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| "Só o homem tem capacidade para o trabalho e só o homem o realiza completando com ele a sua existência sobre a terra. Assim, o trabalho contém em si a característica particular do homem e da humanidade, característica de pessoa que opera na comunidade de pessoas; e tal característica determina a qualificação interior do trabalho e, em certo sentido, constitui a sua própria natureza" |
| «Laborem Exercens» |
Em 1 de Maio de 1886 nos Estados Unidos da América, uma
greve nacional generalizada e particularmente os tumultos de Chicago
reivindicavam um horário de trabalho limitado a 8 horas.
Vários grevistas foram levados a tribunal e alguns deles
pagaram a ousadia com a morte por enforcamento. Reaberto o processo
anos mais tarde, viriam os condenados a ser proclamados inocentes
das culpas pelas quais haviam sido executados. Em 1889, em honra
destes mártires do movimento operário, consagrava-se
o 1º de Maio como o Dia do Trabalhador.
Era ainda o tempo em que, no seguimento das grandes transformações
industriais dos Séculos XVIII e XIX, o progresso industrial
se desenvolvia com inteiro desprezo por tudo quanto significasse
atenção ao homem concreto, o próprio obreiro
desse desenvolvimento. Os capitães da indústria
faziam tábua rasa do progresso humano, que expressa e ostensivamente
sacrificavam ao crescimento industrial. Assim se exprime um empresário
da época, em resposta a inquérito oficial: "A
ciência da indústria consiste em obter de um ser
humano a maior soma possível de trabalho, recompensando-o
com o mais baixo salário".
E, já no nosso século, ainda esta mentalidade
semi-esclavagista e quase bárbara persistia ao prever-se
desastre total da indústria no dia em que a "direcção
de qualquer negócio se deixasse impressionar por considerações
tão mesquinhas como o cuidado pela conservação
individual dos trabalhadores" - assim se escreveu.
Nem o triunfo do liberalismo individualista e os seus discursos
inflamados, mesmo cometendo ao Estado o papel de árbitro
e moderador de conflitos, aboliu na prática estes princípios
desumanos. Permitiu-se a uns, conjuntamente com o poder económico,
assumir o controlo do poder político, enquanto a outros,
dando-se-lhes o direito de votar, se lhes negavam condições
de vida digna e verdadeiramente humana. Aos que trabalhavam por
conta de outrem era-lhes reconhecido o direito de morrer de fome.
Os trabalhadores acabam por tomar nas suas mãos o movimento
da sua libertação sob o signo da luta de classes.
Karl Marx, um intelectual judeu, incentiva à luta
- sangrenta se necessário: "Proletários
de todo o mundo, uni-vos".
Noutra linha, em 1891, o Papa Leão XIII, na Encíclica
Rerum Novarum definia: "Os ricos e os patrões não
podem tratar os operários como se fossem escravos, mas
respeitar neles a dignidade de homens e a natureza especial que
confere à sua pessoa o carácter cristão de
que estão revestidos. À luz da razão natural
e da filosofia cristã não se pode considerar vergonhoso,
nem humilhante para o homem, o trabalho assalariado que possibilita
ganhar honradamente a vida. O que realmente é desumano
e vergonhoso é abusar dos homens como se se tratasse de
simples coisas, de quem se procura tirar todo o proveito possível
e a quem se estima apenas na medida e proporção
do vigor dos seus braços". E citando a Bíblia:
"Eis que o salário que tendes extorquido por fraude
aos vossos operários clama contra vós; e o seu clamor
subiu até aos ouvidos do Deus dos exércitos".
Aqui e ali, ainda hoje, porventura, esta palavra tem sentido.
