Sociedade:

SEMANA A SEMANA


Início

PONTO DE VISTA

O Nobel

Tudo se universalizou com um filme do massacre de Santa Cruz. As imagens do ataque bárbaro de militares indonésios as centenas de timorenses deram volta ao mundo e chegaram até onde a diplomacia do Palácio das Necessidades não conseguira chegar. Somos um modesto país, com uma economia que não pesa na área internacional, e que não possui jazigos de petróleo que agucem interesse das grandes potências. Temos apenas connosco a razão e a dignidade, o que, devendo ser muito, é pouco. O porta-voz do presidente Clinton, ao exteriorizar um regorijo hipócrita pela concessão do Prémio Nobel da Paz a D. Ximenes Belo e a Ramos Horta, nem sequer se deu ao trabalho de ocultar que, para os Estados Unidos, entre os direito humanos e os valores de mercado, o fiel da balança pende para estes, por isso, Washington continua a vender armas à indonésia.

Neste momento, a diplomacia de Jacarta, coduzida por Ali Alatas, digere uma embaraçosa derrota. O júri que atribuíu o Prémio da paz deste ano preocupou-se apenas com a dignidade da pessoa humana e com os direitos dos povos. Ao atribuir o Nobel a D. Ximenes Belo e a Ramos Horta, confirmou, mais uma vez, que não é necessário ser-se grande e forte para se ter razão.

É justo focar o empenho do Estado português, ao longo de vários anos e nas várias instâncias internacionais, para que o povo tomotense veja reconhecido o seu direito a autodeterminar-se e para que sinta o seu território desocupado pelo invasor. A partir de agora, falar de Tomor-Leste deixa de ser problema tabu. Este Nobel desafoga a garganta dos grandes silêncios: quer dos Estados, quer da Igreja.
Pacheco de Andrade
Início


Primeira Página Página Seguinte