Última Página:

É preciso salvar a floresta

As comemorações do Dia Mundial da Floresta ou Dia da Árvore (21 de Março) constituem, à semelhança do que tem acontecido nos últimos anos, uma ocasião privilegiada de sensibilização da comunidade para a preservação deste recurso natural de primordial importância para a vida humana.

O grito de alarme que há cerca de duas dezenas de anos vem sendo lançado por cientistas e ecologistas, com o objectivo de alertar a opinião pública acerca da morte lenta das florestas, não tem sido exagerado nem prematuro, pois os relatórios oficiais sobre o estado das florestas não dão lugar a optimismos. Assim, face às ameaças que pairam sobre a floresta - de que todos dependemos - impõe-se que se tome medidas urgentes para inverter uma situação que é da maior gravidade e que, a manter-se, porá em risco a sobrevivência do género humano.

Nos países subdesenvolvidos, a floresta está a ser cortada, em grande parte, devido às necessidades das populações que, numa exploração pouco racional, nela encontram energia para o aquecimento e uma fonte de riqueza. Nos países desenvolvidos, a causa da morte das árvores é devida a incêndios, a chuvas ácidas provocadas por poluentes emanados de indústrias, como as do cimento, fundição e siderurgia. Na Alemanha, Canadá e E.U.A., estas precipitações tóxicas causaram já danos irreparáveis nos bosques, nos solos e cursos de água, mas também na saúde das pessoas.

Portugal é um país de excelente aptidão florestal, mas apenas 30% do território está florestado. Devido a incêndios e diversas intervenções desordenadas, as florestas têm sofrido uma acentuada redução, tornando-se a árvore um recurso cada vez mais escasso. Noutros tempos, havia manchas de Quercínias (carvalhos) na maior parte do território: no Norte e Centro Litoral dominavam os carvalhos de folha caduca (roble e negral) e no Sul e no Centro Leste, os de folha persistente (sobreiro e azinheira); na zona intermédia, os de folha semipersistente (fagínea). Bétulas, teixos e zimbros povoavam as montanhas.

Com a colonização da bacia mediterrânica, tal composição da vegetação florestal tem sofrido, desde há milhares de anos, a intervenção do homem. E, hoje, por influências ecológicas diversas - atlânticas, mediterrânicas e ibéricas - encontra-se profundamente alterada e alargada a outras espécies: o pinheiro bravo domina a mancha florestal e, recentemente, o eucalipto, em regime de monocultura, tem vindo a ocupar extensões consideráveis, substituindo as espécies tradicionais.

As plantações de eucalipto, vivamente contestadas em muitas regiões do país, não são desejáveis pelas consequências que podem acarretar para o meio ambiente e mesmo para as populações. Destruir a floresta não é só arrancar as árvores que a compõem, nem provocar incêndios mas, também, plantar árvores que, pelas suas características, não sejam indicadas para o clima, solo, fauna e flora.

Para além da função tradicional de produção de madeira e cortiça, as florestas desempenham outras funções de carácter eminentemente ambiental, que são cada vez mais importantes, como a conservação dos solos, a regularização dos ciclos hidrográficos, a fixação das dunas e a formação de cortinas de abrigo e de apoios à produção de mel, ao recreio e ao lazer. O uso múltiplo da floresta proporciona ainda boas condições para o refúgio de espécies cinegéticas e pastagens para o gado.

As florestas desempenham, de facto, uma importante função no desenvolvimento regional das zonas rurais. Em certas regiões, a economia local depende em larga escala dos recursos florestais que, em muitos casos, poderão mesmo duplicar.

As comemorações do Dia da Árvore, nas Escolas ou programadas por clubes de Educação Ambiental, podem contribuir para a defesa da floresta, uma tarefa que, mais do que à administração local ou regional e a movimentos e associações ambientalistas, compete a cada pessoa. É preciso salvar o enorme manancial de vida que é a floresta, uma das grandes riquezas colectivas. O Homem precisa de conviver com essa fonte de vida, de bem-estar e de ar puro que são as árvores. Está em causa a sua sobrevivência.
Américo Oliveira
Início


A Vigília Pascal, centro do ano litúrgico e jubilar

«No cume do ano litúrgico resplandece o Tríduo da paixão e da ressurreição do Senhor. Ele recolhe os fiéis para os conduzir, de hora em hora, a reviver na fé o mistério pascal de Cristo e a renovar, sempre na fé, o compromisso, derivado do Baptismo, da inserção vital nEle (cf. SC 6). Após o cortejo triunfal dos Ramos, a Páscoa do Senhor desenrola-se da missa na memória da Ceia do Senhor em Quinta-Feira Santa, à celebração da paixão em Sexta-Feira, ao silêncio da vigilante espera junto do sepulcro no Sábado, até à alegria do encontro com o Ressuscitado ao redor do banquete pascal.

