I Encontro de Delegados da Igreja Católica dos Países Lusófonos, em Fátima

Igrejas lusófonas de mãos dadas

Delegados da Igreja de cinco países lusófonos estiveram reunidos em Fátima, de 9 a 13 de Maio, num primeiro encontro, para melhor se conhecerem e projectarem iniciativas e formas de cooperação. Bispos europeus, africanos e brasileiros (o de Macau e o de Timor não puderam vir) deram futuro às comemorações dos "Cinco Séculos de Evangelização e Encontro de Culturas".

D. Alexandre (Angola), D. Raymundo (Brasil), D. Paulino (Cabo Verde), D. Settimio (Guiné), D. Abílio (S. Tomé e Príncipe), D. Francisco (Moçambique) e D. João Alves (Portugal) começaram por reunir-se em Lisboa, na Universidade Católica, mas o encontro prosseguiu depois em Fátima. Cada delegado apresentou a situação e prioridades pastorais da Igreja no seu país, e ainda as suas sugestões para uma maior colaboração entre as comunidades católicas lusófonas. E assim que os bispos dos sete Estados de língua oficial portuguesa decidiram criar um fundo financeiro de solidariedade que garanta a operacionalidade de várias acções conjuntas.

O documento final revela que este género de encontros terá continuidade não só para se aprofundar o conhecimento mutúo e fortalecer a comunhão eclesial, mas para descoberta da recíproca complementaridade em ordem a uma maior fidelidade à identidade cultural lusófona. Aí conduziu o ambiente de oração, comunhão e corresponsabilidade que fez marcar um próximo encontro para Luanda, em Angola, devendo a iniciativa prosseguir em cada um dos outros países. Em futuros encontros deverão participar as presidências das quatro Conferências Episcopais lusófonas e os três bispos dos países de diocese única, podendo ser acompanhados pelos vigários gerais.

Os delegados salientaram as profundas mudanças que atingiram todos os países lusófonos nas últimas décadas e como a Igreja, geralmente, soube identificar-se e defender os legítimos anseios das populações. Esse papel foi altamente relevante nas situações de violência, pois soube defender os direitos da pessoa e pugnar pela justiça, solidariedade e reconciliação, independentemente das tendências miltarmente dominantes. Foi pedido que prossiga o apoio de padres, religiosos e leigos e que se faça mesmo uma nova sensibilização para a vocação missionária.

Entre as opções pastorais ganham particular relevo a promoção da Catequese, a formação de leigos verdadeiramente corresponsáveis na vida e na missão da Igreja, uma atenção particular à Família, à juventude e às pequenas comunidades. A inculturação do Evangelho e a transformação das realidades temporais à luz do Evangelho aparecem ainda como áreas prioritárias.

Com agrado foi apontada a acção de alguns grupos de acção missionária que dão testemunho de isenção, gratuidade e dedicação em acções religiosas e sociais. Foi manifestada solidariedade a D. Carlos, bispo de Dili, e salientado o direito dos timorenses à legítima autonomia.

Entre as acções comuns merece ainda destaque o interesse pelo estudo da língua e cultura portuguesas, tendo os bispos insistido mesmo que se torna necessária uma maior circulação de informação entre as Igrejas lusófonas, o que levará a maior irradiação e valorização da língua portuguesa, bem como das culturas lusófonas.

Nesse sentido tem ido o apoio de algumas comunidades cristãs financiando a construção de escolas e sobretudo a recente iniciativa de grande parte das dioceses portuguesas de apoiarem a criação de universidades católicas em Angola e Moçambique. E estão em vista acções de permuta de livros e de apoio a publicações, bem como a rádios locais e imprensa. Como foi dito, ou as comunidades lusófonas têm a sabedoria de se unirem, ou então diluir-se-á definitivamente esta língua e cultura.


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