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Não há muito tempo, mão amiga fez chegar ao meu conhecimento o recorte de um jornal francês, (e dele dei conta em crónica neste jornal) no qual se fazia referência a um livro de Marie de Hennezel, constituído por relatos dos casos mais significativos vividos pela autora numa unidade de cuidados paliativos de Paris, onde ela trabalha como psicóloga.
Para quem não está familiarizado com estas coisas convém dizer o que é uma unidade de cuidados paliativos. Trata-se de uma casa, que se procura seja mais parecida com um bom hotel do que com um hospital, ainda que possa e talvez seja conveniente que fique próxima do hospital, para onde são convidados a ir (note-se o sublinhado) os doentes que já não têm esperança de cura e cujo fim de vida se antevê não ultrapasse as três semanas, em média. Nestas unidades, os tratamentos médicos e os cuidados de enfermagem destinam-se a dar ao doente, em fase terminal, o melhor bem estar possível. O próprio doente deve estar consciente do seu estado e estar informado da finalidade dos tratamentos e cuidados que lhe são prestados.
Depois deste inciso, voltemos ao livro em questão, que mereceu um prefácio de François Miterrand, também ele atingido então pela doença que o levaria à morte. Este livro chegou agora às minhas mãos e dele diz o falecido Presidente da República francesa, que é uma lição de vida. A luz que ele irradia é mais intensa do que muitos tratados de sabedoria. O livro tem o título de La mort intime e é editado por Robert Laffont, Paris.
Miterrand visitou a referida unidade de cuidados paliativos onde trabalha a autora e dessa visita, que o marcou tão profundamente que pediu a Marie Hennezel para também ela o acompanhar nos seus últimos momentos, diz: Fui acompanhado até à cabeceira dos moribundos. Qual era o segredo da sua serenidade? De onde extraíam a paz do seu olhar? Cada rosto marcou a minha memória com a sua marca, como o rosto mesmo da eternidade.
É assim que se procura fazer para que a morte tenha dignidade. Não é a eutanásia que dá dignidade à morte. Este livro é a demonstração de que a eutanásia é uma solução simplista para o sofrimento dos doentes terminais e de que nenhum doente, quando rodeado dos cuidados adequados e de um ambiente de efectivo amor, quer por parte dos familiares que o podem acompanhar, quer por parte da equipa de cuidados, pede para lhe apressar a morte. Alguns dos doentes, admitidos na unidade de cuidados que se vem referindo, pediam uma qualquer injecção para apressar a morte. Depois, nenhum insiste mais no pedido, mas aceita viver conscientemente a sua morte. Numa parede da unidade estava escrito: Quero viver o mais conscientemente possível esta passagem difícil da minha vida. Cada um sabe que depois da travessia do deserto se abre a Terra prometida. Como diz a autora do livro, se a doença é um inimigo a combater, a morte, essa não. Na verdade, será que podemos alguma coisa contra ela? Há certos momentos na vida que talvez nos façam compreender melhor que a morte faz parte da vida e que é inevitável.
O trabalho de uma equipa de cuidados paliativos é extremamente difícil, como se compreende. E, no entanto, a autora deste maravilhoso livro escreve: Eu não sabia, ao fazer a escolha da minha profissão, quanto a proximidade do sofrimento e da morte dos outros me ia ensinar a viver de outra maneira, mais conscientemente, mais intensamente. Não sabia que um lugar feito para acolher moribundos pode ser totalmente o inverso de um mortuário, um lugar em que a vida se manifesta em toda s sua força. Não sabia que iria descobrir aí a minha própria humanidade, que iria de certa maneira mergulhar no coração do humano.
É curioso o testemunho de um dos doentes em fase terminal, que só então descobriu que, neste mundo civilizado em que vivemos, tão cheio de atitudes desumanas e de completo desrespeito pela vida do homem, há ainda oásis de humanidade e de amor gratuito pelos outros. Aquelas longas horas de imobilidade no seu leito, escreve Marie de Hennezel, são para ele ocasião de uma meditação sobre a vida, a sua certamente, mas também a destes homens e mulheres que se disponibilizaram para o serviço do sofrimento dos outros. Há portanto bondade neste mundo? Ele tinha vivido como engenheiro no mundo árido dos negócios, onde apenas conta o interesse material e egoista. Um mundo em que só os valores da eficácia, da rentabilidade são reconhecidos, em que não se hesita em esmagar os outros para atingir os seus objectivos. E eis que, à sua volta, há quem se interesse por doentes na fase terminal da sua vida, em que se privilegia a afectividade, em que se dá ouvidos à vida interior e sensível daqueles que a sociedade rejeita: os doentes, os inválidos, os velhos.
