| Última Página: | ||
1. O Porto é elevado a património mundial: Antes de mais é a sua gente que é assim universalmente honrada, no seu carácter, na riqueza dos seus sentimentos, na actualização do procedimento tradicional e histórico dos seus antepassados, - quer na capacidade em se sacrificarem pelas grandes causas nacionais quer na defesa do direito das suas gentes - na alegria e no pitoresco de suas festas tradicionais, na permanência da sua religiosidade pública e privada, na constância do seu labor tradicionalmente honrado e operativo, no seu bairrismo intransigente, nos seus hábitos alimentares, na sua irrequietude inconformista, e no seu espírito de insubmissão também, frente ao poder quando discriminatório e injusto para consigo. Esta gente boa e prestável, corajosa e sensível, honrada e lúcida, onde subjaz um sentido de Pátria, a Pátria que da cidade houve nome, a terra onde nasceu o Infante, e depois partiram caravelas. E depois é que vem o património monumental que essa gente edificou, rico e diversificado, das igrejas aos palácios, das ruas às vielas, dos jardins aos miradouros, das calçadas às escadas, na diversidade imensa que no Porto se encontra.
E eu estou de acordo com o Professor de Helder Pacheco quando adverte que esta elevação a património mundial exige que se evite um turismo selvagem nas zonas nobres e características da cidade, que se impeçam as «boites» ruidosas, que se atraiam as famílias tradicionais que de lá debandaram porque elas, sobretudo, é que manterão o carácter do Porto que ora o «mundo» toma como seu também.
Parabéns, por fim, ao Presidente do Município,
Dr. Fernando Gomes.
2. Memória de Francisco Sá Carneiro: Evocada no Porto, pelo já prestigiado grupo Social-Democrata da Via Norte, de forma honrosa, em palavras justas e de muita elevação. O Dr. Sá Carneiro foi um homem de raro génio político, de alto rigor em tudo o que fazia, e de coragem , e que se sacrificou pelo País, coerente com os apêlos honrados doo dever cívico que nele encarnaram de forma suprema como graça e estigma, e a que foi fiel. Nunca foi um homem de comportamento duplo. Foi um homem íntegro e coerente em toda sua vida. Não é, por isso, bandeira para quem, com ligeireza, imaturidade ou anómala situação social que viva, queira secundarizar o valor sagrado do matrimónio. Quem o conheceu de perto e consigo conviveu testemunha a sua dimensão cívica e moral, a sua elevada têmpera e riqueza humanas. E que ninguém o julgue nem julgue sua Esposa Isabel, porque só se pode julgar com rectidão se se for às profundezas do ser de cada um, o que é impossível porque só se tem acesso às aparências, como também neste caso. A glória que o Dr. Sá Carneiro disfruta na nossa história, pelos actos valorosos que praticou, não tem necessidade de quaisquer justificações, e tentar explicar, ou defender, o que à sua vida pessoal disse respeito é estar a julgá-lo, e isso é reprovável, por ser necessariamente injusto.
3. A minha homenagem a Abel Salazar, nos 50 anos da sua morte: Uma exposição da minha pintura de muitos anos, uma exposição retrospectiva, em homenagem a um alto vulto nacional, como médico que foi, certamente - quanto sei - de restrita prática clínica mas alto pensar, como grande cientista, como pedagogo, como escritor de muitos méritos, como artista plástico de fundos e geniais recursos. É também homenagem à Universidade do Porto, na pessoa do seu reitor, o Professor Alberto Amaral, e à Associação Difusora da Casa-Museu Abel Salazar na pessoa do seu presidente, o Prof. Nuno Grande, mas que eu extendo agora, com grande júbilo, à «Sempre mui nobre e invicta cidade do Porto» nesta hora histórica da sua existência.
Em tudo isto que digo que fique cumprida a justiça porque, como disse Pessoa, «haver injustiça é como haver morte».
| Levi Guerra |
| Início |
O Crisma foi um dos Sacramentos em que a renovação conciliar encontrou maior interesse. Os relatórios quinquenais, ao aludir-lhe, são verdadeiramente significativos. É frequente colher o testemunho do grande entusiasmo que circunda a preparação e a celebração do Crisma.
Para permitir uma adequada preparação para o Sacramento, de modo a tornar as pessoas interessadas mais conscientes do seu significado e a assegurar um mais coerente cumprimento das obrigações que dele derivam, tornou-se frequente o protelar da sua administração para uma idade mais madura, que em muitos países ronda os 14-15 anos, senão mesmo 18 anos. Com tal adiamento, conseguiu-se motivar um prolongamento da catequese, inserindo nela o Crisma como uma etapa importante, senão mesmo a meta. Com isso ganhou, em muitas dioceses, a pastoral juvenil e a própria animação vocacional. As celebrações do crisma, pelas cuidadosas iniciativas da sua preparação e por todo o entusiasmo que as circunda, tornaram-se momentos significativos na vida das comunidades, sobretudo para os jovens, que frequentemente nela colhem a ocasião para um maior empenhamento na participação eclesial.
