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PERU - O sequestro de
72 pessoas realizado por guerrilheiros do movimento Tupac Amaru
e que durava há 126 dias (o ataque ocorreu em 17 de Dezembro
passado), na residência do embaixador do Japão em
Lima, capital peruana, terminou no passado dia 22, quando militares
de uma unidade de élite do exército peruano entraram
no edifício e libertaram os reféns. Todos os elementos
do comando Tupac Amaru foram mortos; dos reféns, apenas
perdeu a vida. O resgate dos reféns constituiu uma vitória
do presidente peruano Alberto Fujimori, cuja acção
foi tácita ou explicitamente apoiada pelos líderes
mundiais, vitória de certo modo ensombrada por uma notícia
vinda a público, segundo a qual alguns dos rebeldes terão
sido mortos depois de se terem rendido aos militares.
A operação de libertação
dos reféns foi cuidadosamente preparada, ao que consta
com o auxílio de especialistas americanos na luta anti-terrorista,
com recurso a túneis escavados no subsolo, e foi mantida
em segredo até ser visível a intervenção
das forças peruanas. O próprio bispo de Lima, um
dos mediadores, de nada sabia e foi com lágrimas nos olhos
que, numa conferência de Imprensa, referiu ter tomado conhecimento
da operação levada a cabo pelos militares.
ARGÉLIA - Uma pequena
aldeia argelina, situada próxima da capital do país,
Argel, foi vítima de mais um ataque terrorista, durante
o qual 93 pessoas foram mortas sem dó nem piedade, incluindo
43 mulheres, a maioria jovens e três crianças, na
passada semana.
O ataque ocorreu na aldeia de Haouch Boighfi el Khemisti,
a cerca de 25 quilómetros de Argel, na planície
de Mitidja, onde, há uma semana, 32 pessoas, na sua maioria
mulheres, haviam sido mortas.
ESPANHA - Um inspector
da polícia espanhola foi morto na passada quinta-feira,
em Bilbau, com um tiro na cabeça. As autoridades atribuem
a autoria do atentado à organização terrorista
basca ETA. Esta é a oitava vítima deste ano em acções
da ETA. O autor do atentado foi um jovem que se encontrava acompanhado
por outro indivíduo, tendo ambos fugido do local num veículo
conduzido por um terceiro elemento.
ZAIRE - Os 55 mil refugiados
ruandeses que se encontravam no campo de Kasese, 25 quilómetros
a sul de Kisangani, fugiram daquele campo deslocando-se ainda
mais para sul, em direcção a Biaro, segundo afirmou
o departamento da ONU para os refugiados - ACNUR.
A ONU tem encontrado muitas dificuldades em movimentar-se na região, dominada pelas forças dos rebeldes zairenses comandados por Laurent Kabila.
Este líder, que exige a demissão do
presidente Mobutu, deve aceitar encontrar-se com este não
na África do Sul, como inicialmente se pensou, mas em Libreville,
a capital do Gabão.
GRÃ-BRETANHA -
Realizam-se no próximo dia 1 de Maio eleições
gerais na Grã-Bretanha, opondo o Partido Conservador, do
actual primeiro-ministro John Major, ao Partido Trabalhista, liderado
por Tony Blair. As sondagens têm apontado para a vitória
dos Trabalhistas por uma confortável margem de votos.
As posições assumidas sobre a questão
europeia, a introdução da moeda única e ainda
problemas locais são os factores que mais pesam na escolha
dos eleitores britânicos.
GUINÉ-BISSAU -
Uma onda de greves foi desencadeada na Guiné-Bissau, iniciando-se
com a greve dos médicos do Hospital Nacional de Bissau.
Os alunos das escolas afectados pela greve fizeram uma manifestação
pública e apedrejaram edifícios governamentais e
a polícia recorreu ao gás lacrimogéneo para
conter a fúria dos manifestantes.
Este conturbado clima social antecede a entrada da
Guiné-Bissau na zona económica do franco que deve
acontecer no início do mês de Maio.
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Nos discursos que fizeram, tanto o chefe de Estado, como o presidente da Assembleia da República, como o deputado Pacheco Pereira, entre alguns desvios que ferem o actual regime político, diagnosticaram a crise de autoridade que se vem acentuando de dia para dia. Assim, o presidente Jorge Sampaio advertiu que «a democracia é o regime da tolerânia, mas não dapermissividade ou demissionismo; da liberdade, mas não da insegurança». E o Dr. Almeida Santos foi ao ponto de dizer: «Já vamos nos cortes de estrada, na bravata reividicativa, nas milícias privadas, em assomos de perseguição étnica, no vale tudo de uma sociedade em que a competição sem regras resiste ao freio dos valores». Ao que o deputado Pacheco Perera, lembrando um cenário que, há dias, as televisões mostraram a todo o país, acrescentou: «A farda de uma polícia numa rua protege-me, mas a farda de um polícia numa manifestação ilegal ameaça-me».
Da parte do Presidente da República, as suas palavras foram uma advertência. Mas seria injusto condenar o clima de diálogo seguido pelo actual governo, até porque o diálogo é a linguagem que uma democracia deve falar. Sendo assim, o defeito não está no diálogo, mas em permitir que, algumas vezes, se confunda com aquilo que o não é. Porque, como disse o chefe de Estado, «a democracia é o regime da negociação, do diálogo, mas - não esqueçamos - da decisão, da iniciativa e da autoridade democrática».
| Pacheco de Andrade |
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