SEMANA A SEMANA
- Da ronda de conversações
sobre o futuro de Timor, entre Jaime Gama, Ali Alatas e Butros-Ghali,
que decorreu, na passada semana, resultou o acordo para a construção
de um Centro Cultural Timorense, em Díli, e a marcação
da próxima ronda de conversações para Dezembro.
Perante esta situação, a Resistência timorense
apelou ao Governo português para que viabilize uma votação
sobre Timor na Assembleia Geral da ONU.
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O centro histórico do Porto
foi considerado, na passada semana, pelos peritos da UNESCO, Património
da Humanidade, sem qualquer tipo de objecções.
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O Governo decidiu, na 5ª-feira,
evitar a venda dos bens da Casa do Douro em hasta pública.
Para resolver o problema, o primeiro-ministro, António
Guterres, nomeou uma comissão que tem 90 dias para apresentar
uma solução final para o caso.
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O primeiro-ministro, António
Guterres, terminou, no Domingo, a visita de três dias
ao Alto Minho, no âmbito da iniciativa "Governar
em Diálogo", que aproveitou para falar no lançamento
do Cartão do Idoso e de uma iniciativa especialmente destinada
às férias dos cidadãos com mais de 65 anos.
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A ministra da Saúde assinou,
na passada semana, o auto de consignação do futuro
Hospital do Padre Américo-Vale do Sousa, a construir
na freguesia de Guilhufe, perto de um dos nós da auto-estrada
Porto-Amarante.
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O ministro da Solidariedade e Segurança
Social, Ferro Rodrigues, afirmou, no sábado, no Funchal,
que, nos últimos dez anos, o Orçamento de Estado
ficou a dever largas centenas de milhões de contos à
Segurança Social. Mencionou ainda que, no mês
de Julho, será assinado um Pacote Social de Solidariedade
entre as administrações Central e Local e associações
de carácter social.
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O secretário de Estado das Obras
Públicas, Crisóstomo Teixeira, garantiu, na passada
semana, em Felgueiras, que o plano de construção
do itinerário principal nº 9 e o itinerário
complementar nº 25 do Plano Rodoviário Nacional
será apresentado no próximo mês, pelo Governo.
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Às critícas do provedor
da Justiça, Menéres Pimentel, sobre o sistema prisional,
o ministro da Justiça, Vera Jardim, respondeu, há
dias, com a realização de uma conferência
de imprensa em que anunciou um pacote de 30 milhões
de contos para o sector e, na 5ª-feira, com a inauguração
de um novo estabelecimento prisional, em Izeda.
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O preço máximo da gasolina
sem chumbo, de 95 octanas, baixou, desde 2ª-feira, quatro
escudos por litro.
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Mais de cinco mil manifestantes
antigovernamentais timorenses envolveram-se, na passada
semana, em confrontos com a polícia indonésia, não
se sabendo o número de feridos.
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O processo de regularização
de imigrantes clandestinos levou um número incalculável
de cidadãos estrangeiros aos Serviços de Identificação
Criminal em Lisboa o que provocou, nas últimas semanas,
um acréscimo de movimento na ordem dos 50 a 60 por cento.
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O presidente da Comissão Parlamentar
Eventual para o Acompanhamento e Avaliação da Situação
da Toxicodependência, do Consumo e Tráfico de Droga,
Pe. Victor Feytor Pinto, manifestou-se, há dias, contra
a despenalização das drogas leves como forma
de resolução do problema do consumo de droga.
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As negociações entre o
Ministério da Saúde e a Santa Casa da Misericórdia
do Porto com vista à eventual tranferência do
Hospital do Conde Ferreira para aquela secular instituição
de benemerência serão retomadas em breve, depois
das recentes mudanças na Administração Regional
da Saúde do Norte terem congelado o processo referente
ao futuro deste hospital.
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O presidente do Conselho de Administração
da empresa que instala o gás natural, Gomes de Pinho, anunciou,
há dias, que os portuenses irão ter gás
natural em casa já a partir do início de 1997.
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O Coliseu passou definitivamente
para as mãos da Associação dos Amigos Coliseu,
na passada semana, com a assinatura da escritura entre esta organização
e a seguradora ex-proprietária.
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A marcar o fim do mês festivo
no Porto, saíram, no sábado à noite, 12
rusgas concorrentes acompanhadas por símbolos locais
que ilustravam personagens e actividades próprias. O júri
acabou por premiar a rusga da Sé.
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Mosteirinho, Ponte do Abade e Cunha,
Viseu, viram, nos últimos dias, a sua mata e floresta
serem consumidas por um enorme incêndio. Segundo a população,
este incêndio que teve início na 6ª-feira, deu-se
devido ao descuido de um agricultor que queimava silvas.
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A Câmara de Cabeceiras de Baixo
anunciou, há dias, a abertura de concurso público
para a construção de uma estrada variante àquela
vila, destinada a descongestionar o trânsito local. Desta
obra, cujo valor será superior a 600 mil contos, destaca-se
ainda a beneficiação da Estrada Nacional nº
311, a construção de um complexo multi-usos e a
adjudicação da central de camionagem de Arco de
Baúlhe.
