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REFLEXÕES LIVRES

Os Reis Magos e nós

A Epifania é a Festa da manifestação do Senhor. Na Idade Média era conhecido como o «Dia Supremo», porque dia daquela manifestação de Deus aos Homens na pessoa dos Reis Magos quais «viajantes» vindos de longe em busca do Deus verdadeiro que sabiam que nascera.

E quando tal é a disposição do homem, sempre Deus vem ao seu encontro, como bem foi o caso figurado na «estranha» Estrela de Belém. A história dos Três Reis Magos é por isso o espelho da história de cada um de nós.

Nascidos no seio duma família católica que nos acolheu, recebemos amparo e sustento, avançamos na infância, aprendemos as primeiras letras e as primeiras noções práticas de religião, entramos na adolescência nem sempre calma, progredimos nos conhecimentos, enfrentamos a escolha da profissão, formamo-nos, casamos, tivemos os filhos, passamos pela vida militar e pelas suas peripécias, frequentamos internatos, sujeitamo-nos, fizemos opções difíceis, saímos do País, regressamos, seguimos as exigências da profissão, vimos a morte de nossos Avós e de nossos Pais, e de muitos outros entes queridos e amigos, até que chegamos à vida madura nesta nossa idade. Uma longa caminhada de festas a cortarem a monotonia das rotinas necessárias, entre o sublime e o miserável, entre a pureza e a culpa, entre a amizade e a traição, entre o amor e o desengano, entre sonhos e frustrações, lutando contra a irrealidade dos sonhos em favor da realidade da vida. Uma já longa caminhada que prossegue inexoravelmente, e de que por vezes nem nos apercebemos...

E para onde vamos? Para Deus, seja qual for a noção que d'Ele tenhamos: «O fundamento de toda a realidade, o mar onde desaguam os arrufos dos nossos desejos, o para além de tudo o que conhecemos: o enigma infinito que contém todos os outros enigmas e cuja última solução nos é impedida de buscar na Terra, no conhecido e no experimentável; a incomensurabilidade ilimitada na pura simplicidade da realidade, da verdade, da luz, da vida e do amor. Para Ele flui a monstruosa fuga de todas as criaturas de todos os tempos, através de toda a mudança e variação» (Karl Rahner). Ora esse Deus, diferente dos «deuses» criados pelo homem é Jesus Cristo que nasceu em Belém, e ficou assim acessível a todo o homem, e nos trouxe os ensinamentos para a vida e os meios para essa salvação.

E devendo nós ir contra as visões catastrofistas que o mundo hoje suscita, partamos ao encontro desse Deus que sempre havemos de alcançar se preferirmos em tudo o bem ao mal, a ordem à desordem, o perdão ao ódio, a verdade à mentira, e, tal como os Reis Magos, carreando o ouro do amor, o desejo do incenso e a dor da mirra, tudo isso depusermos aos pés do Menino-Deus.

Um Bom Novo Ano.
Levi Guerra
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Preparar o Jubileu do Ano 2000

Jornadas Diocesanas Seminário de Vilar 26 e 27 Janeiro

Com o 1º Domingo do Advento, deu-se início ao 1º ano preparatório do Grande Jubileu do Ano 2 000. O Senhor Bispo deu abertura, na nossa diocese, ao triénio preparatório do Jubileu, no dia 1 de Dezembro, em solene celebração de Vésperas, apelando a todas as instituições, organismos e estruturas pastorais da nossa diocese, a sintonizar os seus próprios planos, programas e objectivos, com as propostas do Papa.

O tema central deste ano, proposto pelo Santo Padre, é: Jesus Cristo, Verbo do Pai, feito homem por obra do Espírito Santo: único Salvador do mundo, ontem, hoje e sempre (Hb. 13, 8). Para este ano, propõe-se a redescoberta de Cristo Salvador e Evangelizador (profundidade do mistério da Sua Encarnação e Nascimento no seio virginal de Maria; necessidade da Fé em Cristo para a salvação); o regresso à Sagrada Escritura já que nela o Pai vem ao nosso encontro e manifesta a natureza do Filho unigénito e o Seu projecto de salvação; a redescoberta do Baptismo como fundamento da existência cristã; o fortalecimento da e do testemunho dos cristãos; a redescoberta da catequese no seu sentido e valor originário de ensino dos Apóstolos sobre a Pessoa de Jesus Cristo e Seu mistério de salvação (v. Catecismo da Igreja Católica); a contemplação de Maria no mistério da sua Maternidade divina.

A Comissão Diocesana para o Jubileu do ano 2000, retomando a rica proposta do Santo Padre, para 1997, promove umas jornadas de reflexão e debate, destinadas a leigos e religiosas (dia 26), a padres e diáconos (dia 27), a fim de oferecer subsídios e orientações, para a dinamização e vivência deste primeiro ano preparatório.

Neste sentido, convida as religiosas e os leigos das associações, movimentos e obras, bem como os secretariados diocesanos para o dia 26 de Janeiro, das 14 às 18. 30 horas, para o Auditório da Casa Diocesana de Vilar; e os padres e diáconos para o dia 27 de Janeiro, das 10 às 17 horas, na Casa Diocesana de Vilar. Os trabalhos do dia 26 constam de duas conferências: Um retrato de Jesus Cristo, segundo S. Marcos, por Pe. Doutor Geraldo Coelho Dias; Desafios culturais e sociais da transição do milénio, por Prof. Doutor Manuel Braga da Cruz. A mesma temática será apresentada no dia 27, pelos mesmos oradores, seguida de debate e informações e sugestões de propostas concretas para dinamização pastoral, no corrente ano.

