Delegados do Movimento Mundial de Trabalhadores Cristãos (MMTC), vindos de 40 países de todo o mundo estarão no Porto, Casa Diocesana de Vilar, desde a próxima 3ª-feira até ao dia 17, 6ª-feira, nas Conversações Intercontinentais e na Assembleia Geral daquele reconhecido movimento.
«Tecer novas solidariedades para viver dignamente» será o tema do seminário internacional que ali decorrerá de 6 a 10, o que permitirá que delegados de mais de 50 movimentos filiados no MMTC possam partilhar as suas experiências e convicções, numa busca de orientações de acção para os próximos quatro anos. A segunda semana, de 13 a 17, será dedicada à VIII Assembleia Geral em que serão eleitos os novos responsáveis internacionais e será aprovado o plano de acção para os próximos quatro anos. Em tempos de mundialização da Economia, pretendem estes delegados dos movimentos de trabalhadores encontram alguma resposta para as crescentes dificuldades que os têm atingido e buscar na Fé cristã o indispensável alento para prosseguirem no esforço de maior dignificação da pessoa que trabalha e daqueles a quem é recusado este direito fundamental.
O Movimento Mundial de Trabalhadores, organização internacional reconhecida pela Santa Sé, tem 30 anos de existência e congrega 48 movimentos de trabalhadores de África, Américas, Ásia e Europa. Procura a formação de agentes de desenvolvimento e promover a dignidade bem como a realização das pessoas na sociedade, lutando pela democracia e contra as tendências de exclusão social e cultural.
A dimensão social do desenvolvimento tornou-se uma preocupação mundial, verificando-se que é cada vez maior o fosso entre uma maioria de gente que vai empobrecendo cada vez mais e um grupo cada vez menor de outros que enriquecem cada vez mais. O fenómeno do desemprego tem criado, para além disso, problemas crescentes, fazendo multiplicar-se formas de sub-emprego sobretudo nas camadas jovens, o que faz aumentar os riscos de violência. Tem diminuído, para além disso, a percentagem dos trabalhadores activos, o que faz baixar as garantias de segurança social e descrer de futuro apoio na saúde e na doença.
Num tempo assim pretende o MMTC apelar às pessoas para que se tornem «sujeitos da Humanidade» e não meros objectos de estratégias económicas que os coloquem na periferia dos problemas. Quer ainda promover novas formas de solidariedade, desenvolvendo a acção individual e colectiva pelo reforço das organizações sindicais e populares. Isso exige o fomentar de verdadeiras «correntes de opinião e de acção» que atinjam as próprias causas dos problemas. Neste sentido ganha particular significado a unidade de empenhamento dos grupos ligados ao MMTC que estão presentes em 40 países de todo o mundo.
Os movimentos filiados no MMTC afirmam-se como sendo «de Evangelização pela acção», procurando a promoção humana, o desenvolvimento e a libertação, levando através da sua vida e do seu testemunho, a luz do Evangelho às realidades da vida social, económica e política. E descobrindo também a presença actuante de Deus na vida das pessoas e da realidades.
Os debates terão como base experiências concretas seja com trabalhadores migrantes e suas famílias, com crianças, mulheres, desempregados ou trabalhadores em situação de precaridade.
Entre as propostas concretas para debate, em ordem a conseguir-se uma economia mais ao serviço do homem, propõem a anulação da dívida do Terceiro Mundo,, a supressão dos chamados «paraísos fiscais», o controlo da especulação e dos movimentos de capitais, o reforço do papel do Estado para defesa do bem comum e a criação de um instituto independente de regulação do comércio mundial.
No dia 16, será a festa dos 30 anos do MMTC e dos 60 anos da LOC, com danças, cantares e outras manifestações culturais de todos os países representados.
Interlocutor do MMTC entre nós é a Liga Operária
Católica com as suas 16 equipas de militantes cristãos
espalhadas pelas dioceses de Braga, Porto, Aveiro, Viseu, Guarda,
Coimbra, Santarém, Lisboa, Setúbal, Évora,
Madeira e Açores. Tenta lutar pelo direito ao trabalho
e à partilha das riquezas, por melhores condições
de saúde e segurança social, pela participação,
solidariedade e generosidade na família e pelo desenvolvimento
de uma democracia mais participativa e solidária.