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Um emigrante português em França,
João Viana Lopes, está desesperado com a "justiça"
portuguesa, visto que vendeu uma fábrica por 48 mil
contos, e ainda só recebeu 10 mil, pois os outros 38 foram-lhes
entregues num cheque sem provisão. Viana Lopes já
veio seis vezes a Portugal, para o julgamento, mas este nunca
se realizou devido à falta de comparência do arguido.
PONTO DE VISTA
Questões de contas
O último fim-de-semana foi incendiado pela
votação parlamentar do chamado totonegócio.
Mais uma vez, o combate político, com todos
os condimentos que costumam azedá-lo, substituiu a discussão
pormenorizada e serena sobre um regime de excepção
a longo prazo, que o Governo pretendia para os clubes de futebol,
e o que, fisicamente, em termos de promoção social,
aqueles têm feito a favor das camadas jovens.
Estima-se em 15 milhões de contos a dívida
dos clubes ao Estado. Já aqui foi referido o escândalo
das fugas ao fisco e que soma muitos mais milhões de contos,
enquanto o que se passa com as agremiações desportivas
não tem carácter clandestino e é confessado
publicamente pelos seus presidentes. O que é lamentável
é que só se dê repercussão nacional
a uma dívida de 15 milhões de contos, que deve ser
paga, e se guarde silêncio sobre o actual montante das dívidas
ao Estado que perfazem um bilião e quatrocentos milhões
de contos! Por tudo isto, não nos escusamos de perguntar
se, ao levar-se o caso dos clubes de futebol à Assembleia
da República para que esta decidisse, isso foi feito com
o sincero propósito de se encontrar uma solução
justa ou ajustada às realidades ou, simplesmente, com o
objectivo político de marcar pontos.
Enquanto isto ocorria em Portugal, com problemas
à nossa dimensão, a imprensa noticiava que na cimeira
dos países mais ricos a Alemanha inviabilizou a única
proposta que possibilitava uma ajuda aos países do terceiro
mundo, ao ser-lhes negada a possibilidade de reduzirem a sua dívida
internacional. O drama e o egoísmo de sempre. Tudo isto,
com o risco de uma explosão, porque, como dizia há
dias, em entrevista ao «DN», Jonas Savimbi, os que têm
fome não têm medo de morrer.
Sé Catedral do Porto
Restauro das pinturas «a fresco»
No dia 27 de Junho, teve lugar na Sé do
Porto a assinatura de um documento assinalando a conclusão
dos trabalhos de restauro das pinturas «a fresco», na
chamada «Sacristia do Cabido». A obra foi realizada
por técnicos especializados, sob orientação
do IPPAR, tendo o Cabido Portucalense assumido o encargo de renovar,
proximamente, a instalação eléctrica.
Como geralmente se sabe, este espaço faustoso
é considerado pelos Críticos de Arte como uma pequena
obra prima de decoração barroca. A construção
original, em estilo gótico, do séc. XIV, veio a
sofrer modificações, nos séc. XVII e XVIII:
foi adaptada a sacristia. Tendo sofrido um incêndio, na
segunda metade do séc. XVIII, foi depois decorada pelo
célebre arquitecto - pintor «de perspectiva»
Nicolau Nasoni. As finíssimas talhas douradas - incluindo
o «retábulo do relógio», com pintura atribuída
a Pachini - são do entalhador Miguel Francisco da Silva,
que trabalhou no retábulo-mor da Sé. Nasoni e Miguel
Francisco trabalharam de parceria.
Nos últimos decénios, as pinturas nasonianas,
nas abóbadas góticas e nas paredes, foram-se degradando
a olhos vistos. Alertado para esta lamentável situação
- na grande Imprensa e até na Assembleia da República
- o Dr. Santana Lopes, então secretário de Estado
da Cultura, decidiu promover o referido restauro. Ficou bem, ficou
mal? As opiniões dividem-se. Os técnicos optaram
por uma intervenção minimalista. O que é
muito controverso.
Relativamente aos frescos de Nasoni (de 1725) nos
vãos dos quatro janelões da capela-mor - também
em arrastada situação de restauro - os responsáveis
do IPPAR nada sabem adiantar de conclusivo. O cabido portucalense
tem alertado o IPPAR para a grande incomodidade que esta situação
representa.
Como foi noticiado nos órgãos de informação
nacionais, teve lugar, no dia 16 de Maio, a abertura oficial ao
público do Tesouro da Sé do Porto. A data ficou
assinalada numa placa, bem como as entidades que patrocinaram
aa obra. Estiveram presentes as autoridades eclesiásticas
e civis, locais e nacionais, mormente a Câmara
Muncicipal, presidente do IPPAAR e ex-governador Civil Leite de
Castro, e o arq. Fernando Távora que, com o Cón.
Raimundo Meireles, criou um belo espaço, para uma mostra
que, não sendo numerosa, é maravilha a não
perder.
A abertura do Tesouro à visita do público
é um acto cultural de grande interesse, pois a Sé
é o local que mais procurado pelos turistas. Como salientou
o presidente do Cabido, Cón. António Taipa, esta
é uma obra da Mesa cessante a que presidiu Mons. António
dos Santos, Vigário Geral, mas também um fruto da
dedicação do Cón. Meireles, do apoio do Estado
e do mecenato de instituições como o BCP e a Caixa
Geral de Depósitos.