Moral nas escolas


O mês de Junho vai indicando que o ano lectivo está perto do fim. De olhos postos nos alunos, que são a razão de tantos trabalhos dos professores e de outros funcionários, importará ver para que é a Escola e descobrir o que fazer para que seja, cada vez mais, espaço de realização de professores e outros profissionais, e de verdadeiro crescimento para os alunos.

Fim de ano é uma óptima ocasião para balanço que a todos envolva, pois a Escola, lugar por excelência onde se prepara a geração do futuro, a todos interessará. Pais, alunos, professores e toda a gente que sempre se relaciona com a Escola, e que às vezes dá a entender que a Escola, sozinha, pode fazer tudo. De pouco adiantará que seja lugar de educação, se o resto da sociedade, às vezes mesmo á porta da Escola, alinha por parâmetros absolutamente opostos. E é o que acontecerá.

Também a Igreja está interessada na Escola, não para a conquistar, mas para contribuir, à sua maneira, para que ela possa cumprir a sua missão de ensinar e de educar. Ela manifesta a sua presença «evangelizadora» à maneira de serviço, apelando para que os cristãos que ali trabalham ou estudam não separem a Fé da vida, mas cumpram os seus deveres profissionais como quem sabe que, como leigos, é nesse lugar que, pelo testemunho de vida, devem proclamar, dia a dia, a Boa Nova de Cristo.

Ainda recentemente, a Assembleia Plenária dos Bispos Portugueses, reunida em Fátima, manifestava que nem sempre a presença da Igreja nas Escolas se manifesta «satisfatoriamente evangelizadora». Seria necessário que os protagonistas da vida escolar, de vez em quando se reunissem para, de olhos postos no Evangelho, analisarem a vida escolar.

Uma forma de presença da Igreja nas escolas, e talvez a mais visível, é através das aulas de Educação Moral e Religiosa Católica. Uma outra, de relevo, é através da Escola Católica. No referido encontro, os bispos analisaram um estudo sobre a percentagem de alunos nas aulas de Educação Moral e Religiosa e verificaram que, à medida que a escolaridade aumenta, diminui a percentagem de alunos inscritos. Exactamente quando seria mais proveitoso o confronto entre as perspectivas das ciências e da Fé sobre os valores que os acontecimentos revelam.

Multidão?

Os números apresentados pelo Secretariado Nacional da Educação Cristã, relativos ao ano de 1994/95, revelam que os alunos que optam por ter mais um tempo semanal de aulas, dedicado à sua educação moral e religiosa são muitos milhares. As percentagens de alunos inscritos são de mais de 90 por cento no 5ºano em dioceses como Bragança, Vila Real, Viana do Castelo, Braga, Aveiro, Lamego, Viseu e Guarda, que no 7º ano de escolaridade apresentam ainda percentagens de mais de 70 por cento.

Tais percentagens são muito baixas nos 10º e 11º anos de escolaridade e sobretudo no 12º ano. Mas, mesmo neste ano, Lamego apresenta uma percentagem de 23,1% e Viana do Castelo 15%, estando todas as outras dioceses abaixo dos dez por cento: Aveiro 9%, Porto 8,6, Portalegre 8,5, Évora, Guarda 6,9, Viseu 5,9, Santarém 5,8. Algumas dioceses apresentam percentagens insignificantes como acontece no Algarve, Beja, Funchal, Braga, Coimbra, Bragança, Leiria, Lisboa, Setúbal e Vila Real. Certamente lugares onde nunca terá sido dada atenção a esta área de formação.

Uma certa Comunicação Social vai tentando dar a entender que os alunos de Educação Moral são como «espécie em vias de extinção». Uma outra perspectiva, a de verificar que esses alunos são «sobrecarregados» com mais uma hora semanal de aulas, significará que há uma verdadeira multidão de estudantes que, ultrapassando todas as dificuldades, estão mesmo empenhados em preparar-se para a vida, aproveitando todas as oportunidades que a Escola dá.

Em relação ao total de alunos das escolas, as percentagens em Viana do Castelo 69%, Aveiro 67, Lamego 66, Vila Real 62,2, Braga 62, Viseu 60,4, Bragança 58,3, Porto 56, Guarda 54, Leiria 52,8, Funchal 48,5, Portalegre 44,1, Évora 42,1, Coimbra 38,9, Santarém 35,9, Algarve 24,4%, Beja 27,7,Lisboa 23,9 e Setúbal 22 por cento. Se tivermos em conta a percentagem de praticantes, conclua-se que estas percentagens são elevadas, ainda que haja dados que levam a concluir que uma boa parte de jovens dos grupos paroquiais, não se entende bem porquê, se acham «dispensados» da aula de Educação Moral.

Nesse ano de 1994/95 havia 1733 professores, sendo 36,8 por cento efectivos. Do total dos professores 45 por cento são profissionalizados, sendo 8,2 % provisórios. Sessenta e três por cento dos professores são leigos e 30% padres, havendo ainda 2,5 por cento de religiosos e 4,5 % de religiosas. Dos 793 221 alunos das Escolas, 340 699 frequentaram a aula de Educação Moral e Religiosa, o que corresponde a 43 por cento.

No que diz respeito à diocese do Porto, há, como professores, 242 leigos, 43 padres e seis religiosas. Desses, 142 são efectivos e 149 de nomeação anual. Há na diocese 175 escolas mas os dados referem-se apenas a 114: dos 109 813 alunos, 60 984, isto é 56%, frequentaram as aulas de Educação Moral. Dos 11.926 do 10º ano, 22% inscreveram-se o que representa 2660 alunos; dos 7231 do 11º ano, inscreveram-se 1247, ou seja 17%; e dos 5.657 do 12º ano, 15% inscreveram-se em Moral, ou seja 856.

No 5º e 6º anos há 35.910 alunos e, nas aulas de Educação Moral, 30.031. Nos 7º 8º e 9º anos há 49.089 alunos e nas aulas de Moral 26.190, numa percentagem que baixa de 64% no 7ºano para 40% no 9ºano. Nas 114 escolas os alunos de Educação Moral e Religiosa são assim 56 221 do 5º ao 9º ano e 4763 do 10º ao 12º anos. Verdadeiramente, uma multidão de gente que quer abraçar o futuro com entusiasmo, percebendo que a melhor riqueza são as pessoas. A educação para os valores será assim tarefa de primordial importância, na Escola, mas também na sociedade.


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