Sociedade:

SEMANA A SEMANA


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INTERNACIONAL


BÓSNIA - O primeiro-ministro britânico, John Major, presidiu à reunião inicial de 56 países que participaram na Conferência Internacional sobre a Bósnia e condicionou a prestação de ajuda internacional ao respeito integral pelos acordos celebrados em Dayton por todas as partes envolvidas no conflito.

Entretanto, a Croácia, a República Federativa da Jugoslávia e a Bósnia deram o seu acordo ao mandato da nova força internacional de estabilização - SFOR - que vai substituir no terreno a IFOR.


SÉRVIA - Mais de 200 mil pessoas desfilaram nas ruas de Belgrado unidas na maior manifestação contra o regime de Slobodan Milosevc, num movimento contestatário que já dura há mais de duas semanas. O líder da oposição, Vuk Draskovic, desafiou o presidente sérvio a "sair para explicar ao povo o que se passa."

Em consequência destas manifestações já se demitiu o ministro da Informação, Aleksandar Tijanic, e foram reabertas estações de rádio, fechadas dias antes por ordem do governo de Milosevic.


ARGÉLIA - No espaço de 24 horas, nos dias 4 e 5 deste mês, foram cometidos na Argélia dois massacres tendo como vítimas populações civis. Um dos massacres ocorreu em Benachour, a 50 quilómetros da capital, Argel, tendo sido mortas dezanove pessoas; o outro verificou-se em Chebli, tendo sido assassinadas dez pessoas. A polícia atribuiu os massacres a "terroristas", expressão que utiliza para designar os integristas islâmicos, identificando, pouco depois, o Grupo Islâmico Armado (GIA), sob direcção local de Lyes Dabiche, como o responsável pelas dezanove mortes de Benachour.


IRAQUE - Recomeçou a venda de petróleo iraquiano, sob controle das Nações Unidas, o que sucede pela primeira vez desde há seis anos. Para tal deslocaram-se àquele país dez peritos da ONU que verificarão que o petróleo será trocado por alimentos e que a sua saída será feita de acordo com as condições impostas. As exportações devem atingir o valor semestral de mais de 300 milhões de contos destinados à compra de alimentos e medicamentos para a população civil, a que mais tem sofrido com as sanções impostas pela comunidade internacional.


ZAIRE - O Papa João Paulo II lançou um novo apelo para a realização de negociações que ponham termo à violência que grassa no leste do Zaire e na fronteira com o Ruanda. "Faço um novo apelo ao diálogo e à negociação que ponha fim imediato à violência e traga uma solução pacífica para a região", pediu João Paulo II.

Entretanto, o comandante da força multinacional para o leste do Zaire excluiu o envio de tropas para a região, devido ao facto de a situação se ter alterado nos últimos dias, tendo os rebeldes permitido o regresso de 600 mil refugiados ao Ruanda.

O responsável pelo Alto Comissariado da ONU para os Refugiados apurou que entre 2 de Novembro e 4 de Dezembro, na região de Goma, foram mortas 2.700 pessoas.


ISRAEL - O enviado especial da União Europeia ao Médio Oriente, Miguel Angel Moratinos, criticou a administração judaica pela política de colonização levada a cabo em territórios árabes. Segundo Moratinos, a UE entende que os colonatos implantados por Israel nas zonas ocupadas são um problema que complica o processo de paz.

A posição da UE foi revelada depois de um encontro do enviado especial com o presidente do Egipto, Hosni Mubarak, e no momento em que um semanário israelita, o "Kol Hair", divulgou a notícia de que o Ministério da Habitação prevê a construção, a partir do próximo ano, de 20 mil casas nos colonatos da Cisjordânia e em redor de Jerusalém.


ANGOLA - A integração de generais da UNITA na cadeia de comando das Forças Armadas angolanas deve estar prestes a acontecer, o que significa um passo mais no processo de reconciliação nacional. A afirmação pertence a José Lamego, secretário de Estado dos Negócios Estrangeiros de Portugal, que dialogou em Angola com elementos da UNITA e com o presidente José Eduardo dos Santos.

