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A morte é um novo sol

Em crónica anterior, foi aqui referido um dos últimos livros escritos por Elisabeth Kubler-Ross, que tem o sugestivo título de A morte é um novo sol. A autora afirma que escreve como cientista. E isto é que, de alguma forma, é novo. Até aqui, a morte tem sido objecto de considerações por parte da Filosofia e da Teologia. Será que a ciência poderá estudar esse acontecimento fundamental da vida do homem, que é a morte? Será que ela poderá desvendar o enigma que a morte tem constituído para o homem? O Concílio afirmava justamente que é em face da morte que o enigma da condição humana mais se adensa. Não é só a dor e a progressiva dissolução do corpo que atormentam o homem, mas também, e ainda mais, o temor de que tudo acabe para sempre.

A ciência tem limites que não pode ultrapassar, sem se negar a si mesma. Procedendo por experimentação, não pode penetrar no que está para além daquilo que pode ser medido, pesado, daquilo que pode ser observado pelos sentidos ou por maquinismos que suprem as insuficiências dos sentidos. Ora o que está para além da morte escapa totalmente a essa forma de investigação. Só pela Revelação e pela fé na palavra revelada podemos conhecer algo desse mundo novo, no qual o homem entra pela morte.

Como pode então Kubler-Ross afirmar que se mantém dentro dos limites da ciência para chegar às afirmações que produz no seu livro? Sendo conclusões deduzidas dos testemunhos de um certo número de pessoas que viveram a experiência de uma quase-morte, elas só podem ser consideradas científicas na medida em que a história é também uma ciência. Também esta se baseia nos testemunhos escritos ou nos monumentos deixados pelas gerações que nos precederam.

Baseando-se, pois, nos relatos de pessoas que viveram uma determinada experiência, não se trata de pessoas verdadeiramente mortas, mas que possivelmente franquearam o limiar entre a vida e a morte. E isto poderá ser suficiente para se poder concluir, cientificamente, que a morte não o fim da existência do homem, mas a passagem para uma outra forma de vida. E talvez nada mais além disto.

E, no entanto, esta conclusão, se é cientificamente legítima, é já bastante importante para desmontar todas as afirmações preconceituosas de que o homem, não sendo mais do que um composto de átomos e energia, acaba inexoravelmente com a morte.

Nós, crentes, não precisamos de que a ciência nos venha dizer que a morte é a passagem para uma outra forma de vida. Mas também todos nós, crentes e não crentes, sabemos que há muitas coisas, extremamente importantes na vida do homem, que não podem ser objecto das investigações científicas.

A existência de uma vida para além da morte poderá continuar a ser negada em nome das ciências positivas, mas esse é problema de quem o nega. Kubler-Ross afirma: Na minha opinião, é cientificamente honesto aquele que anota as suas descobertas e explica a forma como chegou às suas conclusões. Eu deveria ser objecto de desconfiança e mesmo acusada de desonestidade se publicasse apenas aquilo que é do agrado da opinião geral. Também não tenho a intenção de convencer, isto é, de converter quem quer que seja. O meu trabalho é apenas transmitir os resultados da minha investigação. Aqueles que estão dispostos acreditarão em mim. Os outros argumentarão com raciocínios e pedantices.

Conclusão suficientemente importante, mesmo para nós, crentes, a tirar deste livro de Kubler-Ross, é a de que a morte não deve ser encarada com pavor, como tantas vezes acontece, e da qual se não deve falar, porque, por meio dela somos introduzidos numa forma de vida mais perfeita do que esta que vivemos no tempo, e porque Alguém nos acolhe com uma expressão de amor inefável. Devemos então distinguir entre o processo que nos conduz à morte, que esse pode ser extremamente doloroso, e a morte em si mesma, que, como diz agora Kubler-Ross e sempre afirmou a Igreja, é um novo nascimento. Talvez seja por isso que alguns doentes, ao aproximar-se o momento da morte, dão a sensação de terem melhorado. São afinal, como tantas vezes se constata, as melhoras da morte.

As revelações de Kubler-Ross não nos desvendam, no entanto, tudo o que está para além da morte efectiva. Somos confrontados com o filme da nossa vida? Para nos julgarmos a nós próprios, ou para sermos julgados por Alguém? E que se passa depois, em consequência desse julgamento? E a existência de um inferno (porque da existência de uma forma de paraíso, em relação com as realidades da vida presente, falam os testemunhos citados por Kubler-Ross, ainda que não seja essa a realidade do paraíso que nos é prometido pela Revelação)? A existência de um inferno é afirmação que não pode ser riscada do Evangelho. Não é aqui, na terra, que encontramos a recompensa ou o castigo para tantas injustiças que se cometem constantemente e de que são vítimas tantos homens inocentes. Kubler-Ross inclina-se para o reencarnação, até à purificação total do homem. Mas esta conclusão não a pode extrair das investigações que fez. Nem nós a encontramos em qualquer palavra revelada.

Continua, portanto, a ser muito vasto e cheio de obscuridades, mesmo para a nossa fé, tudo quanto se refere à vida para além do tempo.
Gonçalves Moreira
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A Pastoral Litúrgica pelo Mundo (7)

A Eucaristia no Relatório da Congregação para o Culto Divino e Disciplina dos Sacramentos

Juntamente com o Crisma, a Eucaristia foi o sacramento que suscitou maior entusiasmo na renovação litúrgica conciliar. Os relatórios quinquenais são em geral optimistas ao referirem-se à Eucaristia, sublinhando mais os sucessos do que os eventuais abusos. É unânime o reconhecimento do elevado grau de participação que se atingiu nas celebrações eucarísticas, sobretudo dominicais. Assiste-se por toda a parte a um grande envolvimento da comunidade, já na preparação das celebrações e depois no seu desenrolar, com o contributo organizado de uma equipa e a distribuição de tarefas diversificadas. O carácter comunitário da Missa afirmou-se notavelmente com tal envolvimento participativo.

