D. Júlio Rebimbas na ordenação de sete padres e cinco diáconos
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Sete padres e cinco diáconos foram ordenados no domingo por D. Júlio Rebimbas, arcebispo-bispo do Porto, na Sé Catedral que não conseguiu conter a multidão de pessoas que quis associar-se a tão significatica celebração. |
A participação de mais de uma centena de padres, da diocese do Porto e das de Vila Real e Bragança, e também dos Padres Dehonianos, da Consolata, do Coração de Maria e dos missionários da Boa Nova, dos párocos onde os candidatos estão em estágio pastoral, bem como dos das comunidades onde nasceram, e da maior parte dos membros do Cabido da Catedral, deram a esta celebração o tom próprio dos grandes acontecimentos eclesiais. O Terreiro da Sé e áreas adjacentes encheram-se totalmente de automóveis e autocarros e muitas foram as pessoas que, por nada poderem ver, sugeriram que, em tais ocasiões, deveria montar-se um circuito interno de televisão.
No final da Ordenação e instituição nos ministérios laicais, e enquanto o Grande Órgão enchia a Sé com solenes sonoridades, o aplauso espontâneo das pessoas assinalou o carinho com que estes servidores da Igreja são acolhidos pelas comunidades cristãs. Na disponibilidade destes jovens, elas alimentam a esperança de novos tempos para a vida da Igreja e para o anúncio do Evangelho.
Na homilia, D. Júlio apontou
a iniciativa do chamamento de Deus e a resposta humana como sinais
que contrastam com tempos de incredulidade e de individualismo.
E acrescentou que o testemunho evangélico deve apoiar-se
na humildade, simplicidade e pobreza, e que se destina a todos,
iniciando «um movimento de renovação»
capaz de «mudar a estrutura da sociedade dos homens».
Recordando que Jesus enviou os discípulos dois a dois,
insistiu que é «como membros de uma comunidade»
que os mensageiros são enviados para «serviço
de toda a comunidade», o que significa que uma tal vocação
tem «uma característica social e comunitária».
Ser padre
D. Júlio salientou bem que sete presbíteros, cinco diáconos, quatro acólitos e nove leitores «são agora poucos» para as necessidades da Igreja e do mundo. E enquadrou o chamamento que, «em comunhão com o presbitério», o Bispo faz aos ordinandos, na vida «de íntima fraternidade», de amigos, de presbitério que sempre deve ser a vida dos padres. Acrescentou depois que esse testemunho e essa exigência de «conversão do coração» permitirão ao presbítero fazer «ponte» entre Deus e o homem deste tempo, apontando a todos caminhos de conversão e de empenho numa ordem temporal mais justa, e às comunidades uma maior esforço de «comunhão eclesial» e de «corresponsabilidade apostólica». Aos pastores de almas lembrou o Arcebispo-bispo do Porto que «reformar não é destruir..., desmotivar..., mas construir e reconstruir e criar esperança; é criticar e denunciar... respeitando sempre a liberdade das pessoas, compreendê-las nas suas circunstâncias erradas, não quebrando a cana fendida, nem apagando o lume que ainda fumaga. Reformar traz dentro de si a palavra respeitar os outros e nunca é operacional sem amor. E o amor não se inventa, não se alega, não se presume, não se improvisa, nem são palavras. Existe ou não existe, na relação com o Outro e com os outros».
E D. Júlio salientou ainda que «ser pastor de almas, quer dizer, de pessoas, é uma Graça de Deus dada a alguém para a comunidade. Não impondo, mas convivendo, não se bastando, mas buscando auxílios, dialogando, discernindo e exercendo a autoridade como serviço que se presta e não como soma de poderes de que se usa e abusa». E concretizou mais dizendo que o padre deve rezar, ser cordial para todos, casto, pobre, humilde, corajoso, disponível e capaz de ultrapassar as tensões que surjam nas comunidades e na vida pessoal.
Por fim manifestou o seu apreço pelas famílias, paróquias, grupos de amigos e seminários que intervieram na vida daqueles candidatos à Ordenação, acrescentando que «Deus serve-se dos homens» para ir modelando a vida das pessoas. E apresentou «estes jovens chamados por Deus» como uma corajosa resposta aos apelos do Evangelho e vontade de se assemelhar a Cristo, bom Pastor, e de servir uma «Igreja de Deus e de homens». Pediu-lhes doação inteira confiando em Deus e na protecção da Virgem, advertindo contra «atrevimentos fora da comunhão eclesial» e um mundo de facilidades, e contra tentações de atirar com pesos para cima dos outros e de querer que Deus venha resolver o que não corra bem. E concluiu: «Sede felizes na vocação a que fostes chamados» a de ser «palavra de Deus para os homens do nosso tempo».
São novos padres para serviço da Diocese: Fernando Mota, de Corim, Maia; Joaquim Jorge Teixeira, de S. Nicolau, Porto; Nuno Vieira Antunes, do Santíssimo Sacramento, Porto; dos Dehonianos: Armando Silva, de Sandim, V. N. de Gaia; António Soler Matos, de Santo Ildefonso, Porto; Francisco Costa, de Carrazeda de Ansiães, Bragança; da Consolata: Álvaro Pacheco, de Castelões de Cepeda, Paredes. São novos Diáconos da Diocese: Artur Soares, de Ermesinde, Valongo; José Paulo Teixeira, de Vila Boa do Bispo, Marco de Canaveses; Artur Dias Moreira, de Airães, Felgueiras; Fernando Coutinho, de Ferreira, Paços de Ferreira; e dos Claretianos: António Portugal Martins, de Mansores, Arouca.
Foram instituídos no ministério de Acólito: Fernando Sérgio Fernandes, de Tabuado, Marco de Canaveses; Francisco Norberto Oliveira, de S. Pedro da Cova, Gondomar; Paulo Sérgio Costa, de Modivas, Vila do Conde; e, dos missionários da Boa Nova, Carlos Correia, de Santo Tirso. E no ministério de Leitor: Adão Cunha, de Canedo, Santa Maria da Feira, André Daniel Ferreira, de Vilela, Paredes; Helder Barbosa, de Paços de Ferreira; Joaquim Coutinho Soares, de Soalhães, Marco de Canaveses; José Carlos Teixeira, de Gondar, Amarante; Manuel Fernando Silva, de Bairros, Castelo de Paiva; Mário Abel Duarte, de Airães, Felgueiras; Ricardo Filipe de Matos, de Alfena, Valongo; e, para os misssionários do Sofrimento, Augusto Moreira Vieira, de S. Nicolau, Marco de Canaveses.
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