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    Jornadas de Teologia


    Conforme V.P. foi anunciando em números anteriores, realizaram-se na Universidade Católica do Porto mais umas jornadas teológicas, cujo tema geral - «Vinte séculos de história: para onde vai o Cristianismo»? - procurou discernir caminhos futuros, a partir de um olhar retrospectivo da Igreja. As respostas a uma tão inquietante pergunta, não foram, naturalmente, dadas de uma forma acabada. Mas as jornadas deram alguns contributos nesse sentido. A intuição dos seus organizadoras foi muito certeira, ao propor aos participantes uma viagem retrospectiva e prospectiva sobre o Cristianismo, desígnio a que os contributos dos peritos conseguiram, de um modo geral, dar substância. Não com aquele discurso teológico triunfalista, que tem sempre respostas para tudo, antes com a linguagem humilde de quem se põe à procura, sabendo que a dúvida é tão certa como a certeza. Umas comunicações fizeram rememorar as luzes e sombras do Cristianismo, expondo as grandes manifestações de fidelidade da Igreja, sem esconder os seus pecados e a necessidade de purificar a nossa memória colectiva. Outras retrataram o ambiente cultural que caracteriza a nossa sociedade, marcada por uma espécie de anorexia espiritual e pela ausência de referências luminosas, opacidade que incita as comunidades cristãs a descobrirem e a viverem mais intensamente de Jesus Cristo, luz que pode iluminar o homem neste dealbar do terceiro milénio.

    O pano de fundo das várias intervenções procurou ter presente a intenção de fazer destas jornadas um contributo para a celebração do ano jubilar, que é um insistente convite à voltarmos às nossas raízes, ao Amor Primeiro. Esse regresso à frescura das fontes da Esperança poderá ser a porta de acesso a uma nova etapa da história. Mas se não for feita esta «refontalização», desejada pelo Vaticano II, a celebração jubilar ficará confinada a um mero ciclo ritual, sem deixar atrás de si qualquer rasgo de verdadeira renovação espiritual. Não admira, por isso, que o Concílio do nosso século tivesse constituído a grande chave de referência de quase todas as comunicações em que V. P. participou.

    Os motivos inspiradores da celebração do Jubileu, os mesmos que servem de fundamento à fé e esperança cristãs, são simples: «Deus amou de tal modo o mundo que lhe deu o seu Filho único». Como dizia Paulo VI, «seria muito estranho que esta Boa Nova, que suscita o aleluia da Igreja, não nos desse um aspecto de pessoas salvas». Foi esta dimensão original e inalienável do Cristianismo que, em vários registos, foi acentuada pelos oradores durante as jornadas.

    Numa época tentada pelo pessimismo e pelo vazio, o revigoramento espiritual do jubileu será conseguido, se criar condições para os cristãos repetirem no ano 2000 a experiência de Jacob: «O Senhor está realmente neste lugar e eu não o sabia» (Gen 28, 16). Oxalá as jornadas teológicas tenham suscitado nos participantes o desejo íntimo de acolherem esta revelação, suscitada pelo sonho do filho de Isaac, em Betel.