As respostas que dermos às interrogações, perante o mistério da morte e do sofrimento podem ensinar-nos a viver. Diz um dos doentes: Tu sabes, não há nada para compreender. Importa não buscar compreender, porque tudo é mistério... Interrogar-se sobre o porquê, sobre a finalidade de um sofrimento, parece ser a única maneira de dar-lhe um sentido. Para quê? Para que caminhos, para que experiência de vida, para que forma de consciência me conduzem a minha doença? ou o meu sofrimento? Será que posso fazer dele uma ocasiãode luz e de amor?
| Gonçalves Moreira |
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Os BC foram produzidos, não só ao longo dos séculos, mas também na actualidade, para uma finalidade essencialmente pastoral e como tais devem ser tutelados e valorizados. Eles constituem uma realidade complexa e polivalente, que compreende globalmente todos os produtos das artes, ordenados em vária medida ao serviço eclesial e, em particular, ao culto divino. A destinação cultual motivou o «esplendor das formas» dos produtos destinados a exprimir a sagrada Liturgia. O substancial respeito dos estilos e dos costumes das várias épocas e culturas, legou à Igreja um consistente e variado património monumental
A atenção da Comissão Pontifícia deve, pois, dirigir-se para o passado, a fim de solicitar a conservação do património histórico-artístico, segundo os parâmetros de uma valorização eclesial, e para o presente, para continuar a promover novas produções artísticas juntamente com uma cultura de inspiração cristã
A música sacra viveu, no pós-concílio, um período rico de experimentações no sentido de se adaptar aos múltiplos contextos culturais e às novas exigências litúrgicas. Este facto se, por um lado, renovou louvavelmente o repertório, por outro criou uma certa desorientação. É difícil fazer um juízo sobre o valor estético de muitas composições musicais hodiernas; nem sempre há coerência entre a música e as outras expressões cultuais, dado que se é herdeiro de uma cisão histórica entre este sector e os outros; há um notável desnivelamento entre as linguagens musicais da actualidade e as do «sagrado» cristão; a aceleração histórica dos países ocidentais impediu o estabelecimento de produções musicais qualitativamente válidas e capazes de elevar espiritualmente a comunidade dos fiéis, habitualmente heterogénea na sua composição; a introdução dos géneros musicais de culturas da primeira evangelização ou de culturas ideologicamente irreligiosas abrem o debate sobre a sua idoneidade cultual; o respeito para com o repertório tradicional do canto gregoriano e da polifonia sacra, oscila entre a recusa e um acolhimento integralista. Em tais questões cruza-se, portanto, a necessidade de salvaguardar e valorizar o património musical nas suas expressões mais elevadas, com a utilidade de ter repertórios comuns, como sinal exterior do universalismo cristãos e com a urgência de favorecer as culturas locais
O pós-Concílio fez arrancar uma multiplicidade de intervenções sobre as estruturas monumentais preexistentes a fim de as adequar às novas exigências litúrgicas. A explosão demográfica urbana dos países industrializados obrigou a construir novas igrejas. O impulso missionário e a implantação do cristianismo em lugares de primeira evangelização permitiu a construção de estruturas mais estáveis as quais, ao quererem geralmente abandonar os modelos ocidentais, tiveram de impostar um estilo congruente com as culturas locais. Entretanto, a crescente secularização, as concepções ideológicas opostas ao cristianismo, a impreparação de muitos arquitectos, as dificuldades económicas, a incerteza de quem encomenda, condicionaram negativamente os projectos de novos espaços cultuais
À questão sobre a arquitectura para o culto está ligada, como sua parte, a do restauro e adaptação dos edifícios sagrados. Não se deseja que a nossa época passe à história pelo prejuízo causado a complexos artísticos de outras épocas em nome da reforma litúrgica.
