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Domingo XVII do Tempo Comum - Ano B
27 de Julho de 1997
Título de página:
Sacia de bens os famintos!
Uma Leitura Dos Textos Bíblicos
«Os milagres da multiplicação dos pães - quando o Senhor disse a bênção, partiu e distribuiu os pães pelos seus discípulos para alimentar a multidão - prefiguram a superabundância deste pão único da Sua Eucaristia» (Catecismo da Igreja Católica, n. 1335).
1ª Leitura - 2 Re 4, 42-44: «Comerão e ainda há-de sobejar»
Eliseu, apresentado como discípulo de Elias e seu sucessor, era chefe de uma comunidade de discípulos (comunidade profética?) nas margens do Jordão. Frente a um sincretismo religioso e a uma acomodação aos costumes cananeus, Eliseu, como Elias, defende a pureza da religião javista: só Javé é Deus. Quem sacia o povo de vinho, de trigo e de azeite não é Baal, mas Javé, como dirá anos mais tarde Oseias (cf. Os 2).
A desproporção entre os vinte pães e os cem homens (ainda maior no relato evangélico) é prova da abundância que vem de Javé. É confirmada, ainda, a palavra do profeta e reforçada a confiança da comunidade.
2ª Leitura - Ef 4, 1-6: «Um só Corpo, um só Senhor, uma só fé, um só Baptismo»
A segunda parte da carta é uma exortação prática. Apresentando-se como prisioneiro por fidelidade à missão, Paulo pode exortar, com o seu testemunho, os seus leitores a manterem-se fiéis à sua vocação.
A comunidade cristã está chamada à unidade, realizando a imagem da Trindade. Partindo de uma fórmula baptismal («um só Senhor, uma só Fé, um só Baptismo» - que no grego joga com o adjectivo «um» no masculino, feminino e neutro), Paulo prolonga-a, formando um trio de trios: Corpo-Espírito-Esperança; Salvador-Fé-Baptismo; transcende-penetra-invade.
Para atingir a unidade impõem-se exigências práticas: humildade, mansidão, paciência...
Evangelho - Jo 6, 1-15: «Distribuiu-os e comeram quanto quiseram»
Durante cinco domingos interrompe-se a leitura do evangelho de S. Marcos, precisamente no relato da multiplicação dos pães que é substituído pelo de S. João (cap. 6).
Neste capítulo, João completa as reflexões sobre o mistério de Jesus, iniciadas no capítulo II (o vinho nas bodas de Caná) e IV (a água viva). O pano de fundo do relato é o êxodo (a relação entre Jesus e Moisés, por cuja intercessão o povo recebe o maná). Mas, do deserto, passa-se agora à margem fértil do lago (de Moisés a Jesus).
O facto de que o milagre aconteça numa das três Páscoas mencionadas pelo Evangelho de João e, ainda, o gesto de Jesus («tomou os pães, deu graças, e distribuiu-os...») conduz a uma justa interpretação eucarística.
Estas relações de Jesus com Moisés (cf Dt 18, 15-18) e com Eliseu (cf. 1ª leitura) alimentavam as expectativas populares povoadas de figuras messiânicas e, por isso, não admira que o quisessem fazer rei.
O carácter messiânico do mistério de Jesus revela-se na multiplicação dos pães. Contudo um certo entusiasmo equívoco da multidão, cheio de mal-entendidos, vai ter de ser esclarecido.
Homiliário Patrístico
O Verbo-Profeta
«Quando viram o sinal que Jesus realizara, aqueles homens começaram a dizer: "Este é, na verdade, o profeta" (Jo 6, 14).
Provavelmente, enquanto estavam sentados sobre a erva, consideravam que Cristo era um profeta. Na verdade, Ele era o Senhor dos profetas, o Inspirador e o Santificador os profetas. E, todavia, Ele próprio era Profeta, porquanto a Moisés fora dito: «Suscitar-lhes-ei um profeta como tu» (Dt 18, 18). Semelhante segundo a carne, mas não segundo a majestade. E que essa promessa do Senhor tinha por objecto o próprio Cristo, lêmo-lo claramente nos Actos dos Apóstolos (cf. Act 7, 37). Aliás, o próprio Senhor diz de si mesmo: «Um profeta só é desprezado na sua pátria» (Jo 4, 44).
O Senhor é profeta, o Senhor é o Verbo de Deus e nenhum profeta pode profetizar sem o Verbo de Deus; o Verbo de Deus profetiza pela boca dos profetas e Ele próprio é Profeta. Os tempos que nos precederam mereceram ter profetas inspirados e cheios do Verbo de Deus: nós merecemos ter como Profeta o próprio Verbo de Deus.
(S. Agostinho, In Io. ev. tr., 24, 7)
Sugestões Litúrgicas
1. Contexto:
Durante cinco Domingos será interrompida a leitura de Marcos, o Evangelista do ano B, e acompanharemos com João a revelação do Pão da Vida (cap. 6º). Há uma razão prática para tal: o evangelho de S. Marcos, sendo o mais breve dos 4 (apenas 16 capítulos), permite assim a leitura de um trecho importante de S. João que, de outro modo, se teria de omitir.
Se há ocasiões em que se impõe uma programação a médio prazo da pregação homilética, esta parece ser uma: se não se prepararem em conjunto as homilias dos 5 próximos domingos, correr-se-á o risco de acabar por andar a repetir sempre o mesmo...