Todavia, o adiamento do Sacramento, com o realce que se lhe dá, teve como consequência uma certa alteração no itinerário tradicional da Iniciação cristã, configurando o Crisma, e não já a Eucaristia, como o culminar da dita Iniciação. Ao mesmo tempo, fez crescer de modo preocupante o número dos baptizados não crismados, contribuindo em certa medida para enfraquecer entre os fiéis a consciência da importância do Sacramento. Foram diversos os grupos que, durante a sua visita, colocaram o problema à Congregação.
É fácil constatar que o conferimento do Crisma numa idade inferior aos 10 anos é frequentemente sinal duma catequese juvenil pouco adequada. É o caso, sobretudo, daquelas Igrejas locais, de tradicional maioria católica, onde o arco da escolaridade obrigatória é igualmente modesto. Ao contrário, naquelas Igrejas onde se pôs em prática um maior esforço de catequese e a pastoral é mais envolvente, predominou o adiamento do Sacramento.
Constata-se, igualmente, que em muitas dessas Igrejas que adoptaram o protelamento do Crisma por exigências de catequese, se começa a redimensionar tal adiamento, precisamente por se confrontarem com as referidas consequências negativas. Nelas, começam a perfilar-se iniciativas para recolocar o crisma numa idade mais precoce. Introduzem-se, por exemplo, na catequese, etapas ou metas do género da profissão de Fé ou da Comunhão Solene de outros tempos, para assegurar os frutos conseguidos com o adiamento, mas sem comprometer a estima e o lugar do Crisma no itinerário da Iniciação.
A Congregação do Culto Divino, quando é interpelada a este propósito, convida a ter em conta todos os dados da questão: a não descuidar os aspectos pastorais mas, por outro lado, a não subordinar de tal modo o Sacramento à catequese que acabe por fazer dele uma simples etapa ou por identificá-lo com a renovação das promessas baptismais. Recordando as possibilidades de uma legislação suplementar em matéria de idade do crisma, para a qual tem competência a Conferência Episcopal, convida-se, na falta desta, a seguir a indicação do Código (cf. cân. 891), que estabelece para o Crisma a idade da discreção.
O relançamento do crisma foi acompanhado por uma revalorização da visita pastoral do Bispo à comunidade. São vários os relatórios quinquenais que põem em realce a ligação entre a celebração do Sacramento e o encontro do Bispo com os jovens. Se ele não pode chegar a toda a parte, regra geral, delega naqueles sacerdotes que mais participam no seu munus episcopal, de modo a fazer realçar essa ligação.
| S.D.L. |
| Início |
Recordando-lhes a fé comum na tolerância, considerada, tanto pela tradição hindu como pela cristã como um precioso valor, o Cardeal Arinze acrescentou que "a sociedade pluralista em que vivemos exige algo mais do que a simples tolerância", ou seja, "desafia-nos a ir mais longe" no reconhecimento dos outros e das suas diferenças.
Depois de ter sublinhado que "se exige uma grande coragem para praticar a não-violência e o respeito pela vida", o Cardeal Arinze concluiu recordando algumas palavras de João Paulo II, em 1993, em Assis, ao acentuar que "o segredo de uma humanidade finalmente reconciliada só pode encontrar-se na aceitação dos outros e no mútuo respeito que esta aceitação implica".
João Paulo II cita, a esse propósito, a homilia que proferiu em Fátima, em Maio de 1982, lembrando que esse apelo foi feito nos inícios do século pela "Senhora que parecia ler, com uma perspicácia especial, os sinais dos tempos, os sinais do nosso tempo". E o Papa acrescenta que, numa sociedade como a actual, onde a construção do futuro se baseia no bem-estar e no consumismo e tudo se avalia a partir da eficácia e do lucro, a doença e o sofrimento, já que não podem ser negados, ou são banidos ou são esvaziados de significado, com a ilusão de que podem ser superados através do progresso, da ciência e da técnica. Mas eles permanecem "como limite e provação" para a mente humana.
João Paulo II acescenta que, "à luz da Cruz de Cristo, se tornam um momento privilegiado de crescimento na Fé e um instrumento precioso para contribuir, em união com Jesus redentor, para a realização do projecto de Salvação". E, a concluir, chamou a atenção da opinião pública para a solidão e marginalização em que muitos doentes se encontram e renovou o seu apelo aos responsáveis políticos, às organizações sanitárias, aos agentes no campo da saúde e às associações de voluntariado, para que se unam à Igreja no seu empenhamento em favor daqueles que sofrem. E advertiu que o Dia Mundial do Doente se insere no primeiro ano do tríduo preparatório do Grande Jubileu, um ano inteiramente dedicado à reflexão sobre Jesus Cristo.
| Início |
| Primeira Página | Página Seguinte |