O abaixamento do cristianismo em alguns países da área ocidental, com o consequente abandono de igrejas paroquiais, capelas, conventos, mosteiros, cemitérios, etc., pôs em perigo um ingente património que está assim sujeito à degradação e exposto aos furtos. Ora «se a conservação das obras de arte nos locais originários não é possível, porque eles deixaram de ter funções de culto, ou é gravemente arriscada, porque expostas ao perigo de furto devem instituir-se museus diocesanos, ou interdiocesanos, ou ao menos recolhas ordenadas e salas de exposição
Também durante a Assembleia Plenária por diversas vezes se voltou ao tema dos museus paroquiais, diocesanos e interdiocesanos. Eles asseguram, com efeito, não só a finalidade da tutela, mas também estão em continuidade com o habitat cultual, transmitindo nesse sentido aos fruidores a experiência espiritual, celebrativa, artesanal e artística das gerações passadas. Nesse sentido, o museu está integrado no projecto pastoral da Comunidade que o abriga e pode constituir um lugar privilegiado de formação cultual e religiosa de um determinado território E isto de modo bem diverso dos espaços museológicos indiferenciados, instituídos por entidades civis, que visam apenas a conservação ou a fruição histórico-estética.
(Notas de reflexão do Secretário da Comissão Pontifícia para os Bens Culturais da Igreja)
| S.D.L. |
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As afirmações são do Conselho Pontifício para as Comunicações Sociais, que apresentou, há dias, no Vaticano, um livro sobre «Ética da publicidade».
Preparado há mais de três anos, este estudo reconhece o valor da publicidade para o bem-estar e desenvolvimento social e cultural das sociedades dizendo que «a publicidade pode contribuir para o melhoramento da sociedade através duma acção edificante e inspiradora e estimulando as pessoas a agirem positivamente em benefício próprio e da comunidade». Acrescenta, no entanto, que é indispensável que os agentes da publicidade sejam presididos por «consciências bem formadas e responsabilizadas», sobretudo quando se constata a dependência económica dos meios de Comunicação do mercado publicitário. Diante desta evidência, deveriam os governos interessar-se pela «percentagem de espaços publicitários, sobretudo nos programas de TV, como também pelos conteúdos publicitários que se destinam a categorias particularmente fáceis de explorar, tais como as crianças e pessoas idosas».
A concluir, o Conselho Pontifício para as Comunicações Sociais lembra que à Igreja, nomeadamente às escolas católicas, compete cuidar também da «formação a respeito do papel que a publicidade desempenha no mundo de hoje e a sua incidência nas iniciativas da Igreja».
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O problema das novas estradas ou vagas em que navega a Comunicação, como os satélites, cabos, fibras ópticas, telefones, vídeo, televisão, rádio, cibernética, internet... digital, exige aprendizagem e reflexão por parte de quem «tem nas mãos» o anúncio do Evangelho.
Desde o I Dia Mundial das Comunicações Sociais, quando a expressão «Meios de Comunicação», lançada por Paulo VI, venceu a vigente e despersonalizada «meios de massa», que alguns continuam a preferir, vão já 30 anos e sobretudo um enorme caminho feito no que diz respeito às comunicações de inspiração cristã.
É o seguinte o programa das Jornadas:Dia 14 - «Apresentação do tema do Dia Mundial: Comunicar o Evangelho de Jesus Cristo, Caminho, Verdade e Vida», por D. Maurílio de Gouveia, arcebispo de Évora e presidente da Comissão Episcopal das Comunicações Sociais: os novos desafios dos Media, os novos rostos de Cristo, a cibernética de Norte a Sul, a Internet - autoestrada de Emaús. Com o apoio de Carlos Lis, António Rego e técnicos de diversos equipamentos serão dadas a conhecer as potencialidades dos actuais sistemas nervosos electrónicos. «A Internet, clube de jornalistas e a Ecclesia na Internet», por Paulo Rocha e Armandino Neves.
No dia 15, «A violência nos Media», com apresentação de D. Serafim Silva, bispo de Leiria/Fátima, e como orador o Dr. J. M. Lopes Araújo, director de Produção da RTP e professor de Jornalismo televisivo na UCP e na Universidade de Coimbra. Às 11 horas será o encontro dos Secretariados Diocesanos das Comunicações Sociais.
Inscrições: SNCSI- Campo dos Mártires da Pátria, 43-2º P-1150 Lisboa; Tel. 01-8851402, Fax 01-8852472.
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