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O Deus de Jesus Cristo

Quem por ventura tenha acompanhado aquilo que aqui se tem escrito sobre a revelação de Deus no Antigo Testamento, não O identifica, de forma nenhuma, com o Deus revelado em Jesus Cristo e por Jesus Cristo. O primeiro está mais próximo das palavras do Salmo 144: "O Senhor vela por aqueles que O amam e extermina todos os ímpios". O Deus de Jesus Cristo está mais de acordo com outro versículo do mesmo Salmo: "O Senhor é clemente e compassivo, paciente e cheio de bondade. O Senhor é bom para com todos e a Sua misericórdia estende-se a todas as criaturas".

    O Antigo Testamento revela os dois aspectos de Deus: o Deus tremens e o Deus fascinans. O Deus tremendo, que castiga severamente as infidelidades do Seu povo e a impiedade dos inimigos desse mesmo povo e o Deus fascinante, bondoso, compassivo, misericordioso, sempre disposto a perdoar.
    Como bem nota González-Carvajal, João Baptista, anunciando embora a proximidade da salvação iminente, faz, no entanto, avisos tremendos: "Raça de víboras, quem vos ensinou a escapar à ira iminente de Deus?". E acrescenta aquele autor: "A novidade de Jesus é que oferece a salvação aos pecadores dizendo-lhes que não é necessário aplacar primeiro a Deus... que Deus aceitava os pecadores, apesar das suas mãos vazias". E mais adiante: "João viveu como um penitente à espera do juizo implacável de Deus; Jesus, ao contrário, viveu festivamente, porque Deus tinha começado a reinar e não era, de forma nenhuma, um Deus de fogo e de vingança":
    A imagem que Jesus nos dá de Deus, em relação com os pecadores, é a de um "médico" bondoso, que se aproxima deles e que "come com eles". Um Deus que veio "para perdoar e não para julgar".
    Jesus vem instaurar o Reino de Deus. Mas este Reino tem características tão desconcertantes, de tal forma opostas às que são normalmente reconhecidas nos reinos deste mundo, que a sua missão, apesar de anunciada antecipadamente pelos profetas, não é reconhecida pelos líderes do povo: "veio para o que era seu e os seus não o receberam". Neste Reino, quem reina não é servido, mas coloca-se ao serviço dos outros. É Reino de paz e não de violência contra os inimigos. É Reino de justiça e não de distribuição injusta de benesses e honrarias. É Reino de amor, até à dádiva da vida, e não de promoção dos interesses próprios. É Reino de verdade, que deve ser afirmada e defendida, ainda que isso custe a própria vida. Os lugares mais próximos do Rei são para aqueles que tiverem a coragem de "beber o cálice amargo", que o próprio Rei haveria de beber".
    A lei fundamental desse Reino é o amor, tão abrangente, que inclui os próprios inimigos, à imitação do Senhor, "que faz nascer o sol sobre os bons e os maus e cair a chuva sobre os justos e os injustos", ou como o Mestre, que antes de morrer pedia o perdão para os seus inimigos: "Pai, perdoai-lhes, porque não sabem o que fazem".
    Nesse Reino, já não há judeus ou gregos, escravos ou homens livres. O próximo é todo e qualquer homem, mas sobretudo o mais carenciado. Por isso, o exemplo do homem que sabe amar assim é o samaritano, o estrangeiro.
    A lei de Moisés, que Jesus não vem abrogar, mas completar, não é mais opressiva para o homem, mas libertadora. O exemplo mais frisante é o do sábado, que "foi feito para o homem" e não ao contrário.
    Os humildes e os pequenos são os que têm mais aceitação diante de Deus: o publicano, que rezava com humildade, ao fundo do templo, longe do altar, saíu justificado.
    Da boca de Jesus saem apenas palavras de perdão: "os teus pecados são-te perdoados; vai e não tornes a pecar". De tal forma que o apóstolo S. João podia dizer mais tarde: "meus filhinhos escrevo-vos isto para não pecardes. Mas, se alguém pecar, temos um defensor junto do Pai, Cristo Jesus... que é propiciador pelos nossos pecados, e não só pelos nossos, mas também pelos do mundo inteiro".
    Jesus, vindo embora instaurar o Reino de Deus, revelou-nos a Deus como um Pai: "quando rezardes, dizei: Pai nosso..." Isto faz com que esse Reino seja sobretudo a afirmação da fraternidade entre todos os homens, fazendo da humanidade uma grande família em torno da paternidade divina.
Gonçalves Moreira
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"Em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo"

«"Em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo" - assim começa a missa e assim começam muitas das nossas orações. E não nos damos conta daquilo que estamos a fazer, talvez porque tenhamos pressa de rezar. Temos a impressão de que fazer o sinal da cruz não é rezar, mas um simples pórtico de acesso à oração. Não é que façamos um rabisco no ar, quase irreconhecível; fazemo-lo correctamente, mas sem calma, sem especial atenção, porque temos de recitar uma Ave Maria ou um Pai Nosso, ou estamos para celebrar a missa. No entanto, há poucos momentos de oração tão intensos, tão concentrados, como fazer o sinal da cruz».

