Sociedade:

SEMANA A SEMANA


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«Velhos são os trapos»

"Envelhecer no limiar do século XXI" foi o tema do Forum há dias realizado em Setúbal e em que o presidente da Santa Casa da Misericórdia, Mário Pedro Ferro Júnior, defendeu que é necessário dizer com clareza aos idosos: "Você não acabou. Você continua!".

No referido encontro foram debatidas as formas de viver com os idosos no presente e para o futuro, tendo o responsável pela Misericórdia local defendido que, em cada época, o idoso é olhado de diferentes formas, prevendo-se, assim, que ao virar do milénio, outras perspectivas hão-de vir, mudando nomeadamente a política para a terceira idade. O Secretário de Estado da Inserção Social, Rui Cunha, foi de opinião idêntica, tendo apontado novas linhas de acção. E anunciou mesmo um novo decreto-lei para regulamentar instituições sociais, como os lares de idosos e também os infantários, e a criação do "Cartão do Idoso", ou seja a aplicação das regalias do cartão jovem aos idosos, dando-lhes descontos em diversos produtos e serviços. O Secretário de Estado acrescentou que esta iniciativa está a ser regulamentada com o apoio das instituições ligadas à solidariedade social e que existe já um grande número de empresas que querem aderir ao projecto.

Este Forum integrou-se na Semana das Comemorações do 497º aniversário da Santa Casa da Misericórdia de Setúbal. E pretendeu "divulgar a Misericórdia", pensar no que ela é hoje e no que poderá vir a ser no futuro.


Jovens dos países lusófonos

Em fins de Abril foi formalmente constituído o Forum da Juventude da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa, na Cidade da Praia, em Cabo Verde. A anteceder a Assembleia Constituinte realizou-se a II Conferência da Juventude da CPLP, que teve como tema "O papel da Juventude na história recente da lusofonia e o papel do associativismo juvenil no desenvolvimento da CPLP". A delegação portuguesa à Assembleia e à Conferência era constituída por dois membros da Direcção do Conselho Nacional da Juventude e quatro representantes das organizações- membro e observadoras do CNJ. Estes encontros tiveram as presenças do Secretário de Estado da Juventude de Portugal, António José Seguro, do Secretário Executivo da CPLP, Marcolino Moco, do Presidente da República e do Primeiro Ministro de Cabo Verde, bem como dos embaixadores dos Países de Língua Portuguesa e de representantes de diversas instâncias internacionais.


Cáritas do Porto

«Para não chamar roubo»

Tendo chegado ao conhecimento da Direcção da Cáritas do Porto que algumas pessoas, presentemente, têm percorrido as ruas da Diocese a pedir donativos para esta Instituição de assistência vimos declarar que se trata de abuso, para não chamar roubo, porquanto o peditório de rua, da Cáritas, teve lugar nos dias 27 e 28 de Fevereiro e 1 de Março.

No devido tempo e durante o peditório, os voluntários da Cáritas encontravam-se devidamente identificados com braçadeiras e mealheiros com o respectivo distintivo. Avisa-se a população da diocese para que todos possam defender-se deste malogro em que alguns têm caído.


Igreja não quer esquecer os turistas

Portugal está a tornar-se, cada vez mais, um destino escolhido pelo turismo europeu. E a Igreja tem dedicado a esse fenómeno alguma atenção, percebendo que muitos dos que aqui vêm para fazer férias são cristãos e desejam celebrar a sua Fé. Nesse sentido se organizaram as Jornadas Nacionais de Pastoral do Turismo que decorreram, há dias, em Fátima.

D. Gilberto Canavarro, bispo auxiliar do Porto e um dos responsáveis pela Comissão Episcopal das Migrações e Turismo, admitiu mesmo a possibilidade de se dar início a algumas experiências, como as de apresentar as leituras, dizer uma palavra de acolhimento e fazer um resumo da homilia em língua estrangeira. Tais medidas serão mais urgentes em zonas do país onde o turismo tenha uma expressão mais significativa, bem como em estâncias balneares e termas.

As Jornadas lembraram ainda a dimensão cultural do turismo, tendo sido apontada a conveniência de serem feitos folhetos e desdobráveis para um melhor conhecimento dos templos e da própria vida das comunidades. E recomendaram a cada diocese que analise a sua situação e aponte soluções para os seus problemas.
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PONTO DE VISTA

Sem reticências

A comunicação social vive, em relação à Igreja, de alguns preconceitos que o tempo ultrapassou, o que significa que, muitas vezes, erra nos seus comentários e avaliações. Isto explica-se porque, quase sempre, a sua atenção incide sobre o que é periférico e raramente sobre o que é substancial. Assim, é para a generalidade dos jornalistas motivo de espanto descobrirem que a Igreja tem uma posição na área do trabalho, e que é capaz de tomar atitudes em situações concretas, embora tenhamos de reconhecer que o não faz tantas vezes como seria de esperar.

Vem isto a propósito de um documento da terceira assembleia plenária do 40º sínodo diocesano que terminou em Braga, a semana passada. O «Diário de Notícias» referiu o diagnóstico que ali se fez sobre o que se passa no mundo do trabalho e sobre as injustiças que ofendem a dignidade dos trabalhadores. Ali se denunciou em linguagem pouco usual em documentos diocesanos, dada a despreocupação que, desta vez, se nota com a diplomacia das palavras, «a concentração da riqueza nas mãos de poucos, a ganância dos poderosos, a insaciável ambição de opulentos que impõem um jogo quase servil aos operários» e que «também encontra exemplos evidentes na nossa diocese». Sublinha ainda que «os aumentos salariais são pensados em termos de percentagem e não segundo aquilo que cada trabalhador já aufere», e foca a ameaça de desemprego para «os trabalhadores mais conscientes e activos na defesa dos seus direitos». E mais ficou registado. Anote-se que, no momento em que as duas centrais sindicais perderam, por culpa sua, a força que tinham, a arquidiocese de Braga fez aterrar as encíclicas sociais no seu mundo laboral. E, sem temer melindres, tratou situações concretas com uma linguagem concreta.
Pacheco de Andrade
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