SEMANA A SEMANA
- O Prémio Nobel da Paz 1996
foi atribuído, na 6ª-feira, em Oslo, a D. Ximenes
Belo, bispo de Díli, e a José Ramos Horta, dirigente
do Conselho Nacional de Resistência Maubere e representante
especial de Xanana Gusmão.
- A ministra da Saúde, Maria de
Belém, anunciou, há pouco, que o hospital de
D. Estefânia irá ter, até ao princípio
do próximo ano, uma unidade de internamento para crianças
e adolescentes com problemas de saúde mental.
- O secretário de Estado da Administração
Escolar, Guilherme Oliveira Martins, afirmou no sábado,
no Porto, que os investimentos na Educação irão
aumentar dez por cento no próximo ano.
- As Eleições regionais
do passado fim-de-semana, acabaram por dar a vitória, nos
Açores, ao PS, com 45,8% dos votos, logo seguido do PSD
com 41%, CDS/PP 7,3%, PCP/PEV 3,5%. Na Madeira a vitória
foi do PSD com 56,7% das preferências, seguido do PS com
24,7%, do CDS/PP com 7,3%, PCP/PEV com 4,1% e a UDP com 4%.
- Freitas do Amaral foi ouvido, na 5ª-feira,
pela comissão de inquérito ao acidente de Camarate
e admitiu a hipótese de atentado. A comissão suspendeu
as suas funções alegando impedimentos de ordem judicial
ao prosseguimento das investigações.
- O Instituto de Socorros a Naúfragos
divulgou, há pouco, que este ano morreram menos pessoas
durante a época balnear, que terminou a 30 de Setembro
e que registou o número mais baixo de acidentes mortais
dos últimos sete anos, ou seja, trinta e sete.
- O Sindicato de Pescadores do Norte reafirmou,
há dias, a sua oposição à experiência
sísmica que envolve o rebentamento de 22 toneladas
de TNT, prevista para se realizar a 50 quilómetros ao largo
do Porto, questionando sobre quem os vai indemnizar pelos eventuais
prejuízos nas pescas nacionais.
- Doze câmaras municipais assinaram,
na passada semana, no Porto, com a Secretaria de Estado da Habitação
e Comunicações acordos financeiros no valor de quase
18 milhões de contos para a construção
de 4329 habitações a custos controlados no âmbito
do Plano Especial de Realogamento. Os acordos destinam-se à
construção de habitações nos nove
municípios da Área Metropolitana do Porto e ainda
em Penafiel, Famalicão e Mortágua.
- Os presidentes de Marco de Canaveses,
Baião, Resende e Cinfães, quatro câmaras ribeirinhas
do Douro, exigiram ao Governo, na 6ª-feira, a classificação
de Itinerário Complementar para a ligação
entre o IP4 e o IP3, com passagem por Baião e Ponte
Ermida.
- O presidente da Câmara Municipal
do Porto, Fernando Gomes, apresentou, na passada semana, uma série
de obras que prometem alterar a paisagem ribeirinha desta cidade.
Desde a destruição do actual mercado até
à pintura das fachadas, passando pela retirada dos carros
da Ribeira.
- A Câmara Municipal de Lousada
aprovou, recentemente, um projecto de habitação
social, que deverá ter início no princípio
do próximo ano e que será a construção
de 200 fogos, distribuídos pelas freguesias, num investimento
que ronda um milhão de contos.
- A Câmara Municipal de Felgueiras
vai reforçar a informatização dos seus
serviços, tendo em vista ao aumento da capacidade de
resposta da edilidade em relação às solicitações
dos munícipes. Para tal, já foram obtidos alguns
apoios financeiros para um investimento que ronda os 18 mil contos.
- A Inspecção-Geral das
Actividades Económicas de Viseu apreendeu recentemente
seis toneladas de peixe importado de Espanha que estava
a ser comercializado ilegalmente junto a Mangualde, sem ter sido
submetido a qualquer inspecção higieno-sanitária.
- A Assembleia Municipal de Aveiro autorizou,
há dias, a compra de terrenos para a instalação,
na cidade, de um terminal ferroviário de mercadorias,
uma vez que a CP manifestou a sua intenção de retomar
este projecto integrado num protocolo assinado com a autarquia
em 1991 e que não tinha sido cumprido.
PONTO DE VISTA
O Nobel
Tudo se universalizou com um filme do massacre
de Santa Cruz. As imagens do ataque bárbaro de militares
indonésios as centenas de timorenses deram volta ao mundo
e chegaram até onde a diplomacia do Palácio das
Necessidades não conseguira chegar. Somos um modesto país,
com uma economia que não pesa na área internacional,
e que não possui jazigos de petróleo que agucem
interesse das grandes potências. Temos apenas connosco a
razão e a dignidade, o que, devendo ser muito, é
pouco. O porta-voz do presidente Clinton, ao exteriorizar um regorijo
hipócrita pela concessão do Prémio Nobel
da Paz a D. Ximenes Belo e a Ramos Horta, nem sequer se deu ao
trabalho de ocultar que, para os Estados Unidos, entre os direito
humanos e os valores de mercado, o fiel da balança pende
para estes, por isso, Washington continua a vender armas à
indonésia.
Neste momento, a diplomacia de Jacarta, coduzida
por Ali Alatas, digere uma embaraçosa derrota. O júri
que atribuíu o Prémio da paz deste ano preocupou-se
apenas com a dignidade da pessoa humana e com os direitos dos
povos. Ao atribuir o Nobel a D. Ximenes Belo e a Ramos Horta,
confirmou, mais uma vez, que não é necessário
ser-se grande e forte para se ter razão.
É justo focar o empenho do Estado português,
ao longo de vários anos e nas várias instâncias
internacionais, para que o povo tomotense veja reconhecido o seu
direito a autodeterminar-se e para que sinta o seu território
desocupado pelo invasor. A partir de agora, falar de Tomor-Leste
deixa de ser problema tabu. Este Nobel desafoga a garganta dos
grandes silêncios: quer dos Estados, quer da Igreja.