É com esta reflexão que o biblista Luís Alonso Schökel inicia a sua catequese sobre o sinal da cruz na primeira de uma magnífica série de 12 meditações bíblicas sobre a celebração da Eucaristia. E logo a seguir, este grande mestre compara o sinal da cruz ao pórtico da glória da catedral de São Tiago de Compostela: seria inadmissível que um turista apressado entrasse pela nave sem primeiro se deter a contemplar o maravilhoso portal, correspondendo à saudação e acolhimento dos apóstolos nele gloriosamente esculpidos. Quantos de nós, levados pela rotina, não terão já incorrido nesta censura! Alguns até, porventura esquecidos de que somos corpo e cultura, ignaros da «lex credendi» veiculada pela «lex orandi» da Igreja (ou alérgicos a qualquer «lex»), omitem o gesto e as palavras que o acompanham e com um banal «bom dia» (ou outro lugar comum) desclassificam a solene assembleia do povo santo.

O respeito pela Assembleia litúrgica e pelo mistério que ela encerra exigem um modo de proceder bem diferente. Não se trata de um simples grupo de amigos, mais ou menos informal, mas do povo santo convocado e unido na comunhão trinitária. A Cruz é por excelência o «sinal do cristão». Quem o faz no início (e no fim) das principais celebrações litúrgicas e actos de piedade, repete a si próprio a catequese comemorativa de um facto fundamental na sua vida: foi iniciado nos mistérios de Cristo; é baptizado! Numa célebre conferência, o liturgista Balthasar Fischer explicitava em 10 temas o conteúdo desta memória, segundo o testemunho da Igreja antiga. Naturalmente, não é indispensável - será até raro - que quem faz o sinal da Cruz recorde sempre todos estes conteúdos. Mas embora tantas vezes apenas latente, a riqueza transbordante do gesto pode sempre vir ao de cima santificando com a sua marca toda a vida do cristão. Vejamos, brevemente, os 10 enunciados:

Grandes insídias ameaçam constantemente este sinal: a rotina, a inadvertência, o formalismo, a superstição. Sempre haverá que lutar contra estes perigos. Arma indispensável deste combate é a catequese litúrgica.
«Se fizeres o sinal da cruz, fá-lo bem feito. [...] É o sinal mais santo que existe. Fá-lo bem: devagar, rasgado, com atenção. Envolver-te-á assim todo o ser, corpo e alma, pensamentos e vontade, sentidos e acções e tudo nele ficará fortalecido, assinalado pela virtude de Cristo, em nome de Deus uno e trino» (Romano Guardini, Sinais sagrados, Braga 1962, 21-22).
S.D.L.
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Missa campal em Havana, Cuba

O cardeal Jaime Ortega presidiu no dia 29 de Junho, Domingo e dia de S. Pedro e S. Paulo, a uma Missa ao ar livre, na Praça da Catedral de Havana, em Cuba, onde será recebido o Papa em Janeiro próximo. Desde 1961 que isso não acontecia em Cuba, o que demonstra que muita coisa ali mudou, podendo agora respirar de alívio os quatro milhões de católicos, numa população de 12 milhões.

Cerca de cinco mil pessoas e algumas autoridades tomaram lugar na praça que estava ornamentada com as bandeiras de Cuba e do Vaticano, e uma grande gravura de João Paulo II apontava a visita que decorrerá de 21 a 25 de Janeiro. A presença da vice-ministra dos Negocios Estrangeiros e da chefe do Departamento de Assuntos Religiosos do Comité Central do Partido Comunista, Isabel Allende e Caridad Diego, bem como de outros dirigentes oficiais revela uma profunda mudança nas orientações de Fidel Castro que haviam levado ao encerramento das escolas católicas, à expulsão de padres e religiosas estrangeiras e à proibição do feriado do Natal, o que assinalou o fim da liberdade religiosa.

O Cardeal Arcebispo de Havana falou da visita do Papa como «semente de esperança» e classificou a Igreja em Cuba como sendo pobre de recursos e de padres mas «rica na Fé, humildade e perseverança e com uma firmeza mais eloquente do que mil palavras». Referindo que «algo de novo se deixa entrever desde o anúncio da visita do Papa», D. Jaime sublinhou quanto a Igreja de Jesus Cristo é diferente das religiões sincréticas afro-cubanas que são muito bem aceites pela população.

Foi distribuído às pessoas um texto de expliocação sobre o Papa e sobre o significado da sua visita, lembrando que não irá como turista, nem como político, nem como «remédio mágico para todos os problenmas», levando receitas e soluções. Ele irá «como Pastor universal da Igreja espalhada por todo o Mundo», sendo um homem de Fé e sucessor de Pedro. E explica-se quem é Jesus, a Igreja e o Papa como sucessor de Pedro.
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