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PONTO DE VISTA

Renovação

A demissão do general Gabriel Teixeira de comandante da PSP era esperada e aconteceu. Não podia manter-se a crise de hierarquia que as circunstâncias criaram. Neste cinzento episódio de Évora, houve erros de todos os lados. Do guarda Severino, que dificilmente justificará a necessidade de disparar a menos de três metros de distância contra um assaltante em fuga. Da juíza, a quem escasseou sensatez para evitar que, ao ir para a prisão, aquele polícia corresse o risco, como correu, de ser espancado por presos que o conheciam. E que, ao mesmo tempo, pôs em liberdade os outros dois assaltantes. Decisões como esta estão a fraligizar as polícias e a desacreditar os juízes perante a opinião pública. Do comandante da PSP, a quem faltou a necessária contenção para travar um desabafo que lhe era lícito como cidadão, mas que, como autoridade, não podia ter. Do ministro da Justiça, que desprendeu um comentário fácil, até leviano, acerca das agressões com que o guarda Severino foi seviciado. Do ministro Alberto Costa, que não agiu na altura própria e, quando o fez, já não pode evitar a suspeita de que não foi só ele a tomar a decisão de demitir o comandante da PSP. De tudo isto resulta uma certa falência de prestígio para o quotidiano da nossa democracia. E as consequências são graves. As pessoas sentem-se inseguras e começam a ter medo daqueles em quem deviam confiar; e os agentes de segurança ficam perturbados, ao verem anulado n o tribunal o esforço que fazem para prender os delinquentes. As leis são brandas como os nossos «brandos costumes». O ministro promete agora uma renovação profunda na PSP. Apenas um voto para 1997: que a formação dos polícias esteja em primeiro lugar, e que a justiça preserve a sua imagem.
Pacheco de Andrade
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