| Última Página: | ||
As coisas não ficaram por aí. Hoje, qualquer calculadora de bolso é bem mais aperfeiçoada do que a máquina do séc. XVII. É igualmente produto da inteligência humana mas com a vantagem de se parecer muito mais com a inteligência que a criou, porque se baseia nas mesmas leis, não já mecânicas mas lógicas; que são, de resto, muito poucas. A primeira é que os caminhos do raciocínio se cruzam uns com os outros; a segunda lei é o princípio da porta - ou está aberta ou está fechada, por outras palavras, uma afirmação ou é verdadeira ou é falsa; ao cruzarmos uma porta aberta, renunciamos ao corredor da porta fechada (é a terceira lei), porque uma coisa não pode ser e não-ser ao mesmo tempo, sob o mesmo aspecto.
Estes princípios lógicos são os mesmos que estão impressos nos circuitos dos computadores, já que eles funcionam segundo a lógica bivalente do verdadeiro e do falso, simbolizados por um/zero para traduzirem o sim e o não. Há, é claro, o talvez sim, o talvez não, ou simplesmente o talvez, que podem ser fecundos como dúvida metódica mas não são posições confortáveis nem definitivas. "Sejam as tuas palavras sim, sim, não, não," (Mt 5, 37) é o princípio indispensável à boa marcha do espírito.
Quer dizer, o homem produz, para seu serviço, instrumentos que são o espelho de si próprio, que funcionam como funciona a sua mente. Neste progressivo autoconhecimento vai desvelando o seu próprio mistério e afeiçoando o mundo à satisfação das suas necessidades; vai-o recriando à sua imagem e semelhança. Mas não pode, pelos mesmos processos técnicos, criar seres humanos à sua imagem e semelhança. Só pode fazê-lo pelo processo natural de que o Criador o dotou.
O cérebro humano é constituído por onze mil milhões de neurónios. E cada um é já por si mesmo uma pequena calculadora em conexão com centenas ou milhares de outras pequenas calculadoras. E toda esta poderosa máquina, os seus planos e toda a sua potencialidade, ainda insuficientemente conhecida e explorada, tudo está contido numa minúscula célula, o ovo fecundado que cabe à vontade na ponta de um alfinete. É o zigoto que contém já em código tudo o que o homem será.
Pela origem, pela estrutura, pela orientação teleológica este ser microscópico é já um ser humano. "É já um homem aquele que o virá a ser" (Tertuliano). Ou, como diz Jerôme Lejeune, professor de Genética da Universidade de Paris, parafraseando o Evanjelho de S. João: "Ao princípio era a mensagem, esta mensagem está na vida, esta mensagem é a vida".
Um século depois de Pascal, Napoleão dizia esta enormidade: "Tenho uma renda de mil homens". Isto é, a vida humana era vista não como um valor mas como um simples bem económico. Distanciados que estamos de Pascal nos progressos da técnica, andamos para trás no que respeita à vida humana - nem valor nem bem. E, todavia, a vida humana é a única coisa (e por isso a mais preciosa) que somos capazes de fazer sem saber. Destrui-la, à revelia de toda a lógica, é tomar como bom o que é intrinsecamente mau. Enganamo-nos na porta: fechamos a da coerência e franqueamos a do absurdo, coisa que nenhuma máquina faz.
Disse-se com ironia que o aborto é um crime metafísico. Sem ironia, é; porque legitimá-lo é instaurar a cultura da morte.
| Ernesto Campos |
| Início |
Muitos colocaram a problemática dos requisitos estabelecidos pelo Código de Direito Canónico acerca dos padrinhos do Baptismo. Há áreas geográficas da Igreja onde, apesar de haver uma maioria católica, não são raros, infelizmente, os fiéis que vivem uma situação matrimonial irregular. Em tais Igrejas é difícil encontrar quem satisfaça totalmente as exigências canónicas para ser padrinhos do Baptismo. Por vezes a questão é posta a este Dicastério, quer para serem apoiados numa certa compreensão, quer para perguntar se não será preferível, em tais casos dispensar mesmo a figura dos padrinhos. No respeito pelas normas dos cânones e enquanto a situação não for superada por uma eficaz acção pastoral e social que coloque cada baptizado em condições de ser coerente com a fé também em campo matrimonial, a Congregação insiste em que ao menos um dos padrinhos satisfaça as exigências da função.
