A fé dos nossos crentes (2)
Fé deve ser esclarecida e fundamentada.
Nessa perspectiva não posso deixar de comentar uma frase de um eminente artista plástico português assumidamente ateu o qual afirma que «o Universo existiu desde sempre e as suas leis são intemporais». Tal afirmação não passa de uma asserção dogmática, inclusivamente contra o que a ciência admite como a teoria mais plausível do fenómeno inicial que deu origem ao Universo, o «Big Bang», teoria que foi formulada no século passado pelo sacerdote belga Georges Lemaitre (matemático, físico e astrónomo).O facto de ser um cientista de renome não o afastou do caminho da Fé
Na minha perspectiva (e porventura de muita gente), a Fé é resultado de uma contínua construção que começa na Família de tradição cristã, passa pela catequese e frequência da missa, bem como na aquisição de conhecimentos fidelignos sobre aquilo em que afirmamos acreditar.
A Fé não é pois ou não deverá ser uma crença cega mas sim uma forte convicção bem alicerçada ao longo do tempo, a Fé alimenta-se e fortalece-se.
E é aqui que os responsáveis da Igreja deveriam intervir, dando relevo ao que realmente interessa para esclarecer os seus fiéis e não perderem tempo com actividades vãs!
É simplesmente lamentável o silêncio da Igreja portuguesa (salvo honrosas excepções pontuais) aquando da saga do Código da Vinci conheço inclusivamente vários casos de pessoas nomeadamente com actividades catequéticas, que viram a sua fé abalada, essas pessoas não tiveram qualquer apoio ou esclarecimento da parte de responsáveis da Igreja.
Custa-me ver a falta de cultura religiosa de pessoas que frequentam assiduamente cerimónias religiosas e participam activamente em procissões, e que não tem argumentos racionais nem conhecimentos quando interpeladas por um ateu militante mais aguerrido
o qual paradoxalmente tem mais conhecimentos de religião cristã do que elas!
É pois tempo de a Igreja acordar para a realidade e repensar a forma(s) de proporcionar aos seus fiéis a aquisição de conhecimentos que lhes permitam esclarecer e consolidar a sua Fé.
Um tema importantíssimo não divulgado pela Igreja portuguesa mas que eu tenho apresentado como forma de evangelização (de uma forma objectiva e alicerçada em trabalhos científicos) é o Santo Sudário ou Sudário de Turim; este consciencializa as pessoas do indescritível sofrimento que Jesus Cristo experienciou na Sua Paixão, e é o suporte material para aquilo que se recorda em todas as Eucaristias ,refiro-me obviamente à Ressurreição.
Outro também desconhecido é o paradigma dos Milagres Eucarísticos, o Milagre Eucarístico de Lanciano (talvez venha a escrever uma rubrica sobre esse tema
)
Relativamente a este, posso relatar que após uma palestra que proferi numa prestigiada paróquia do Porto, observou-se uma mudança de atitude dos jovens durante a Eucaristia, passaram a adoptar posturas de respeito e reflexão durante a Consagração e comunhão, pois perceberam o significado teológico das mesmas.
Ambos os temas foram alvo de rigoroso escrutínio cientifico, e de uma forma simplista poderemos afirmar que a ciência não encontrou argumentos para por em causa a sua autenticidade nem explicação para a sua ocorrência.
Se estes temas puderem contribuir para consolidar e esclarecer a nossa Fé porque não divulgá-los -sem obviamente banalizar
- em locais e épocas adequadas?
Aqui lanço este repto.
Antero Frias Moreira - Matosinhos