Sociedade:

SEMANA A SEMANA


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Racismo e fome

A «Oikos» - Cooperação e Desenvolvimento promoveu, de 10 a 14, em Coimbra, uma semana de debate sobre temas como o racismo e a fome no mundo. Através de conferências sobre «A cooperação internacional e o desenvolvimento dos povos» e «Integração dos imigrantes e das minorias étnicas e construção de interculturalidade» os participantes foram conhecendo o que se passa no mundo e também entre nós. Foi ainda analisada a situação dos estudantes africanos na Academia de Coimbra e estudado o «Desenvolvimento Humano e Indicadores de Desenvolvimento». Na 6.ª-feira o Eng. Fernando Gomes da Silva e o Dr. Jorge Wemans, falaram sobre «A fome no mundo e as políticas de cooperação». O encontro concluiu-se com um espectáculo sobre «Sons de Solidariedade».


Benemérito de Estarreja

O pároco de Avanca, José Henriques da Silva, disse que irá apresentar ao Provedor de Justiça uma queixa pelo incumprimento do testamento do benemérito Júlio Neves por parte da Câmara de Estarreja e pela Junta de Freguesia de Avanca, Júlio Neves deixara, em testamento, bens avaliados em meio milhão de contos destinados a ajudar os pobres, confiando a sua administração à Câmara de Estarreja, à Junta de Freguesia de Avanca e à Santa Casa da Misericórdia. Ora a Câmara vendeu os bens e aplicou o dinheiro num terreno para um loteamento, que não beneficiou devidamente os pobres. O Pároco conclui que a Câmara Municipal tem de compensar os pobres «com valores equivalentes ao benefício que obteve com o testamento».


Apoio aos imigrantes

O Governo, através de um protocolo assinado, recentemente, em Lisboa, disponibilizou um subsídio de 20 mil contos para os imigrantes "em situação de manifesta carência de apoio social". Os signatários, José Avelino e P. Manuel Soares, em representação do Comissariato para a Emigração e Minorias Étnicas e da Obra Católica Portuguesa das Migrações, explicaram que a verba se destina a casos de urgência e não a estruturar a inserção dos imigrantes. A gestão da referida verba será feita com o apoio de associações e organizações envolvidas no processo de legalização de imigrantes, a quem compete escolher as famílias ou pessoas que devem ser apoiadas.


Informática e os professores

A Associação de Professores Católicos (APC) apresentou como tema de debate para o seu colóquio deste ano o Texto, nas suas mais diversas articulações, desde as Pessoas, aos Livros e à Informática.

Os participantes advertiram que "a Escola não pode ficar indiferente ao diversificado fenómeno da informática que obriga a pensar a sua própria natureza e intenção". A sua importância, no entanto, não pode escamotear outras funções da linguagem, como a da comunicação e a da criação pelos sentidos. E assim, as novas tecnologias têm que ser compreendidas no horizonte mais vasto da linguagem e da cultura, "onde assume ímpar e insubstituível importância a língua materna". Além disso, se o professor não substituiu outrora os livros, também as técnicas informáticas não dispensam agora nem o professor, nem os livros. Torna-se imperativo que o professor clarifique cada vez melhor a sua função, "o que não será possível se não se familiarizar com as novas tecnologias da informática, a que os alunos actuais são muito sensíveis".


Missões na Internet

Os Missionários Combonianos de Portugal decidiram utilizar as novas tecnologias na suaMissão. Eles passaram a divulgar on line as suas publicações, como a revista Além Mar (www.portugalnet.pt/alemmar) e a Audácia (www.portugalnet.pt/audacia). Se esta é dirigida sobretudo aos adolescentes e jovens, a outra vai mais longe na informação e reflexão sobre a situação política, social e eclesial dos locais de missão dos combonianos, espalhados pelo

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PONTO DE VISTA

Cicatrizes

Os noticiários do último fim-de-semana falaram no arquivamento de um processo em que esteve em causa a honra de um político, que foi líder parlamentar do seu partido. As suspeitas sobre a rectidão de como adquiriu alguns dos seus bens apareceram na primeira página de um semanário. De imediato, fez-se a bola de neve que apeou aquele homem do lugar que ocupava e, perante a indiferença dos seus pares, o atirou para o ostracismo.

Quando se fala de negócios e um político é apontado como abstendo-se da necessária higiene ao envolver-se neles, o seu nome cai na valeta. Mesmo que, mais tarde, se prove o infundado das acusações que lhe fizeram, o desmentido não anula todo o mal feito nem o sofrimento de quem vê a sua dignidade pelas ruas da amargura.

Neste momento, o dr. Duarte Lima - é a ele que se refere a notícia - deve respirar, de novo, ao ver-se desafrontado pela Procuradoria-Geral da República. A comunicação social foi quem nos informou deste desfecho, mas o semanário que o vilipendiou não irá, certamente, referi-lo em tantas edições como as que lhe dedicou, ao acusá-lo.

Não conheço este político, não estou ligado ao seu partido nem a nenhum outro, como, aliás, nunca estive. Mas impressiona-me que, com leviandade persecutória, se arruíne o bom nome de quem quer que seja e, ao ter-se uma bomba na mão, - que é um jornal - não se calculem os estragos morais, com que uma notícia desmorona a reputação de uma pessoa. É preocupante que, hoje, quase toda a comunicação social se sinta debaixo de água e respire, aflitivamente, para sobreviver. É a luta pelas audiências. Estas arrastam atrás de si a publicidade que, por sua vez, garante desafogo económico. Mas é lamentável que, em alguns casos, esteja aqui a alma da informação.
Pacheco de Andrade
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