No que diz respeito à celebração comunitária do Baptismo, ela foi favorecida pela prática que se tornou comum de lhe reservar dias fixas. Nas terras de Missão e nas comunidades de base é normal celebrar os Baptismos com a participação de toda a comunidade, dada a sua concentração em algumas datas, aproveitando a passagem do sacerdote. Nas áreas urbanas, pelo contrário, e onde vigora uma vida sacramental tradicional e regular, mais que a celebração na presença de toda a assembleia é prática comum associar no mesmo rito diversas famílias, resultando uma maior dimensão comunitária da celebração. Por vezes o rito é inserido na Missa dominical, mas percebe-se uma crescente preocupação em não multiplicar esta prática, até para não sacrificar a especificidade da celebração eucarística do dia do Senhor.
Assiste-se a uma difusão crescente do protelamento do Baptismo das crianças. Em alguns casos, é a falta de hábito, pela tradicional falta de sacerdotes, a não favorecer uma mudança de atitude nas renovadas condições pastorais; outras vezes, são as exigências postas à admissão e preparação do Sacramento. A estas motivações por parte da pastoral, acrescenta-se o abaixamento da taxa de mortalidade infantil e também a conveniência de muitos pais que, por vezes, adiam o Sacramento em função da disponibilidade dos padrinhos ou da festa familiar. O difundir-se do fenómeno preocupa os Bispos, tendo diversos grupos, sobretudo na América Latina, levantado o problema durante a visita. A resposta deve procurar-se, contudo, mais no âmbito da pastoral que no da Liturgia.
O adiamento do Baptismo das crianças faz crescer, por um lado, o número dos adultos que pedem o Sacramento pondo, consequentemente, o problema da sua iniciação cristã. É solicitude da Congregação conhecer como é aplicado nas Igrejas locais o Ritual da Iniciação Cristã dos Adultos e a sua eventual problemática. Aplicado desde sempre nas Igrejas de primeira evangelização nas formas estabelecidas pelo referido Ordo, o Catecumenado vai-se alargando cada vez mais às Igrejas de antiga evangelização, que tendem a torná-lo a via obrigatória para quem, depois de uma certa idade, deseja receber o Baptismo. Das visitas ad Limina relatórios quinquenais e encontros resulta que, sobretudo nos países de acentuada secularização, o Catecumenado é aplicado com seriedade e exigência, começando a ser uma prática generalizada e pacífica, com momentos significativos na vida de toda a comunidade. Pelo contrário, nos países onde é ainda habitual baptizar as crianças, a introdução e a plena aplicação do RICA é ainda frequentemente deixada à capacidade organizativa e catequética das diversas paróquias. O Dicastério, ainda que sensível a tal condicionamento, encoraja todos os esforços para tornar o catecumenado aquele instrumento da «Nova Evangelização» que se deseja. As iniciativas do Caminho neo-catecumenal, na linha duma maior tomada de consciência dos compromissos baptismais, constituem um estímulo das Conferências Episcopais para que encontrem numa séria actuação do RICA a solução adequada aos novos desafios da evangelização.
| S.D.L. |
| Início |
Renato Martino elogiou o facto da comunidade internacional favorecer políticas que hão-demelhorar a qualidade das habitações, tendo acrescentado que têm a obrigação moral degarantir a cada pessoa uma casa para viver, pois isso tem implicações importantes para avida e a identidade de cada ser humano e de cada família, como aparece reconhecidotambém na "Declaração Universal dos Direitos do Homem". Nesse sentido, será prescisoestudar formas de estimular as forças do mercado para que respondam às necessidades dosmais pobres.
A Santa Sé fez votos para que se desenvolva um sentido mais profundo de responsabilidade, levando os grandes agentes privados a usarem a sua influência nodesenvolvimento económico e social, especialmente nas áreas atingidas pela pobreza.
O observador permanente da Santa Sé alertou ainda para a necessidade da paz, sem o quenão haverá desenvolvimento.
Guiné-Bissau
Promovida pelo Secretariado Nacional das Comemorações dos 5 Séculos de Evangelização e Encontro de Culturas e pela diocese da Guiné-Bissau, a iniciativa terá realizações nos dois países, abrindo caminho a diversificadas formas de solidariedade entre estas Igrejas lusófonas. Em Portugal serão a abertura e o encerramento (no dia 7 de Dezembro de 1998) das comemorações, a participação de representantes guineenses nas peregruinações a Fátima de 13 de Maio e de 10 de Junho, e a realização do III Colóquio «Evangelização e Culturas» que será dedicado à missionação da Guiné. Será ainda editada uma «Breve História da Evangelização da Guiné», integrada na Biblioteca «Evangelização e Culturas»
Na Guiné haverá uma peregrinação a Cacheu, o local da primeira igreja, havendo ainda exposições, conferências e actividades litúrgicas durante todo o ano.
| Início |
| Primeira Página | Página Seguinte |