O Secretariado Diocesano de Liturgia acolhe a proposta da Comissão Diocesana e convida, por seu turno, todos os cristãos empenhados na animação e no serviço litúrgico das comunidades: acólitos, ministros extraordinários da comunhão, leitores e comentadores, salmistas, coralistas, directores de coros e assembleias, organistas, sacristães, zeladoras, comissões de culto, membros das equipas paroquiais de liturgia, etc.. A inscrição far-se-á no próprio dia e o seu preço é 500$00.

O SDL vê, nesta iniciativa da Comissão diocesana, um incitamento a acções concretas e específicas das diversas estruturas pastorais diocesanas, sem perder o sentido do conjunto, da unidade e da comunhão de toda a Igreja diocesana. Deste modo, pela pluralidade na unidade, caminharemos jubilosamente para a celebração jubilar do ano 2000.
S.D.L.
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Um sentido para a vida

Mais um ano que termina e um novo que começa, aproximando-nos rapidamente do início de um novo milénio. O tempo astronómico é circular, portanto repetitivo; ao inverno segue-se a primavera e o verão e depois do outono voltamos de novo ao inverno.

Na vida do homem não é assim. Vivida embora no tempo, a história pessoal de cada um de nós não se repete. Cada dia é sempre um novo dia, com gestos repetidos, por certo, mas sempre com novas sensações, novas experiências e novas surpresas. O nosso tempo, o tempo em que decorre a nossa vida, é mais semelhante a uma caminhada... caminhada para onde? É aqui que está o problema: tem a vida um sentido?

Na visão materialista da vida afirma-se que o homem é um ser para a morte e esta é a queda no nada. A caminhada, com a qual se pode comparar a vida do homem, termina no abismo do nada. O que chamamoos razão ou espírito do homem é apenas uma forma mais elaborada da matéria. O Universo é uma massa de matéria em evolução, em movimento de expansão neste momento, de retracção num momento posterior. É esta massa que produz os seres vivos, quando coincidem determinadas condicionantes químicas e físicas, e os seres pensantes, num estado mais perfeito de evolução.

Então para onde corre o tempo? Se o Universo actual partiu da explosão de um átomo inicial, ele voltará, quando cessar a força de expansão, ao ponto de onde partiu, até que se dê nova explosão que o faça repetir um movimento idêntico de expansão.

Visão negativista e pessimista da vida humana, que levou alguns filósofos a classificá-la de absurdo. De facto, bem podemos dizer que, se é absurda a vida, absurda é a teoria que assim a classifica. Que anda o homem a fazer neste mundo? A cumprir apenas o fado que lhe impõe a sua natureza de ser pensante: obedecer aos condicionalismos da sua existência, às leis que a natureza lhe impõe, porque esta, afinal, sempre tem leis?

O homem, segundo esta maneira de ver, não tem consistência, é um fogo fátuo, pó levantado que em breve voltará à terra donde se ergueu. Então também não tem valor; os minerais que devolve à terra quando é sepultado num buraco de um qualquer cemitério são de valor nulo. Por isso, alguns ecologistas, defendendo todas as espécies de vida menos a humana, afirmam que a humanidade não é o centro da vida deste planeta. Ou, como já afirmou um ilustre sábio, o homem é a consequência de um efeito deplorável de asepsia no Universo.

Se a existência do homem não tem qualquer valor, por que razão há-de ser crime eliminar alguns milhares, ou mesmo milhões, se se tornam incómodos, quer no início, quer no fim da vida, ou para se proceder a uma limpeza étnica.

Pode esta forma de pensar contribuir para a felicidade de alguém? Pode dar aos jovens uma vontade decidida de construção do seu futuro? Teremos o direito de lastimar que a percentagem de suicídios esteja em contínuo crescimento?

Numa obra a que deu o título de O Homem à busca de sentido, Viktor Frankl escreve, referindo-se às suas experiências num campo de concentração nazi: Desgraçado daquele que não via nenhum sentido para a sua vida, nenhuma meta, nenhuma intencionalidade e, portanto, nenhuma finalidade para a viver, esse estava perdido. A resposta típica que costumava dar esse homem a qualquer raciocínio com que se procurava animá-lo era: - Já não espero nada da vida. E mais adiante afirma o mesmo autor: Em última instância viver significa assumir a responsabilidade de encontrar a resposta correcta para os problemas que a vida levanta e cumprir as tarefas que a mesma vida confia a cada indivíduo.

Buscar um sentido para a vida no tempo, quando se tem a convicção de que essa vida caminha para a sua dissolução no nada da morte, é suficiente para olhar para a vida como algo que vale a pena? Alguns assim pensam. Eu penso como Viktor Frankl que o homem tem a peculiaridade de não poder viver se não olhar para o futuro: sub specie aeternitatis (com o sentido da eternidade), ainda que isso seja apenas inconsciente.

Hoje, talvez como nunca, a Humanidade procura um sentido para a sua existência. Vive na expectativa de mudanças, de dias em que o homem será melhor do que o homem de hoje, em que o homem encontrará a sua felicidade, escreveu alguém.

Há quem afirme que acredita no Homem. Quando o homem busca em si mesmo a resposta para as suas perguntas, para as suas inquietações, para os seus anseios ou desejos mais profundos, não a pode encontrar, porque ele não é a resposta, é a pergunta. Se a busca fora de si, nas coisas do mundo, a resposta é fugaz e insatisfatória.

A resposta (e esse é o testemunho que nós cristãos devemos dar com toda a nossa convicção) é Jesus Cristo, que se fez solidário com o homem. A resposta não está no hom
Gonçalves Moreira
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