Na noite de Páscoa, escutaremos neste ano o Evangelho de São Marcos, em que não se fala - como noutros - de anjos nem de terramotos, mas de três mulheres assustadas perante a vertigem do sepulcro vazio e da mensagem a transmitir: procuram um morto, mas Ele está vivo. Toda a fé da Igreja, a fé de cada cristão, está resumida neste anúncio: Jesus, o Crucificado, ressuscitou!

A centralidade de Cristo crucificado e ressuscitado, na história da salvação, está sintetizada no Exsultet pascal e ritualmente significada no gesto de gravar sobre o círio pascal os números do ano em curso, enquanto se proclama: «Cristo, ontem e hoje, Princípio e fim, Alfa e Ómega. A Ele pertencem o tempo e os séculos [e a eternidade segundo a trad. oficial]». A partir da Páscoa, como da sua fonte de luz, o tempo novo da ressurreição permeia todo o ano litúrgico com o seu esplendor.

Não é sem um profundo sentido do mistério pascal, que a Igreja romana fez da festa de Páscoa a festa do Baptismo cristão. O desenrolar da Vigília Pascal é repetidamente constelado nas leituras, nos cantos e nas orações pelo grande fresco da história da salvação, prefigurado nas narrações e nas profecias do Antigo Testamento, cumprido em Jesus Cristo, explicado pela carta do apóstolo Paulo, realizado para cada fiel de uma vez por todas no Baptismo e reactualizado, em cada dia se se quiser, na Eucaristia.

É claro que a ligação entre a Páscoa de Cristo e a nossa encontra plena expressão quando, na noite da ressurreição, adultos ou crianças, renascem pela água e pelo Espírito Santo como nova criatura (cf. Bênção da água baptismal). «Sepultemo-nos com Cristo pelo Baptismo, para com Ele ressuscitarmos; desçamos com Ele, para com Ele sermos elevados; subamos com Ele para nEle sermos glorificados» (São Gregório Nazianzeno).

Toda a comunidade cristã, mesmo que não se celebrem baptismos, é convidada nesta noite a renovar a profissão de fé baptismal. A monição prevista no Missal para introduzir a renovação das promessas do Baptismo pode - evitando contudo um desenvolvimento homilético - ser adaptada em função daquilo que tiver sido a preparação da Quaresma. Os fiéis, de pé, com a vela acesa na mão, respondem às interrogações do sacerdote - as mesmas do seu Baptismo - e são aspergidos com a água: palavras e gestos recordam o Baptismo que receberam e o consequente compromisso de viver uma vida nova em Cristo Jesus. Esta profissão de fé é a meta do itinerário quaresmal e exprime a convicção daquilo que ela hoje significa para quem a pronuncia, na sua concreta situação e na consciência do compromisso que implica para o futuro.

A própria vela acesa na chama do círio pascal, símbolo de Cristo ressuscitado, é alusão à luz do Baptismo e símbolo duma vida iluminada por Ele, apesar das sombras deste mundo: «Agora sois luz no Senhor; comportai-vos, por isso, como os filhos da luz» (Ef 5, 8). «Vós sois o povo que Deus adquiriu para si para proclamar as maravilhas dAquele que vos chamou das trevas para a sua luz admirável» (1 Pd 2, 9).

A profissão de fé baptismal, ao mesmo tempo pessoal (creio) e comunitária, tem o seu selo na celebração eucarística, cume da Vigília, memorial do sacrifício da Cruz e presença do Ressuscitado, comunhão entre os membros do Corpo de Cristo, completamento da iniciação cristã e pregustação da Páscoa eterna.

O canto do Magnificat como hino de acção de graças após a Comunhão ou o canto da antífona Regina cæli após a bênção e antes da despedida, podem ser um modo de honrar, nesta noite, a Virgem Maria, Mãe do Ressuscitado e ícone da Igreja-Mãe dos filhos de Deus».

(De: Encontrar Jesus Cristo na Liturgia. Carta Circular da Comissão Litúrgica do Comité Central para o Grande Jubileu, nn. 7-13)
S.D.L.
Início


Primeira Página Página Seguinte