Arte de Dizer, Canto, Educação musical, Iniciação a um instrumento de tecla, Coro e Actividade de Conjunto. Requisitos: 9º ano ou cultura equivalente, aprovação em teste de aptidões musicais (voz e ouvido) e apresentação dos párocos ou responsáveis da Comunidade.
S.D.L.



As inscrições devem fazer-se na sede do S.D.L. [Seminário de Vilar - Casa Diocesana - R. Arcediago Van Zeller, 50 - 4050 Porto - Tel. 600 08 24] de 2ª a 6ª feira, das 14.30 às 17.00 horas. O candidato deverá levantar, aí, um impresso para inscrição que, depois de, devidamente preenchido, deverá ser entregue, com fotografia, taxa de inscrição e outra documentação.

Os alunos que se inscreverem pela 1ª vez deverão apresentar-se na Escola [Seminário Maior do Porto], no dia 13 de Setembro às 15 horas.

As aulas terão início para todos os alunos, no dia 27 de Setembro, às 9.30 horas.

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