Em todo o caso, o 1º de Maio, que começou por ser uma jornada de luta é, desde 1890, uma jornada de festa. E Portugal foi o primeiro país a celebrá-lo assim. Um símbolo e um mito, a re-actualizar a consciência e a necessidade de ordenar as relações laborais segundo as exigências da justiça social. A profecia de Marx de que o comunismo se estenderia a toda a terra, gorou-se. Mas os trabalhadores organizaram-se para resistir à opressão, o trabalho humanizou-se e retomou a sua dignidade. Em todo o mundo se está dizendo duma forma ou doutra: Marxismo, não obrigado.
| Ernesto Campos |
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«Cristo está sempre presente na sua Igreja, especialmente
nas acções litúrgicas Com razão se
considera a Liturgia como o exercício da função
sacerdotal de Cristo. Ela simboliza através dos sinais
sensíveis e realiza em modo próprio de cada um deles
a santificação dos homens; nela o Corpo Místico
de Jesus Cristo - Cabeça e membros - presta a Deus o culto
público integral.
Por isso, toda a celebração litúrgica
por ser obra de Cristo sacerdote e do seu Corpo que é a
Igreja, é acção sagrada por excelência,
a cujo título e grau de eficácia nenhuma outra acção
da Igreja se equipara» (SC 7).
No referido encontro, centrado sobre a temática proposta pelo Santo Padre para este 1º ano preparatório do grande Jubileu do ano 2000, serão aprofundados os seguintes temas: O jubileu do ano 2000; Cristo, único Salvador do mundo: ontem, hoje e sempre; A Liturgia, memória e celebração do mistério de Cristo; A iniciação cristã, incorporação no mistério de Cristo e da Igreja; Caminhar em novidade de vida com Cristo; Por Cristo, no Espírito, ao Pai; e, ainda, algumas sessões para grupos, com os temas: Cristo, Sacerdote (para Presbíteros e Diáconos); Cristo, Verbo de Deus (para Leitores); Cristo, Pão Partido (para Acólitos e Ministros extraordinários da Eucaristia); O Cântico de louvor (para Cantores, Directores de Coro e Organistas). As comunicações serão apresentadas pelos Senhores P. Dr. Carreira das Neves, Drª Maria Manuela Carvalho, P. Dr. Luís Manuel Silva, D. Manuel Pelino, P. Dr. Manuel Joaquim Costa, Cón. José Ferreira, P. Dr. Leão Cordeiro, P. Dr. Luís Ribeiro e Cón. Dr. Ferreira dos Santos.
O Encontro que realizará as suas actividades no Centro Pastoral Paulo VI, na Basílica e na Capelinha das Aparições, começa no dia 28 de Julho, às 17 horas, com uma breve oração e primeira Conferência, e termina no dia 1 de Agosto, com a celebração Eucarística e almoço.
As inscrições deverão ser feitas até ao dia 1 de Julho, para Secretariado Nacional de Liturgia - Apartado 31 - 2496 Fátima Codex - Tel. (049) 533327; Fax (049) 533343.
As pessoas que desejarem alojamento, poderão solicitá-lo, também, ao Secretariado Nacional de Liturgia. A atribuição do local de alojamento obedece à ordem de inscrição, pelo que há toda a vantagem de se fazer a inscrição quanto antes.
Os Encontros Nacionais de Pastoral Litúrgica têm
desempenhado um papel notável na renovação
litúrgica em Portugal, no conhecimento e aplicação
da reforma do último Concílio do Vaticano.
O Secretariado Diocesano de Liturgia, reconhecendo que a nossa diocese tem colhido muitos frutos desta iniciativa nacional, aconselha, por isso, vivamente, a que participem, no Encontro, em primeiro lugar, os Presbíteros e Diáconos, mas também os outros ministros, Acólitos, MEC, Leitores, Cantores, Directores de Coro e Assembleia, Salmistas e Organistas, Sacristães e Zeladoras, elementos das equipas paroquiais de Liturgia e membros dos Conselhos Paroquiais, e ainda fiéis que se interessem particularmente pelas celebrações litúrgicas (catequistas, etc.).
A pastoral litúrgica requer uma nova mentalidade para poder haurir toda a riqueza que a reforma litúrgica do II Concílio do Vaticano pôs à disposição dos fiéis, para seu bem espiritual e para uma verdadeira primavera espiritual para este nosso mundo.
| S.D.L. |
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