Os romanos consideravam o azevinho como símbolo da paz e da felicidade, e os celtas usavam-no como remédio e antídoto contra venenos. Diz-se que, na história cristã, foi a planta que escondeu Jesus dos soldados de Herodes. Em compensação, segundo a lenda, foi-lhe dado o privilégio de conservar as folhas sempre verdes.
Na quadra natalícia é costume usar-se ramos e frutos desta espécie para ornamentar os nossos lares. A excessiva utilização do arbusto foi de tal ordem que, no final de 1989, um decreto-lei estabeleceu o regime de protecção do azevinho espontâneo. Foi o primeiro diploma a preservar uma espécie vegetal no nosso país. Proíbe o arranque, o corte total ou parcial, o transporte e a venda. Os infractores sujeitam-se a coimas, mas poucos têm sido apanhados.
Outrora abundante nas montanhas do Norte e Centro do país, apenas subsiste, actualmente, em pequenas manchas residuais do carvalhal caducifólio.
A acrescentar à procura desenfreada na época natalícia, durante décadas, outros factores contribuíram para a diminuição da área de ocorrência: destruição de carvalhais, incêndios, excesso de pastorícia, eucaliptização e obras públicas.
O azevinho é uma planta dióica a parte masculina e feminina encontram-se em exemplares diferentes. Por isso, ao cortar-se apenas as que têm bagas, está a destruir-se as femininas, o que compromete a reprodução. Por outro lado, é uma espécie de crescimento lento, bastante exigente quanto ao seu habitat.
Em termos ecológicos, a espécie desempenha uma função extremamente importante, ao fornecer alimento e abrigo a aves e mamíferos durante o Inverno.
Actua ainda como regulador térmico, sendo a temperatura no interior da copa, em condições climáticas adversas, superior à do meio ambiente entre três a cinco graus. Por outro lado, a densidade da folhagem assegura uma protecção quase completa contra o vento e contra a neve.
Conclui-se, assim, que a presença do azevinho suaviza a época ecologicamente mais dura e contribui para a densidade e riqueza específica das comunidades invernantes no meio florestal.
Existem alternativas para decorar as nossas casas na quadra do ano que estamos a atravessar: cultivar azevinho nos jardins ou adquirir plantas provenientes de viveiros, acompanhadas dos respectivos certificados de origem. Podem-se ainda utilizar outros elementos vegetais cuja venda não é proibida.
Numa altura em que as atenções da Humanidade estão centradas na defesa do ambiente, é prioritário salvar uma espécie cuja presença na natureza é muito diminuta relativamente a um passado recente.