Sociedade:

SEMANA A SEMANA


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PONTO DE VISTA

Santa Catarina:
História de uma rua

É uma obra preciosa, esta, de que é autor o padre Alexandrino Brochado. De magnífica apresentação, com belíssimas ilustrações que visualizam a galeria dos principais edifícios da rua Santa Catarina, ela é, sobretudo, o cenário vivo de uma das artérias mais movimentadas do Porto, longa vitrina comercial visitada diariamente por milhares de pessoas. Um dos méritos desta publicação, e que a distingue entre as suas congéneres, é o de, remontando ao passado e falando-nos do presente, o seu autor fazer o entrosamento do ontem como o hoje, de modo que não precisemos de recuar no tempo, porque se fica com a impressão de que nada perdeu vida, e de que a memória histórica que alguns edifícios conservam é nossa contemporânea. Isso é, a meu ver, o que caracteriza «Santa Catarina» - história de uma rua», história viva. Quando muito, são de ontem, não de mais longe - e é a distância a que esta obra as situa - algumas figuras que s notabilizam na segunda metade do século passado como Catarina castelo Branco, Arnaldo Gama e Guerra Junqueiro. Todos eles residiram naquela rua. E algumas páginas desta obra parecem responder a quem, com curiosidade, pergunta: «quem mora ali?» Tudo se mistura numa cronologia familiar em que convivem o velho e o antigo, e figuram, lado a lado, o Café Magestic e a velha Fotografia Alvão, o Colégio João de Deus e a Capela das Almas, com o esplendor das suas paredes de azulejos, o Grande Hotel do Porto e «A Voz Portucalense», o jornal «A Ordem» e «O Primeiro de Janeiro», a Via Catarina e a Casa da Beira Alta.

Para quem quiser conhecer o percurso histórico e as efemérides da rua mais movimentada da cidade do Porto, «Santa Catarina - história de uma rua» é uma obra indispensável. E que pode figurar com distinção em qualquer biblioteca.
Pacheco de Andrade
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Lei do aborto movimenta opinião pública

As alterações à actual lei do aborto movimentam já diversos sectores da opinião pública portuguesa. A Igreja Católica tem vindo a opor-se à leviandade com que estas questões são abordadas. O Partido Social Democrata (PSD), maior partido da oposição, ameaçou que abandonaria o plenário da Assembleia da República, na altura em que forem discutidas as alterações à lei que regula as práticas abortivas, marcado para o próximo dia 20 de Fevereiro.

A proposta de alteração à lei de 1984, tem em vista, por um lado o alargamento do prazo dentro do qual é possível, legalmente, proceder à interrupção da gravidez e por outro lado contra o aborto clandestino, subsidiando a prática abortiva livre nos hospitais do país.

A esta possibilidade a Conferência Episcopal Portuguesa já reagiu, com a publicação de uma Nota Pastoral, no passado mês de Novembro. Neste documento, os bispos reafirmam a opinião da Igreja portuguesa: «o aborto voluntário é sempre a supressão criminosa de uma vida humana, com a agravante de atingir um ser inocente e indefeso com direito à existência».

Entretanto, diversos organismos e associações da sociedade civil têm organizado campanhas contra a despenalização do aborto. A Assembleia da República receberá, nos próximos dias, centenas de Bilhetes Postais, endereçados ao Presidente deste órgão legislativo, com mensagens em que se condena as possíveis alterações à lei.

O PSD bate-se pela realização de uma consulta aos portugueses através da realização de um referendo nacional sobre o aborto, mas o Partido Socialista e o PCP tudo fazem para que tal não aconteça. Caso o PSD abandone a sala, os votos contra as alterações diminuirão, conduta que facilita a liberalização das práticas abortivas. No final deste mês realizar-se-ão diversos encontros e debates na Assembleia para discutir esta questão.
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