Sociedade:

SEMANA A SEMANA


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PONTO DE VISTA

Questões de contas

O último fim-de-semana foi incendiado pela votação parlamentar do chamado totonegócio.

Mais uma vez, o combate político, com todos os condimentos que costumam azedá-lo, substituiu a discussão pormenorizada e serena sobre um regime de excepção a longo prazo, que o Governo pretendia para os clubes de futebol, e o que, fisicamente, em termos de promoção social, aqueles têm feito a favor das camadas jovens.

Estima-se em 15 milhões de contos a dívida dos clubes ao Estado. Já aqui foi referido o escândalo das fugas ao fisco e que soma muitos mais milhões de contos, enquanto o que se passa com as agremiações desportivas não tem carácter clandestino e é confessado publicamente pelos seus presidentes. O que é lamentável é que só se dê repercussão nacional a uma dívida de 15 milhões de contos, que deve ser paga, e se guarde silêncio sobre o actual montante das dívidas ao Estado que perfazem um bilião e quatrocentos milhões de contos! Por tudo isto, não nos escusamos de perguntar se, ao levar-se o caso dos clubes de futebol à Assembleia da República para que esta decidisse, isso foi feito com o sincero propósito de se encontrar uma solução justa ou ajustada às realidades ou, simplesmente, com o objectivo político de marcar pontos.

Enquanto isto ocorria em Portugal, com problemas à nossa dimensão, a imprensa noticiava que na cimeira dos países mais ricos a Alemanha inviabilizou a única proposta que possibilitava uma ajuda aos países do terceiro mundo, ao ser-lhes negada a possibilidade de reduzirem a sua dívida internacional. O drama e o egoísmo de sempre. Tudo isto, com o risco de uma explosão, porque, como dizia há dias, em entrevista ao «DN», Jonas Savimbi, os que têm fome não têm medo de morrer.
Pacheco de Andrade
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Sé Catedral do Porto

Restauro das pinturas «a fresco»

No dia 27 de Junho, teve lugar na Sé do Porto a assinatura de um documento assinalando a conclusão dos trabalhos de restauro das pinturas «a fresco», na chamada «Sacristia do Cabido». A obra foi realizada por técnicos especializados, sob orientação do IPPAR, tendo o Cabido Portucalense assumido o encargo de renovar, proximamente, a instalação eléctrica.

Como geralmente se sabe, este espaço faustoso é considerado pelos Críticos de Arte como uma pequena obra prima de decoração barroca. A construção original, em estilo gótico, do séc. XIV, veio a sofrer modificações, nos séc. XVII e XVIII: foi adaptada a sacristia. Tendo sofrido um incêndio, na segunda metade do séc. XVIII, foi depois decorada pelo célebre arquitecto - pintor «de perspectiva» Nicolau Nasoni. As finíssimas talhas douradas - incluindo o «retábulo do relógio», com pintura atribuída a Pachini - são do entalhador Miguel Francisco da Silva, que trabalhou no retábulo-mor da Sé. Nasoni e Miguel Francisco trabalharam de parceria.

Nos últimos decénios, as pinturas nasonianas, nas abóbadas góticas e nas paredes, foram-se degradando a olhos vistos. Alertado para esta lamentável situação - na grande Imprensa e até na Assembleia da República - o Dr. Santana Lopes, então secretário de Estado da Cultura, decidiu promover o referido restauro. Ficou bem, ficou mal? As opiniões dividem-se. Os técnicos optaram por uma intervenção minimalista. O que é muito controverso.

Relativamente aos frescos de Nasoni (de 1725) nos vãos dos quatro janelões da capela-mor - também em arrastada situação de restauro - os responsáveis do IPPAR nada sabem adiantar de conclusivo. O cabido portucalense tem alertado o IPPAR para a grande incomodidade que esta situação representa.

Como foi noticiado nos órgãos de informação nacionais, teve lugar, no dia 16 de Maio, a abertura oficial ao público do Tesouro da Sé do Porto. A data ficou assinalada numa placa, bem como as entidades que patrocinaram aa obra. Estiveram presentes as autoridades eclesiásticas e civis, locais e nacionais, mormente a Câmara Muncicipal, presidente do IPPAAR e ex-governador Civil Leite de Castro, e o arq. Fernando Távora que, com o Cón. Raimundo Meireles, criou um belo espaço, para uma mostra que, não sendo numerosa, é maravilha a não perder.

A abertura do Tesouro à visita do público é um acto cultural de grande interesse, pois a Sé é o local que mais procurado pelos turistas. Como salientou o presidente do Cabido, Cón. António Taipa, esta é uma obra da Mesa cessante a que presidiu Mons. António dos Santos, Vigário Geral, mas também um fruto da dedicação do Cón. Meireles, do apoio do Estado e do mecenato de instituições como o BCP e a Caixa Geral de Depósitos.
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