Este cantinho de Natal é para os nossos leitores mais jovens, em especial para as crianças em cujo nome foram feitas assinaturas. Saudamos, uma vez mais, esta iniciativa de alguns avós, com os votos que este exemplo seja seguido por muitos outros.
Vamos recordar algumas tradições e expressões natalícias, que nem sempre são devidamente explicadas aos mais jovens. Podemos encontrar na Internet muitas coisas lindas sobre o Natal. Recordamos algumas.
Missa do Galo
A Missa do Galo, também conhecida por Missa da Meia Noite, celebra-se devido ao facto de a tradição dizer que Jesus nasceu à meia-noite. A celebração desta Missa, ao que tudo indica, remota ao ano 400. Porque se chama missa do galo? Há várias versões qual delas a mais interessante. Uma lenda diz que foi o galo o primeiro a anunciar o nascimento de Jesus. Terá sido a única vez que o galou cantou à meia noite. Há quem situe esta lenda em Espanha, na província de Toledo. Na noite de 24 de Dezembro, cada lavrador matava um galo para recordar o galo que cantou quando S. Pedro negou Jesus. Estes galos eram levados para a missa da meia noite para serem oferecidos aos pobres.
O Presépio
As primeiras imagens que representam o nascimento de Jesus (Natal ou Natividade) aparecem no século VI em mosaicos no interior das igrejas e templos. A palavra presépio significa estábulo, curral, lugar onde se recolhe o gado. Hoje designa a representação do nascimento do Menino Jesus em Belém, possivelmente num estábulo, acompanhado pela Virgem Maria,
S. José, um jumento e uma vaca e outras figuras como pastores, ovelhas, anjos, os Reis Magos, etc. Esta representação, como hoje a temos, deve-se a S. Francisco de Assis, em 1223. O sucesso desta representação do presépio foi tanta que rapidamente se estendeu por toda a Itália e depois a todo o mundo.
A Árvore de Natal
A origem desta árvore, um pinheiro ou abeto, enfeitado e iluminado na noite de Natal, é muito anterior ao nascimento de Jesus, pois terá surgido no segundo ou terceiro milénio a.C. Nessa época, muitos povos indo-europeus estavam a espalhar-se pela Europa e Ásia. Estes povos atribuíam às árvores poderes relacionados com a fertilidade da Mãe Natureza, por isso prestavam-lhes culto. Como no Inverno, numa grande percentagem das árvores, as folhas caíam, estes povos antigos colocavam diferentes enfeites nas árvores para não deixar fugir o espírito da natureza. O carvalho era considerado símbolo divino. A primazia do carvalho foi substituída no século VII, por influência de S. Bonifácio que usava o perfil triangular dos abetos para explicar a Santíssima Trindade. Só no século XVI é que se vulgarizou na Europa a moderna árvore de Natal. Há quem atribua esta ideia a Lutero (1483-1546), autor da reforma protestante. Nos países católicos, como Portugal, a tradição da árvore de Natal foi surgindo pouco a pouco ao lado dos presépios. Por exemplo na Alemanha, a árvore de Natal é decorada com determinados objectos para atrair a felicidade para o lar: casa: protecção ; coelho: esperança; chávena: hospitalidade; pássaro: alegria; rosa: afeição; cesta de frutas: generosidade; peixe: bênção de Cristo; pinha: fartura; pai natal: bondade; cesta de flores: bons desejos; coração: amor verdadeiro.
Na nossa edição de 2 de Dezembro, na página 4, em A fé dos simples, encontramos uma lenda que nos indica outra versão da origem da árvore de Natal. (Pesquisa: António Jesus Cunha)