Segundo o governante português, espera-se para breve uma declaração oficial que anuncie o fim do aquartelamento de todas as forças governamentais, o que implica a passagem à disponibilidade dos excedentes e à execução da fase política prevista nos Acordos de Lusaka.
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PONTO DE VISTA

A voz do silêncio

Foi patético o silêncio de D. Ximenes Belo,, em Oslo, quando ali chegou e se viu rodeado pela comunicação social que o queria ouvir. Diferente era a situação de Ramos Horta que, estava à-vontade para fazer as declarações que quisesse, porque o Governo de Jacarta não pode retaliar nem penalizá-lo. Cabe-lhe, como embaixador itinerante do povo de Timor-Leste, ser porta-voz da independência e das angústias e vexames com que os indonésios crucificam os seus compatriotas. Nada lhes pode acontecer, salvo um hipotético atentado com que algum fundamentalista islâmico venha a eliminá-lo, o que desacreditaria a Indonésia, se bem que algumas ramas de petróleo bastariam para acalmar a excitação internacional.

O bispo D. Ximenes deu já abundantes provas de que é destemido e de que é capaz de se sacrificar para que os direitos do povo maubere sejam reconhecidos. A sua filosofia de vida não é a de Xanana Gusmão. Tem a ver com a diferença entre quem sente necessidade de pegar em armas e a de quem tem no Evangelho o seu arsenal de resistência. A força é a mesma, a dureza da luta também, mas os instrumentos de combate não são iguais. Em paralelo com Ramos Horta, a distância é maior. Este tem liberdade total para falar e para agir. Nada o impede de dizer o que entende, e ninguém se lhe opõe. Para D. Ximenes Belo a situação é bastante mais complicada. Tem nas mãos um passaporte indonésio. Sem ele, não se podia deslocar a Oslo nem reentrar em Díli. É que não se trata de um simples regresso. Ficaria em risco,, em Timor, a presença de um bispo no qual Jacarta ainda não se atreveu a tocar, e que é, naquele território, o defensor válido de todos os que, ali, vivem vexados e privados dos seus direitos. Há quem, na comunicação social, não entenda isto.
Pacheco de Andrade
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Padre António Vieira celebrado em Roma

«O Padre Vieira em Roma» foi o título da conferência proferida no dia 26 de Novembro, no Instituto Português de Santo António em Roma, pelo Prof. Doutor Aníbal Pinto de Castro, da Faculdade de Letras e Filosofia da Universidade de Coimbra e Director da Biblioteca Geral da Universidade de Coimbra. A escutá-lo, uma igreja cheia de gente, de que é justo destacar o Embaixador junto da Santa Sé, o Embaixador junto do Estado Italiano, Drª. Maria Barroso Soares, assim como professores catedráticos de Língua e Literatura portuguesa das Universidades italianas.

Com esta sessão quis o referido Instituto dar início às comemorações do III Centenário da morte do Padre António Vieira que viveu parte da sua vida em Roma, tendo pronunciado alguns dos seus sermões nesta igreja de Santo António dos Portugueses. Como introdução à conferência, houve um momento de música sacra portuguesa, executada pelo "Ançable Vocal" do IPSAR. Ao terminar a conferência, e para ilustrar o estílo de Vieira, o Prof. Pinto de Castro citou, com interpertação poética e com muita alma, uma parte do sermão ali pregado pelo P. António Vieira, no inÍcio da Quaresma de 1672.

O Prof. Pinto de Castro proferiu uma outra conferência no Instituto Italiano de Estudos Ibéricos sob o tema "A teoria poética italiana e a formação dos códigos literários do barroco e do anti-barroca português", e uma outra na Universidade "La Sapienza": «Vieira, um espírito e um barroco».

Estudantes africanos

Foi criado há pouco no Porto um serviço de Apoio a Estudantes Africanos, que funciona com o apoio de pessoas que voluntariamente se disponibilizaram para isso. Além de estudantes portugueses, este serviço conta com o apoio de estudantes de Cabo Verde, Guiné-Bissau, S. Tomé e Príncipe, Angola e Moçambique, e da Associação dos Estudantes Angolanos em Portugal.

Desse grupo, que colabora com o Secretariado Diocesano da Pastoral Universitária, nasceu a ideia de oferecer uma Ceia de Natal na noite de 24 de Dezembro aos estudantes deslocados de suas famílias. Mas logo optaram por uma solução mais abrangente levando os estudantes a convidar os seus colegas que estão afastados das suas famílias. «Neste Natal ninguém sozinho» foi a expressão encontrada e o Secretariado Diocesano de Pastoral Universitária a organização que assumiu a responsabilidade de organizar este encontro de Natal. Inscrições na Casa Diocesana de Vilar, Porto. Tel 6000824.

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