Para favorecer a participação e onde é possível, é frequente promover celebrações eucarísticas especiais: para crianças, jovens, doentes, etc. Ao comentar tais iniciativas e ao responder a alguns pedidos no sentido de preparar outros directórios, análogos aos já elaborados para as crianças ou para algumas categorias deficientes, a Congregação convida à moderação para salvaguardar o carácter eminentemente comunitário da Missa, não fragmentando de modo excessivo a comunidade.

Análoga reserva é feita às propostas de confirmação de novas Orações Eucarísticas. A orientação do Dicastério é de não favorecer a sua proliferação. Mais do que a criação de anáforas completas, encoraja-se antes a introdução de embolismos, que tornando actual a celebração, não esvazie as Orações Eucarísticas da sua particular expressão de comunhão.

A falta de sacerdotes e a dispersão das comunidades em algumas áreas geográficas levou a conceber e difundir o chamado culto dominical na ausência do presbítero. Em certas Igrejas locais, por real necessidade, tornou-se o modo mais comum de convocar a comunidade na celebração do dies Domini. O Dicastério preparou, a seu tempo, um oportuno Directório para precisar a natureza, os méritos e os limites desse culto. As visitas ad Limina foram úteis para a troca de ideias a esse respeito.

Em nome da centralidade e singularidade do dies Domini e da Missa dominical que o celebra, a Congregação nunca acolheu os pedidos que lhe são dirigidos, ou no sentido de tornar obrigatório o culto dominical presidido por leigos ou de deslocar o preceito para um dia da semana, em concomitância com a Missa celebrada na comunidade. Não é de sua competência fazer semelhantes modificações na tradição cristã, e muito menos concedê-las… pois que o Dia do Senhor é o Domingo e não qualquer outro dia.

…Não faltam, com efeito, Episcopados que chegaram mesmo a manifestar um certo descontentamento pelas Missas vespertinas do sábado, as quais contribuíram para esvaziar o Domingo do seu sentido religioso. Ocorrerá insistir, antes de mais, na reeducação dos fiéis no sentido do Domingo e cuidar melhor a própria celebração, para que ela seja mais sentida e procurada.

A centralidade e a insubstituibilidade da Eucaristia, em contraste com a crónica falta de sacerdotes, é particularmente sentida em algumas Igrejas locais e é por vezes apresentada à congregação com particular intensidade. O «direito» que as comunidades têm à celebração eucarística, comprometido pela prolongada privação do sacerdócio ministerial, suscita perplexidades em alguns pastores acerca da manutenção da actual disciplina no acesso à Ordenação presbiteral. A visita ad Limina serviu por vezes para manifestar tais perplexidades que, porém, escapam, também essas, à competência da Congregação.

Sempre em torno da Eucaristia, são levantados nos encontros com o Dicastério outros problemas particulares, em cuja solução ela não tem competência exclusiva…
S.D.L.
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Preparar educadores da pastoral juvenil

Os jovens que acreditam em Deus sentem-n'O próximo e rezam-lhe frequentemente. Esta afirmação resulta de um inquérito feito recentemente em Itália a 748 jovens dos 19 aos 26 anos. O resultado permite concluir ainda que esses têm maior capacidade de projectar o futuro, de realizar os seus ideais e mais capacidade para comunicar, dialogar, comprometer-se e assumir responsabilidades.

Jianpiero Della Zuanna que conduziu a pesquisa para um semanário de Pádua acrescentou que a experiência religiosa feita na infância e na adolescência marca as pessoas para toda a vida e que, nisso, o que é mais relevante é o contacto com pessoas, pois «a transmissão da Fé é personalizada». Os adolescentes e jovens têm a tendência de transferir para a Igreja os juízos feitos sobre o educador cristão. Por isso, a tarefa mais importante da pastoral juvenil será a de preparar educadores capazes de um encontro «autêntico» com os jovens.

Abortos aos milhões

Nos últimos dez anos foram realizados mais de 23 milhões de abortos legais. A conclusão é do conselheiro Ermenegildo Spaziante, da Sociedade italiana de Bioética, e resulta de uma pesquisa feita em 61 países, numa amostra de mais de três milhões de pessoas. Nalguns países do Leste europeu o número de abortos é mesmo superior aos dos que nasceram vivos. Estes resultados confirmam que a legalização do aborto multiplica enormemente o número de interrupções da gravidez, pois, ainda que o não seja, passa a funcionar como «método» de contracepção.

Religião na Escola

Os bispos da província de Madrid, Espanha, fizeram uma avaliação positiva do ensino da Religião nas escolas e pediram uma mais justa aplicação dos acordos entre o Estado e a Santa Sé. Falaram ainda da assistência religiosa nos hospitais e estudaram formas de conseguir que os edifícios que são considerados bens de interesse cultural, possam ser reparados com o apoio do Estado. A hipótese de aplicação da Lei do Aborto nas autonomias regionais esteve também em reflexão.

Semana sem guerras em Maio do ano 2000

O Clube Mundo Sem Guerras, uma instituição internacional com sede em Espanha, apostou em conseguir que no ano dois mil todas as guerras sejam interrompidas durante uma semana. Esta organização realizou há pouco uma reunião em São Paulo, Brasil, para dar continuidade aos preparativos desse ambicioso projecto de parar todas as guerras de 1 a 7 de maio do ano 2000.
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