Movimento Mundial de Trabalhadores Cristãos, no Porto

Mundo do trabalho interpela os cristãos

Terminam amanhã, dia 17, na cidade do Porto, as Conversações Internacionais e a VIII Assembleia Geral do Movimento Mundial de Trabalhadores Cristãos que aqui decorrem desde o dia 7, o que acontece pela primeira vez em Portugal.

A situação do mundo laboral apresenta-se, para o delegado do Vaticano, como uma forte interpelação para os cristãos, exigindo-lhes um acréscimo de testemunho. Falou depois da Doutrina Social da Igreja como "um tesouro quase desconhecido" e dos "direitos sociais do homem", nomeadamernte do direito ao trabalho e dos direitos no trabalho.

Estão presentes delegados de 40 países, dos quatro continentes para analisarem o que é a vida dos trabalhadores e tomarem atitudes comuns para que seja mais digna. Desta forma. o MMTC tenta encontrar alternativas para a construção de um mundo mais justo, de uma democracia mais plena e de uma solidariedade mais verdadeira, em que todos tenham idênticas oportunidades.

Jacques Pulh, secretário-geral do MMTC, nesta sociedade "fracturada, desregulada e perigosa", há necessidade de todos lutarem contra a pobreza, o desemprego e a exclusão social, que atingem a maioria da população. Hugo Dealwis, presidente, lembrou que as pessoas devem tomar consciência dessa irregularidade e exigir mais apoio das estruturas económicas, políticas e sociais, unindo esforços na luta pela justiça e solidariedade.

Neste sentido, é preciso preparar "agentes de desenvolvimento". E este Movimento de trabalhadores, uma organização não-governamental de desenvolvimento, deve colaborar nisso.

Portugal está representado pela Liga Operária Católica, uma das entidades fundadoras do MMTC. Pela reflexão que tem feito sobre a situação dos trabalhadores à luz do Evangelho e da Doutrina Social da Igreja, sugere uma redução do horário de trabalho, como alternativa ao desemprego, a necessidade de melhor formação profissional para maior polivalência dos trabalhadores e a fiscalização de tais acções por organizações de trabalhadores.

A presença de dois representantes do Vaticano e do Bispo de Aveiro, para além da mensagem que o Papa enviou através do Núncio em Lisboa e da Eucaristia a que presidiu D. Gilberto Canavarro, bispo auxiliar, significam a atenção com que a Igreja acompanha estes trabalhos.

O trabalho e as crianças, imigrações, condições de trabalho, trabalho "informal", precaridade e desemprego foram temas debatidos. E ficou claro que o baixo preço dos produtos que vêm da Ásia se deve à exploração de crianças, mulheres e trabalhadores sem apoio legal e em condições de quase escravatura. Há, por consequência, muitos deficientes físicos e psíquicos, e prolifera a prostituição, o alcoolismo e a droga. Em países como o Japão, Coreia do Sul e Taiwan as pessoas chegam a trabalhar de 50 a 72 horas por semana!

Tais problemas atingem também famílias de emigrantes portugueses, mesmo em países da Europa, no que também os espanhóis se queixaram referindo casos de racismo e xenofobia, "uma segunda forma de exploração colonial". Mais calamitoso é o que se passa na Ásia ao serem dados grandes créditos a viagens e recrutados verdadeiros contingentes de mão-de-obra barata que vão para países mais desenvolvidos.

Os representantes do Canadá e de alguns países da Europa apontaram o fenómeno de precarização do trabalho, aproximando muitos trabalhadores dos níveis de vida do Terceiro Mundo e colocando-os em situações de desemprego eminente ou de stress, violência e competição.

O membro do Conselho Pontifício Justiça e Paz sugeriu uma relação mais próxima e mais estruturada entre essa Comissão e o Movimento Mundial da Trabalhadores Cristãos


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