O discurso de Cafarnaum é de importância capital para a compreensão do mistério eucarístico. Mas não se limita a falar da Eucaristia, certamente porque nesta se reflecte todo o mistério cristão, inesgotável e multifacetado. Uma forma de obviar ao perigo da repetição será ler sempre o Evangelho em confronto com as passagens do AT escolhidas para cada Domingo. Também a 2ª leitura pode enriquecer a perspectiva da abordagem, apesar de não estar escolhida em função das outras duas.
2. Leitores:
1ª Leitura - Não é difícil. Ressalte-se o diálogo.
2ª Leitura - Uma boa inspiração para dizer a primeira frase (até aos dois pontos) e, depois, a pontuação de enumeração (até «paz»). Uma pausa suficiente para separar e anunciar a tríplice tríade que se segue.
3. Sugestão de cânticos:
Entrada: Deus vive na sua morada santa, F. Santos, BML 47, 9; NCT 217; Nós somos o Povo do Senhor, J. Martins, NCT 222; Salmo Resp.: Vós abris, Senhor, M. Luís, SR(B) 119; Aclam. ao Ev.: Apareceu entre nós, adapt. NCT 239; Comunhão: Apareceu entre nós, F. Santos, BML 29, 15; O Senhor é meu pastor, F. Santos, BML 52,12; NCT 268; A minha alma louva o Senhor, F. Santos, NCT 254; BML 66/67.
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XVII DOMINGO DO TEMPO COMUM
27 de Julho
Leitura do Segundo Livro dos Reis
2 Reis 4, 42-44
Naqueles dias, veio um homem da povoação de Baal-Salisa e trouxe a Eliseu, o homem de Deus, pão feito com os primeiros frutos da colheita. Eram vinte pães de cevada e trigo novo no seu alforge. Eliseu disse: «Dá-nos a comer a essa gente». O servo respondeu: «Como posso com isto dar de comer a cem pessoas?» Eliseu insistiu: «Dá-os a comer a essa gente, porque assim fala o Senhor: 'Comerão e ainda há-de sobrar'». Deu-lhos e eles comeram, e ainda sobrou, segundo a palavra do Senhor.
Salmo Responsorial
Salmo 144 (145), 10-11. 15-16. 17-18 (R. cf. 16)
Abris, Senhor, as vossas mãos
e saciais a nossa fome.
Graças Vos dêem, Senhor, todas as criaturas
e bendigam-Vos os vossos fiéis.
Proclamem a glória do vosso reino
e anunciem os vossos feitos gloriosos.
Todos têm os olhos postos em Vós,
e a seu tempo lhes dais o alimento.
Abris as vossas mãos
e todos saciais generosamente.
O Senhor é justo em todos os seus caminhos
e perfeito em todas as suas obras.
O Senhor está perto de quantos O invocam,
de quantos O invocam em verdade.
Leitura da Epístola do apóstolo São Paulo aos Efésios
Ef. 4, 1-6
Irmãos: Eu, prisioneiro pela causa do Senhor, recomendo-vos que vos comporteis segundo a maneira de viver a que fostes chamados: procedei com toda a humildade, mansidão e paciência; suportai-vos uns aos outros com caridade; empenhai-vos em manter a unidade de espírito pelo vínculo da paz. Há um só Corpo e um só Espírito, como existe uma só esperança na vida a que fostes chamados. Há um só Senhor, uma só fé, um só Baptismo. Há um só Deus e Pai de todos, que está acima de todos, actua em todos e em todos Se encontra.
Aleluia. Aleluia.
Apareceu entre nós um grande profeta:
Deus visitou o seu povo.
Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo
segundo São João
Jo 6, 1-15
Naquele tempo, Jesus partiu para o outro lado do mar da Galileia, ou de Tiberíades. seguia-O numerosa multidão, por ver os milagres que Ele realizava nos doentes, Jesus subiu a um monte e sentou-Se aí com os seus discípulos. Estava próxima a Páscoa, a festa dos judeus. Erguendo os olhos e vendo que uma grande multidão vinha ao seu encontro, Jesus disse a Filipe: «Onde havemos de comprar pão para lhes dar de comer?» Dizia isto para o experimentar, pois Ele bem sabia o que ia fazer. Respondeu-Lhe Filipe: «Duzentos denários de pão não chegam para dar um bocadinho a cada um». Disse-Lhe um dos discípulos, André, irmão de Simão Pedro. «Está aqui um rapazito que tem cinco pães de cevada e dois peixes. Mas que é isso para tanta gente?» Jesus respondeu: «Mandai sentar essa gente». Havia muita erva naquele lugar e os homens sentaram-se em número de uns cinco mil. Então, Jesus tomou os pães, deu graças e distribuiu-os aos que estavam sentados, fazendo o mesmo com os peixes; e comeram quanto quiseram. Quando ficaram saciados, Jesus disse aos discípulos: «Recolhei os bocados que sobraram, para que nada se perca». Recolheram-nos e encheram doze cestos com os bocados dos cinco pães de cevada que sobraram aos que tinham comido. Quando viram o milagre que Jesus fizera, aqueles homens começaram a dizer: «Este é, na verdade, o Profeta que estava para vir ao mundo». Mas Jesus, sabendo que viriam buscá-l'O para O fazerem rei, retirou-Se novamente, sozinho, para o monte.
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